Pois é: muita gente boa voltando pra casa depois de ser desclassificada na Copa. O mundo gira e o futebol do Brasil não é mais o mesmo — ou será que o da França, o da Noruega e até o do Cabo Verde é que não são mais os mesmos? Acho saudável essa recomposição pra gente ficar esperto e se reinventar. Acho que temos sim a ginga, mas também acho que temos muito a aprender com outros times, outras esquadras. Também tenho aprendido muito nessa temporada na Comporta, no Alentejo, com as pessoas simples da região, com as cegonhas que formam seus ninhos nos postes por aqui. Acompanho sempre, por várias horas do dia, elas cuidando dos seus filhotes, do bem-estar do lar, construindo suas casinhas galho por galho, trazido de fora, voando até seu próprio endereço. Tudo com muita calma, foco — e amor. Aprendo também com o sol que se põe esplendidamente por aqui. Aprendo com o vai e vem e a magia do mar. Essa temporada longe do meu cotidiano me permite focar mais, orar mais e até mesmo tentar meditar mais. Sim, eu precisava parar. Sim, quem não precisa? Tempo de reciclar, de resgatar, de olhar em volta, de aprender. Que sorte a minha de ter acesso a tudo isso. Que bom seria se mais gente pudesse ter.
Ilustração: Maria Eugenia
A BELEZA DE DESISTIR
Existe uma indústria inteira dedicada a nos convencer de que ainda não fizemos o suficiente. Falta o creme certo. O preenchimento discreto. O procedimento novo. O maxilar mais marcado, a cintura mais fina, a pele mais lisa. O corpo virou uma obra eternamente atrasada. E nós, as empreiteiras exaustas.
Li uma resenha sobre “Ugly”, livro da escritora americana Stephanie Fairyington, escrito como uma carta para a filha. Ela faz uma afirmação que, hoje, soa quase escandalosa: diz que é feia. Não de um jeito dramático, pedindo que alguém corra para desmenti-la. Apenas diz. E conta que deixou de tentar corrigir a própria aparência.
É aí que a coisa fica interessante. Porque o desconforto das outras mulheres não parece nascer da feiura, mas da desistência. Como assim, ela não vai tentar? Não vai melhorar? Não vai aproveitar tudo o que o mercado oferece? A aparência deixou de ser apenas uma característica e virou uma obrigação moral. Ser bonita talvez seja sorte. Mas agora, tentar ser bonita, pelo visto, virou dever.
E que dever cansativo… Tem jovem batendo no próprio rosto com martelo para definir o maxilar. Tem celebridade enfrentando dieta radical para caber, durante alguns minutos, no vestido de uma mulher famosa que já morreu. Há algo de muito estranho quando a beleza exige que o corpo seja tratado como inimigo. E mais estranho ainda quando chamamos essa guerra de autocuidado.
Fairyington pensa nisso enquanto cria a filha pré-adolescente. Ela se incomoda ao ver a menina encantada com manicure e compras. Teme a objetificação precoce. Ao mesmo tempo, sente orgulho quando a beleza convencional da filha é admirada. Contradição humana, né? A autora sabe que a aparência abre portas, facilita oportunidades e produz o tal “efeito halo”, que faz pessoas bonitas parecerem também mais inteligentes, talentosas e capazes. Não é pouca coisa. A beleza tem valor social. E justamente por isso é tão difícil abrir mão dela.
O mercado movimenta centenas de bilhões de dólares graças a uma ideia muito eficiente: você ainda não está pronta. Sempre haverá mais uma coisa para levantar, apagar, preencher, reduzir. A insatisfação não é um efeito colateral. É o produto.
Desistir, nesse caso, não significa abandonar o prazer de se cuidar, de pintar as unhas ou de gostar do espelho. Significa apenas recusar a obrigação de transformar a própria carcaça num projeto sem fim — e tentar, talvez, usar o tempo para ler, escrever, criar os filhos. Ou para qualquer coisa que dê alegria de verdade. O mundo lucra com a nossa inadequação, portanto aceitar o próprio rosto pode ser uma forma rara de independência.
Desligar é preciso / Fotos: Canva.com
SEM FUNÇÃO
Você ganha uma hora livre. Uma hora inteira, dessas que deveriam chegar com silêncio, sofá e nenhuma obrigação. Mas basta olhar para o espaço vazio na agenda e a cabeça começa a trabalhar: responder aquele e-mail, adiantar uma tarefa, organizar a próxima semana. O descanso mal entrou pela porta e já recebeu uma lista de afazeres — que loucura.
Li na The Atlantic uma reflexão muito boa sobre a nossa dificuldade de praticar o lazer de verdade. Não o descanso disciplinado, com horário para começar, aplicativo para medir e objetivo a cumprir. O outro, aquele que não produz nada, não melhora currículo, não fortalece músculo e não rende uma nova versão de nós mesmos.
Porque foi isso que fizemos com o tempo livre: transformamos tudo em projeto. A caminhada precisa contar como exercício. O passatempo deve ensinar uma habilidade. As férias servem para recarregar as baterias, expressão bastante reveladora, aliás, porque até quando paramos continuamos nos tratando como máquinas que precisam voltar ao trabalho com desempenho renovado. O lazer ganhou meta, método e avaliação de resultado. Perdeu justamente a graça.
O mais perverso é que a rotina profissional já não termina quando o expediente acaba. A lógica do trabalho se espalhou pelo resto do dia e ocupou até o sofá. Ficamos procurando uma utilidade para cada minuto, como se o tempo tivesse de apresentar recibo. E, quando não encontramos, aparece a culpa. Aquela voz incômoda perguntando por que estamos ali, parados, enquanto existe tanta coisa que poderia ser feita.
O descanso não precisa funcionar como um truque para aumentar a produtividade. Ele não é uma etapa secreta do trabalho. Não precisa nos deixar mais criativos, mais focados, mais eficientes. Pode apenas existir. Parece pouco, mas é quase uma pequena revolução. Talvez o verdadeiro ócio seja difícil justamente porque nos obriga a abandonar, ainda que por alguns instantes, a personagem eficiente que aprendemos a interpretar tão bem. Sem tarefa, sem resultado e sem testemunha, sobra apenas a gente e o tempo passando. Dá um certo desconforto. Depois, quem sabe, um alívio. E mesmo um progresso
Num contexto que exige performance até de quem está deitado, que tal deixar uma hora vazia continuar vazia? Sem culpa. Sem plano. Sem precisar explicar para ninguém, nem para nós mesmos. Que delícia…
A felicidade anda dando um trabalho danado. Não basta estar bem. É preciso parecer animado, ocupado, interessado, disponível. Agenda cheia. Celular ligado. Uma série para assistir, um jantar para marcar, uma novidade para comentar. Qualquer coisa, desde que o silêncio não consiga entrar pela porta.
Segundo uma reflexão da The School of Life, criada pelo filósofo Alain de Botton, existe até um nome para essa correria emocional: “manic happiness”, a felicidade maníaca. É aquela alegria meio ofegante, que precisa ser alimentada o tempo inteiro porque, se parar por alguns minutos, talvez encontre uma tristeza sentada no sofá. E ninguém quer olhar para ela, né?
O mais curioso é que essa fuga pode vestir roupas muito respeitáveis. Não estamos falando apenas dos excessos mais óbvios. A gente pode se esconder na comida, na academia, no trabalho, nas séries, na jardinagem, nos filhos e até no voluntariado. Atividades ótimas, claro. O problema começa quando elas deixam de ser escolhas e viram esconderijos. Quando não fazemos algo pelo prazer de fazer, mas para não escutar aquilo que está pedindo atenção por dentro.
Só que sentimento guardado não desaparece. Ele apenas muda de endereço. Pode ir parar no corpo, num gesto nervoso, numa irritação sem explicação. Pode crescer em silêncio até virar colapso. A mente é péssima em guardar segredos de si mesma. A gente empurra a tristeza para debaixo do tapete e depois se surpreende ao tropeçar nela.
O texto propõe uma pergunta bastante simples. E perigosíssima: “Se eu não pudesse estar feliz agora, pelo que precisaria estar triste?”. Que exercício extraordinário! Porque tira a obrigação da alegria por alguns instantes e abre espaço para a verdade. Talvez exista um amor que acabou e não foi chorado. Um trabalho que perdeu o sentido. Uma dor antiga que ficou esperando enquanto a vida seguia, cheia de compromissos e notificações.
Há uma coragem enorme em parar. Em não preencher imediatamente o vazio. Em admitir que alguma coisa doeu, ainda dói ou talvez doa por muito tempo. Isso não é desistir da felicidade. Ao contrário: é parar de exigir que ela faça plantão 24 horas por dia.
Quando há paixão por performance, talvez a tristeza seja uma das últimas experiências que ainda não conseguimos transformar em espetáculo. Ela pede recolhimento. Honestidade. Tempo. Três luxos raríssimos. E talvez seja justamente por isso que ter coragem de sentir o que precisa ser sentido seja tão libertador. Chorar, às vezes, não é cair. É finalmente parar de correr.
Na base do vento a favor… / Fotos: reprodução Instagram
ÁGUAS LIBERADAS
Cruzeiro no Mediterrâneo costuma trazer à cabeça uma imagem bem comportada: espreguiçadeira, jantar com hora marcada, música suave e gente observando o horizonte com um drinque na mão. Pois uma viagem inaugural da empresa inglesa Killing Kittens resolveu jogar esse roteiro ao mar. A marca, voltada ao empoderamento feminino, reuniu 630 passageiros num navio entre Barcelona, Mônaco e Itália para uma semana em que o prazer não ficava escondido nas cabines: virou programação oficial.
Nessa festa, homens solteiros não eram aceitos. Só embarcavam casais e mulheres desacompanhadas. E havia uma regra ainda mais importante: qualquer aproximação deveria começar por elas. Pode parecer apenas um detalhe de etiqueta, mas é justamente aí que a história muda de figura. Num mundo em que tantas mulheres aprenderam a administrar o desejo alheio antes mesmo de entender o próprio, colocar a iniciativa feminina no centro não é pouca coisa.
A fundadora da Killing Kittens percebeu que faltavam ambientes onde mulheres pudessem experimentar a intimidade sem carregar aquela mala invisível do julgamento. E o navio foi reorganizado para dar forma a essa ideia. A programação também tinha uma mistura deliciosa de resort, congresso e filme de Fellini. Era possível começar o dia numa aula de ioga e seguir para um workshop de pole dance. Até os corredores ganharam uma linguagem própria: adesivos de abacaxi nas portas das cabines indicavam casais abertos a novas interações.
Mas, de acordo com a reportagem do The Times, apesar do cenário, o que mais se viu não foi descontrole, mas conversa. Gente dizendo o que queria, o que não queria e até onde pretendia ir. Limites claros. Consentimento. Respeito. Talvez mais comunicação do que em muito casamento aparentemente convencional. A gente ainda fala de sexo de um jeito curioso. Ou com moralismo, ou com uma falsa desenvoltura que tenta transformar tudo em performance. No meio dessas duas águas, quase nunca sobra espaço para a honestidade. Para admitir desejo sem obrigação. Para experimentar sem se explicar. Para mudar de ideia.
No fim, o mais provocador naquele navio talvez fosse a ausência de disfarce. Ninguém precisava fingir que não queria, fingir que queria ou representar um papel para agradar aos outros. Cada pessoa parecia autorizada a dizer sim, não ou talvez, e continuar circulando pelo convés sem virar assunto do tribunal moral alheio. Num tempo em que todo mundo tem opinião sobre a vida íntima de todo mundo, criar um lugar regido pela franqueza e pelo consentimento é um grande progresso. O luxo ali não era navegar pelo Mediterrâneo. Era poder existir sem tanta vergonha, tanta encenação e tanta regra inventada pelos outros. Apenas existir.
Ilustração: Maria Eugenia
VAZAMENTO AFETIVO
Traição sempre pareceu uma palavra grande. Dramática. Com porta batendo, mala no corredor e alguma prova irrefutável esquecida no celular. Mas existe uma versão muito mais discreta. Não chega a produzir escândalo, talvez nem renda uma confissão. Ainda assim, muda a temperatura de uma relação. É o chamado “micro-cheating”, ou microtraição, que retrata as novas fronteiras da infidelidade.
A expressão pode soar como invenção de uma época que adora dar nome a tudo. Só que a sensação é antiga. É aquele instante em que nada aconteceu, oficialmente, mas alguma coisa saiu do lugar: um olhar, uma risada ou um toque sem intenção sexual podem ganhar uma intimidade que já não parece tão inocente. O problema não está exatamente no gesto. Está na energia depositada nele.
E energia, convenhamos, é difícil de colocar no banco dos réus. Como reclamar de uma playlist? Não é uma declaração de amor, não é uma carta escondida, não é sequer uma fita cassete gravada durante a madrugada. É só uma seleção de músicas no Spotify. Mas, quando alguém escolhe cada faixa imaginando que outra pessoa vai ouvir e pensar nela, a coisa muda de figura. Há ali tempo, atenção e uma delicadeza cuidadosamente direcionada. Pequena? Talvez. Irrelevante? Nem sempre.
O mesmo vale para certas intimidades domésticas. Duas pessoas lavando a louça juntas, num ritmo perfeito, antecipando os movimentos uma da outra. Ou aquela concordância animada sobre quais tomates comprar durante uma viagem. Parece banal. E é justamente por isso que pode ser tão revelador. A intimidade raramente entra na sala usando salto alto e anunciando a própria chegada. Às vezes, aparece segurando um pano de prato.
As mensagens também têm sua própria geografia moral. Pedir a receita de um prato especial ou o telefone de um encanador pertence ao mundo prático, sem grandes emoções. Já uma conversa longa sobre um filme, cheia de piadas internas, observações cuidadosas e aquela vontade de prolongar o assunto, começa a ocupar outro território. Não porque falar de cinema seja uma traição, claro. Mas porque certos diálogos funcionam como salas secretas. E o problema da sala secreta não é o assunto: é quem ficou do lado de fora.
Um namorado sentado diante do provador, opinando sobre as roupas experimentadas por outra mulher. Aquele homem que oferece o casaco para uma colega bonita que sentiu frio, enquanto a pessoa ao seu lado vai ganhando a transparência emocional de um vaso. Ou a memória surpreendentemente eficiente para guardar que uma conhecida detesta caranguejo e ama Harry Styles, combinada ao esquecimento do próprio aniversário de casamento. Nada disso, isoladamente, parece suficiente para uma acusação. Mas é bem aí que mora o desconforto. A microtraição transforma a intuição de quem percebe em exagero. A pessoa vê, sente, registra, mas logo se pergunta se não está sendo insegura, ciumenta ou dramática. Afinal, ninguém beijou ninguém. Ninguém passou a noite fora. Ninguém deixou um recibo comprometedor no bolso. Só houve aquele olhar um pouco demorado. Aquela risada melhor do que as outras. Aquela expressão de encantamento que diz, sem dizer: essa pessoa me entende.
É fácil acreditar que fidelidade se resume ao corpo. Mais difícil é perceber quando o interesse começou a fazer as malas. Quando os melhores comentários, as risadas mais generosas e a disposição mais delicada passaram a ser oferecidos em outro endereço. Não existe régua universal para medir isso. Cada casal conhece seus acordos, seus limites e suas próprias zonas de sombra. Mas fingir que apenas o ato consumado importa é uma forma muito conveniente de inocência.
A questão, com certeza, não seria vigiar cada mensagem, cada playlist ou cada casaco oferecido. Controle absoluto não protege relação alguma. Só cansa. O que protege é outra coisa, bem menos tecnológica e muito mais difícil: honestidade para reconhecer onde estamos colocando a nossa energia. Dedicar o olhar mais interessado a quem escolhemos talvez seja um gesto radical. E dos mais elegantes.
Muita gente de férias pelo Mediterrâneo, mas tem muita gente que prefere as temperaturas mais frias nesta época do ano, como por exemplo, as belezas naturais da América do Sul ou mesmo as montanhas mais charmosas do Brasil. Fiz uma seleção, circulando pelas vitrines do Iguatemi, que eu amaria levar para um roteiro desses. Que frio gostoso!
Na montagem acima, imagem de Mark Rothko, "Orange over Violet", 1968
1 - Para não se deixar abater pela temperatura externa, essa jaqueta matelassé de tweed da Moncler é o ideal
2 - Para os rapazes, essa mochila da Prada com essa mistura de tons… Como não amar?
3 - Para se proteger do sol do inverno, o chapéu da The North Face cumpre muito bem sua função
4 - Para as noites mais frias, que delícia estar envolvida com essa estola Saint Laurent…
5 - Na volta para casa depois de um dia de aventuras, o tradicional mocassim de camurça da Tod’s traz aquele conforto que os rapazes merecem
Foto: Matheus José Maria/Divulgação
3 perguntas para
Luiz Galina chegou ao Sesc em 1968 e, desde então, sua trajetória passou a se confundir com a própria história da instituição. Ele começou como orientador social, ocupou diversas funções ao longo de décadas e, ao lado de Danilo Santos de Miranda, grande referência dessa instituição, morto em 2023, ele ajudou a consolidar uma visão ampliada de cultura integrada à cidadania. Hoje, como diretor regional do Sesc São Paulo, Galina conduz uma instituição que chega aos 80 anos sem se permitir envelhecer. Em um país atravessado pela desigualdade e pela polarização, seu desejo é que o Sesc continue sendo aquilo que talvez o Brasil mais precise recuperar: um espaço onde as diferenças possam se encontrar, os desacordos permaneçam civilizados e cada pessoa seja reconhecida como protagonista de direitos, saberes e dignidade.
1. Você entrou no Sesc em 1968, quando a instituição ainda tinha outra escala: em que momento percebeu que aquele trabalho poderia atravessar uma vida inteira?
Acho que essa percepção veio aos poucos. Primeiramente, quando a instituição foi me dando mais atribuições, me descortinando as possibilidades de ação nos territórios e investindo na minha qualificação. A cada novo desafio, eu fui entendendo que esse era o lugar em que eu queria estar, porque poderia contribuir para transformar a vida das pessoas e, até certo ponto, da sociedade. O que faz a gente permanecer na instituição são os desafios e as pessoas que estão conosco enfrentando contextos positivos, e outros mais contraditórios.
Uma característica do trabalho no Sesc é que ele é coletivo e compartilhado entre muitas mãos, corações e mentes. A instituição busca dar respostas inovadoras para demandas do seu público prioritário e da sociedade em geral e, como essas dinâmicas mudam cada vez mais rápido, precisamos continuar propondo abordagens e experiências transformadoras para as pessoas. Vou dar um exemplo: antigamente, a questão étnico-racial aparecia de maneira mais discreta na nossa ação cotidiana, e hoje ela se estabeleceu como uma prioridade absoluta. É impossível pensar o Brasil do futuro sem abordar essa questão com seriedade. Me sinto desafiado a enfrentar esse contexto e colaborar para a minimização de desigualdades sociais por meio da atuação do Sesc. Isso me estimula e me surpreende todo dia, inclusive porque eu também sou instigado a me atualizar.
2. Depois de ser o braço direito de Danilo Santos de Miranda durante tantos anos — ele que talvez tenha sido o grande arquiteto do Sesc contemporâneo —, o que você carrega como ensinamento e o que entende que precisa transformar para que a instituição continue viva?
Para além da relação profissional, o Danilo foi um amigo e provocador. Ele conseguiu imprimir características marcantes ao trabalho desenvolvido pelo Sesc, aglutinando em torno dele os melhores profissionais. Com isso, e o apoio incondicional do Dr. Abram Szajman, presidente da Fecomércio SP e dos Conselhos do Sesc e do Senac, e das demais pessoas integrantes do Conselho Regional do Sesc ao longo deste período, pôde consolidar uma proposta centrada nas pessoas, por meio de uma noção de educação e cultura como faces da mesma moeda e vetores de uma cidadania plena.
O conceito ampliado de cultura é o que nos possibilita ofertar as mais diversas vivências para as diferentes pessoas que se encontram e interagem em nossos espaços culturais, esportivos e de lazer. Chegamos em um modelo de partido arquitetônico e programação de atividades que são fruto desses 80 anos de iniciativas propositivas, essencialmente em sintonia com as demandas e necessidades do nosso público prioritário e da sociedade. Contudo, o que nos dá segurança para seguir liderando nossas equipes no dia a dia é o respaldo que recebemos das lideranças empresariais do setor que são as vozes que representam as empresas que contribuem para a permanência de nossas atividades.
3. Depois de tanto tempo ajudando a construir o Sesc, o que o você ainda gostaria que a instituição ensinasse ao país?
Em tempos de polarização que dificulta o diálogo, um dos possíveis aprendizados que o Sesc pode oferecer ao país é continuar sendo um lugar de acolhimento e respeito a todas as pessoas, independente de raça, gênero, condição social e hábitos, onde as pessoas de todas as faixas etárias possam conviver e compartilhar seus saberes e fazeres, reconhecendo-se como protagonistas plenos de direitos e dignidade.
Talvez a gente possa ter orgulho de ser brasileiro pelos aspectos que nos tornam únicos no mundo, mesmo sendo tão diversos dentro do nosso país. Creio que ambicionar a harmonia entre as pessoas, respeitando os dissensos civilizados, por meio de uma obra educativa profunda – é isso que recomendava o nosso documento fundamental, a Carta da Paz Social, de 1946 – seja um propósito a ser perseguido por uma instituição sociocultural como o Sesc, mesmo que haja inúmeras questões sensíveis que precisam permanentemente ser enfrentadas.
Saí de um calor horroroso em Lisboa para um clima fresco no litoral do Alentejo: que delícia
Perdi a estreia do espetáculo de Regina Casé e Estevão Ciavatta em São Paulo: foi na quinta-feira, e “Viva! Vida!” chega do Rio cheia de elogios — tem direção também de Daniela Thomas e vai até dia 2 de agosto
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Acompanhei Harry Styles fazer história em Wembley: conquistou um Guinness World Record ao se tornar o artista solo com a maior sequência de shows no estádio, com 12 apresentações esgotadas, isso antes de seguir com a turnê rumo ao Brasil
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Tomei banhos de mar inesquecíveis nas águas claras, geladas e mágicas na praia do Carvalhal — considero esse o melhor momento para orações e meditações
Dei um rápido passeio pelos jardins do hotel Quinta da Comporta — que lindos e bem cuidados
Repeti um programa roots do ano passado: fui até Carrasqueira, no restaurante Retiro do Pescador, para comer um inesquecível arroz de camarão
Descobri que o Museu de História Natural de Londres promove o “Dino Snores for Grown Ups”, uma noite em que adultos podem dormir entre os dinossauros, assistir a uma maratona de filmes, participar de jogos de tabuleiro, bingo e outras atividades, depois do museu fechar — a experiência custa a partir de £230 por pessoa
Acompanhei, todos os dias, o pôr do sol mágico daqui
Vi que os “wellness dates” estão transformando os encontros amorosos: em vez de um drink no bar, casais têm trocado o primeiro encontro por aulas de yoga, sessões de sound healing e até sauna: a ideia é diminuir a pressão, criar uma conexão mais autêntica e integrar o bem-estar à vida afetiva desde o início
Amei que a Chanel transformou o desfile de alta-costura em um ateliê vivo: enquanto as modelos cruzavam a passarela, o artista Joel Blanc pintava, em tempo real, looks da coleção
Me encantei com umas sandálias tipo babuches da marca Alanui: amei tudo que vi deles
Reforcei minha opinião de que a portuguesa Paula Amorim é uma das pessoas que mais entendem de luxo de verdade no mundo: a curadoria das coisas de casa e decoração de sua loja Fashion Clinic é única, mega sofisticada
Comprei um chapéu para me proteger do sol daqui numa das lojas mais charmosas do
Fiz visitas diárias à Mercearia Gomes, a pequena loja onde tem tudo do bom e do melhor por aqui, dirigida por Carlos Gomes: é um sucesso internacional
Conheci, no domingo passado, na plateia de Wagner Moura em Lisboa, uma estilista do Cabo Verde: Margarida. Gostei muito dela. Sempre fui atraída por tudo que acontece por lá e, ainda de carona na inesquecível performance do time deles na Copa, escolhi esse video de Soraia Ramos, uma cantora e compositora local, para celebrar o dia de hoje.
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