A importância de ter um propósito, a relevância das cores e a marca de cada um de nós: estamos juntos?

Escrevo este texto recém-saída de uma conversa que celebrou os 70 anos de “Grande Sertão: Veredas” e os 20 anos do Museu da Língua Portuguesa. Assisti a Socorro Acioli, escritora brasileira que admiro demais, falando de Guimarães Rosa com outro escritor de primeira, Jeferson Tenório. Que sorte a minha viver neste tempo, nesta cidade onde esse museu, num espaço revisitado por Paulo Mendes da Rocha, é um verdadeiro orgulho, bem em frente à Pinacoteca. Me senti muito privilegiada não só por ter essa oportunidade, mas por aproveitá-la. Por ter uma alma que respira cultura. Isso veio na cola de uma sexta-feira que marcou minha história profissional: fui falar OAB-SP, a Ordem dos Advogados de São Paulo, sobre os desafios de ser mulher, para uma plateia lotada de advogadas de todas as idades. Esse convite me deixou muito orgulhosa de tudo que construí na vida. Falei de improviso, respondi perguntas, me emocionei. Também me diverti, quase chorei e, no final, fui aplaudida de pé. Quando saí de lá, não sabia onde colocar tanta emoção. Guimarães Rosa, Socorro Acioli, eu nisso tudo… E ainda me lembrei da declaração que ouvi da cantora Anitta, sobre ter escolhido voltar a viver no Brasil: ela disse que foi por causa dos almoços em família aos domingos, que ela gostava muito e não queria se privar disso. Noves fora, todas essas sou eu.


OSTENTANDO A VERDADE

Tenho pensado que o luxo de verdade hoje em dia não é o que aparece numa bolsa, num jatinho ou numa viagem pelo Mediterrâneo muito bem fotografada: hoje, conseguir trabalhar sabendo o porquê de nossas escolhas é que virou um luxo. Ter propósito parece simples, mas é bem raro. Principalmente para quem vive de criar.

Propósito também não vem pronto, embalado numa caixinha para durar a carreira inteira. Ele muda porque a gente muda. Aprende uma coisa, abandona outra, descobre novos interesses, revê aquilo em que acreditava. E o trabalho, quando está vivo, acompanha esse movimento. Quando perde esse fio condutor, pode continuar bonito, correto, até bem executado e muito bem remunerado, mas alguma coisa começa a faltar. E quem está do outro lado percebe.

Por isso, me dá uma certa preguiça essa corrida para agradar o algoritmo. Tudo precisa render, performar, gerar comentário, compartilhamento. A tendência da vez aparece e, de repente, todo mundo está fazendo a mesma coisa. Pode funcionar naquele momento. Só que tendência passa depressa e, quando o trabalho foi feito apenas para pegar carona nela, sobra pouco depois que a onda vai embora.

Quem cria sabe reconhecer essa sensação. Tem o trabalho que parece nosso e tem aquele que saiu meio no automático, pensado para cumprir uma expectativa externa. Acho curioso como a gente percebe a diferença quase fisicamente. Um dá prazer, curiosidade, envolvimento. O outro começa a ficar chato antes mesmo de ficar pronto.

E é aí que entra o cansaço. Tenho a impressão de que parte do esgotamento criativo aparece quando o trabalho perde o significado. Claro que ninguém precisa produzir cinquenta coleções por ano para provar paixão pelo que faz. Mas existe
uma diferença enorme entre estar cansada fazendo algo em que acredita e estar cansada tentando alimentar uma máquina
em andamento.

Quando o sentido está presente, acontece aquela coisa maravilhosa, o chamado state of flow. Você entra no trabalho e vai. No meio de tanta gente tentando parecer relevante, preservar uma razão pessoal para fazer o que se faz ficou cada vez mais difícil. Propósito não aparece nas métricas, não garante a foto mais bonita e provavelmente não cabe num relatório de desempenho. Mas é justamente o que faz a gente reconhecer quando um trabalho tem alguma coisa de verdade ali dentro. E isso, com certeza, se torna bem mais interessante e satisfatório do que qualquer número no feed.


A REVOLUÇÃO DAS CORES

Outro dia me dei conta de como tudo ao redor parece ter entrado na mesma cartela de cores. Carros, prédios, sofás, cozinhas e roupas aparecem cada vez mais bege, branco e cinza, com alguma variação acinzentada no meio para fingir diversidade. Li uma reportagem na The Atlantic sobre essa espécie de recessão das cores e fiquei pensando: quando foi que ficamos com tanto medo de colorir o mundo à nossa volta?

Segundo a revista, os carros novos em tons neutros passaram de 60% em 2004 para 80% em 2023. E a tendência continua: a Pantone escolheu para 2026 o branco “Cloud Dancer”. A Sherwin-Williams, uma conhecida marca de tintas, foi de “Universal Khaki”, esse encontro meio sem graça entre bege e cinza. Nada contra o cinza, coitado, mas alguma coisa aconteceu quando a neutralidade passou a ser a escolha automática.

Talvez a explicação esteja no medo de errar. Compramos uma casa já pensando em quem vai comprá-la depois. Escolhemos o sofá imaginando se ele vai cansar. Pintamos as paredes pensando no próximo morador. E assim vamos vivendo cercados por escolhas feitas para uma pessoa que ainda nem conhecemos e, na verdade, nem sabemos se ela existe de fato. A reportagem chama isso de “HGTV-ificação” da casa: ambientes cada vez mais seguros, editados e preparados para agradar ao maior número
possível de pessoas.

O engraçado é que cor já significou poder, dinheiro, extravagância. Teve um tom de púrpura tão raro que o imperador Calígula chegou a mandar matar por causa dele. George Washington escolheu um verde-azulado caríssimo para sua sala de jantar em Mount Vernon. Nos anos 1920, as ruas nas cidades norte-americanas eram muito mais vibrantes. No pós-guerra, combinava-se sapato, chapéu e até fachada da casa. Parece que era outro planeta.

Mas agora, tudo indica que estamos vivendo uma estética feita para evitar arrependimentos. E isso diz bastante sobre nós. Estudos citados pela The Atlantic mostram que cores quentes podem trazer alegria e calma, enquanto ambientes excessivamente cinzentos provocam fadiga e tédio. Mesmo assim, seguimos escolhendo o neutro porque parece seguro, vendável e difícil
de dar errado.

Atenção: gostaria de deixar claro que eu não me incluo nessa onda, tenho uma alma barroca e bastante animada em termos de cores…

E, no meio da reportagem, aparece uma advogada aposentada que resolveu pintar o hall de entrada de laranja e descobriu que aquele pequeno atrevimento lhe dava alegria todos os dias. Gostei demais. Principalmente porque existe alguma coisa deliciosa em olhar para uma parede e perceber que ela foi escolhida por quem mora ali agora, sem grandes preocupações com um hipotético comprador daqui a dez anos. Cor tem a ver com gosto, personalidade, humor. E, convenhamos, já temos cinza suficiente espalhado pelo mundo…

A CORRIDA ATRÁS DO PAR PERFEITO

Tem uma frase que as mulheres bem-sucedidas do Vale do Silício repetem sobre a vida amorosa por lá: “The odds are good, but the goods are odd” — ou seja, as chances de encontrar alguém são boas, mas o material disponível é bem esquisito. Achei ótima. E lembrei dela ao ler uma reportagem da revista americana The Cut sobre um mercado que anda crescendo justamente em torno dessa dificuldade: o das agências de encontros de luxo.

Os valores impressionam. Mulheres ricas, independentes e muito bem-sucedidas chegam a pagar de 35 mil a 150 mil dólares para que alguém encontre um parceiro para elas. E houve uma inversão curiosa nesse negócio. Durante muito tempo, o imaginário do matchmaking era o do homem rico procurando uma mulher jovem. Agora, boa parte da procura vem delas: executivas, empreendedoras, mulheres que chegaram ao topo da carreira e desistiram de passar noites deslizando perfis nos aplicativos.

O problema começa quando a régua entra na sala. Algumas dessas mulheres procuram alguém com o mesmo nível de sucesso, dinheiro, repertório e estilo de vida. De saída — calculam as próprias casamenteiras — isso elimina algo perto de 95% dos homens disponíveis. Para encontrar os que sobraram, a busca ganhou ares de recrutamento executivo, tipo headhunter. Tem profissional passando horas no LinkedIn atrás de médicos, advogados e empresários, examinando redes sociais, fazendo checagem de antecedentes e, em alguns casos, colocando um acordo de confidencialidade na mesa antes mesmo do primeiro café. De romântico, sobra pouco.

E ainda pode ficar mais complicado. Uma cliente queria um homem com fortuna de oito dígitos, determinada altura, que viajasse apenas de jatinho particular, aceitasse seus filhos e ainda quisesse ter mais. Resolveram perguntar ao ChatGPT quantos homens assim existiriam. A resposta foi 180 no mundo. Nesse ponto, o amor começa a parecer uma edição limitadíssima. E não deixa de ser engraçado…

Claro que dinheiro compra uma busca sofisticada. Compra pesquisa, tempo, discrição, filtros e acesso. Só não consegue garantir aquela parte irritantemente imprevisível da história: gostar de alguém.

Quanto mais possibilidades temos de filtrar, selecionar e investigar, mais tentadora fica a fantasia de que a pessoa certa pode ser encontrada a partir de especificações muito precisas, que incluem altura, patrimônio, profissão, aparência e estilo de vida. A lista vai crescendo até que estamos procurando alguém que talvez exista apenas em nossa imaginação, em nossos sonhos.

Exigência é importante, especialmente para mulheres que passaram anos construindo a própria vida e não querem diminuí-la para acomodar um relacionamento. Mas existe uma distância interessante entre saber o que se quer e tentar eliminar o fator surpresa. Concorda?

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AH, O AMOR…

A dificuldade com certeza não é só entre as mulheres do Vale do Silício. Tem também uma turma de solteiros aparentemente cansada de procurar amor. Ou, melhor dizendo, cansada de tudo o que a procura passou a exigir: aplicativo, conversa, encontro, outro encontro, expectativa, decepção e tudo outra vez. Segundo o The New York Times, algumas pessoas resolveram colocar essa energia em outro lugar: aulas de dança, de xadrez, boxe, cerâmica, tricô, remo, panificação. Batizaram o movimento de hobbyamory.

Depois de uma década em que encontrar alguém virou quase uma segunda jornada de trabalho e ganhou até planilhas, talvez estivesse mesmo faltando um pouco de recreio. Tudo ganhou cara de agenda, inclusive o romance. Enquanto isso, cresceram na internet o hobbymaxxing, essa vontade de colecionar passatempos, e as chamadas side quests, pequenas aventuras paralelas à rotina. Há alguma coisa de muito gostosa em fazer algo sem imaginar onde aquilo vai dar.

Teve gente que percebeu que os dias estavam automáticos demais e montou uma semana quase extracurricular: salsa na segunda, xadrez na terça, boxe na quarta. O xadrez acabou ensinando estratégia e responsabilidade. Outros trocaram parte das noitadas por aulas de DJ, caligrafia japonesa, genealogia, tricô e crochê. E, no final, quando terminam uma peça feita com as próprias mãos, sentem uma satisfação que talvez seja difícil encontrar deslizando o dedo por mais um perfil.

O curioso nos hobbies é que eles dispensam essa sensação permanente de estar sendo escolhido. Você chega, faz, erra, aprende, volta. Pode ficar boa ou continuar péssima, tanto faz. Pode desistir e começar outra coisa. Não tem algoritmo calculando compatibilidade nem aquela estranha sensação de estar sendo avaliada enquanto toma um drink. Às vezes acontece até aquele estado de fluxo em que a cabeça finalmente fica
quieta — e relaxa, feliz…

A reportagem traz também uma reflexão relevante: procurar um parceiro com fome demais costuma dar ruim. Melhor chegar à mesa já alimentada pela própria vida. Faz sentido e talvez dê para continuar querendo encontrar alguém sem organizar a existência inteira em torno dessa espera.

Durante muito tempo nos venderam a ideia de que estar só era uma espécie de sala de espera do embarque, um lugar provisório onde se fica até a vida “de verdade” começar. Um erro estratégico, porque dá para pintar, remar, dançar salsa, aprender xadrez, assar pão e ainda se apaixonar pelo caminho. E, se o romance demorar um pouco mais para acontecer, pelo menos tem muita coisa boa para fazer durante o caminho.


PAUSA PARA A RECUPERAÇÃO

Havia alguma coisa deliciosamente despretensiosa na internet antiga. A gente postava porque sim: tinha foto ruim, almoço, reclamação, tédio, um dia péssimo. Vinte anos depois, aprendemos tudo sobre filtros, comparação e vidas editadas. Só que, no caminho, parece que criamos uma regra ainda mais curiosa: sofrer pode. Contar enquanto estamos sofrendo é que ficou meio proibido.

A vulnerabilidade ganhou timing, roteiro e assessoria de imprensa. Podemos falar do divórcio quando já estamos bem, da doença quando o tratamento acabou, da crise depois que apareceu uma solução. A dor precisa chegar ao público devidamente embalada, com começo, meio, fim e alguma frase tranquilizadora dizendo que seguimos fortes.

Talvez isso tenha relação com a ideia de que cada um de nós virou uma pequena empresa. E isso começou em 1997, quando um consultor chamado Tom Peters publicou na revista Fast Company o ensaio "A Brand Called You" — ou "Uma Marca Chamada Você" — defendendo que trabalhadores deveriam pensar em si mesmos como marcas. Inicialmente, essa proposta causou estranheza. Hoje, “personal branding” faz parte da paisagem. A crise financeira de 2008 só apertou esse parafuso: diante do desemprego e da insegurança, muita gente passou a vender uma imagem permanente de competência, sucesso e controle. Até a falsa modéstia virou recurso de autopromoção.

Mas o teste de fogo definitivo dessa "saúde" digital é a nossa conta bancária: a internet aceita qualquer tipo de pessoa, menos quem está sem dinheiro ou sem opções. O medo de parecer "fracassado" ou uma "piada" fala mais alto.

O que me pega nisso é perceber como fomos ficando sem linguagem para o meio do caminho. Sabemos anunciar a conquista. Sabemos contar a superação. Mas o que fazemos com a fase confusa, aquela em que ninguém sabe ainda se vai dar certo? Com o cansaço que não traz aprendizado? Com o mês que simplesmente não fechou? Com a tristeza que ainda não encontrou uma boa frase? — coisas que todo mundo passa, mesmo não compartilhando.

Talvez por isso tanta coisa nas redes pareça hoje um comunicado ao mercado. Estamos sempre dizendo aos nossos pequenos acionistas imaginários que tudo segue conforme o planejado. Só que ninguém vive assim. Há dias em que a vida está ótima. Há outros em que falta dinheiro, sobra dúvida, o trabalho cansa e não existe lição nenhuma pronta para postar.

A gente gasta uma energia colossal editando as nossas vidas para caber num ideal corporativo de sucesso inabalável, fingindo que a otimização é um dever diário. Descobrir que o antídoto para essa exaustão de aparências não é a perfeição de uma marca intocável, mas sim ter a intuição e a coragem de simplesmente admitir que estamos cansados, perdidos ou com as finanças no vermelho, é um respiro reconfortante. E necessário, também.

Desejos de consumo

Ao fazer minhas escolhas esta semana pelos corredores do Iguatemi, pensei naquela mulher que trabalha o dia inteiro e antes de voltar para casa ainda tem uma reunião fora, um coquetel, um lançamento ou mesmo um jantar. Mas nem por isso precisa perder a elegância. Certo?

1 - Esse conjunto da A Niemeyer tem jeito de alfaiataria, mas garante conforto suficiente para uma longa jornada

2 - Que tal garantir também o requinte com esse scarpin slingback da Saint Laurent?

3 - A bolsa Valentino nesse tom manteiga, da nova coleção, vai da manhã à noite com a maior desenvoltura

4 - A pulseira recém-criada por Ara Vartanian, em colaboração com Hélio Ascari, tem fios de couro e pode ser usada tanto por homens quanto por mulheres: uma coisa
tribal e diferente,
com edição limitada

5 - Esses óculos da Prada dão o toque de modernidade para o conjunto da obra: armação enorme, de tartaruga, e lentes levemente coloridas


3 perguntas para

Fernanda Brenner não planejava fundar uma instituição quando entrou, em 2011, em um espaço vazio há mais de duas décadas no Edifício Copan. Trabalhava com cinema, ainda não se definia como curadora e imaginava uma ocupação de apenas três meses. Quinze anos depois, aquele experimento se tornou o Pivô, plataforma autônoma de arte contemporânea da qual Fernanda é fundadora e diretora artística. Ao longo desse percurso, o Pivô deixou de ser apenas um endereço para se tornar uma rede de artistas, curadores, produtores e parceiros. Hoje, além do Copan, ela está em Salvador, com o Pivô Boulevard, e prepara lá também a abertura do Pivô Coaty, no ano que vem, em um espaço criado por Lina Bo Bardi. Aos 15 anos, a instituição atravessa um momento de expansão que também impõe novas perguntas sobre autonomia, permanência e sobre como crescer sem perder a capacidade de escuta e experimentação que marcou sua origem.


1. O que aquela Fernanda de 15 anos atrás acharia mais improvável no Pivô de hoje?

Aquela Fernanda tinha um plano de três meses. O espaço estava vazio há anos; era grande demais para qualquer coisa que ela soubesse fazer, e a ideia era ocupar, ver o que acontecia, aceitar que aquilo terminasse. O que eu acharia mais improvável é que inventar o modelo econômico do Pivô virasse parte do trabalho artístico, com o mesmo grau de invenção e a mesma exigência de forma que a gente aplica a uma exposição. Em 2011, eu tratava a sustentação como um assunto de outra ordem, uma condição externa impalpável. Quinze anos me mostraram que o modelo decide quanta liberdade um artista tem para experimentar. Programa e economia se escrevem juntos, e naquela época eu confundia um grau elevado de informalidade com experimentação, o que é um erro que quase todo projeto autônomo comete no início, e alguns não ultrapassam
essa etapa.

Ainda assim, Salvador teria sido o improvável absoluto. No início, o Pivô era, antes de tudo, um endereço: o edifício, o Copan, era o argumento. Demorei a perceber que o que realmente sustentava aquilo era um tecido de relações — artistas, técnicos, produtores, pessoas que retornavam ano após ano — e que esse tecido podia atravessar ruas, estados, oceanos. Agora, enquanto o espaço no Copan fecha para reforma e se prepara para uma nova versão dessa mesma trajetória, o Pivô segue funcionando plenamente em outros formatos e endereços, e talvez não haja prova mais concreta do que essa.


2. O que trabalhar fora do Brasil fez você enxergar sobre o sistema de arte brasileiro que talvez não percebesse daqui?

A experiência de trabalhar no Brasil e no exterior é, antes de tudo, a de ampliar o repertório. Sair da zona de conforto de um circuito já decifrado e precisar explicar o que faço para quem não compartilha os mesmos pressupostos afinou meu trabalho e o do Pivô. Aprendi métodos com instituições estrangeiras que talvez nunca tivesse encontrado aqui, mas também percebi, quase de imediato, que muito da inquietação e da urgência de produção que praticamos em São Paulo é singular e é onde aprendi a trabalhar.

De fora, o que salta aos olhos é a diferença nas condições. Muitas instituições com as quais tive contato funcionam porque têm chão, são beneficiárias de políticas públicas e de apoios privados que permitem planejar muitos anos para frente. No campo em que o Pivô atua, entre instituições autônomas de médio porte, esse "chão" nunca esteve garantido.


3. Como uma instituição nascida em São Paulo chega a outros locais — e como vocês têm pensado essa escuta nos outros territórios?

O Pivô nasce de uma pergunta recorrente. Como devolver ao uso público espaços de grande relevância arquitetônica e cultural que, por alguma razão, ficaram dormentes? O andar do Copan estava fechado há mais de vinte anos. A instituição nasce ali com um objetivo primordial: reabrir aquele espaço por meio de uma experiência de ocupação coletiva. Hoje não se trata de um programa formulado em São Paulo e replicado depois em outro território. Desde o início, o nosso foco é no método, e é ele que nos leva a Salvador, ao Boulevard, ao Coaty. Uma instituição que trabalha assim não pode chegar com um projeto pronto, porque o projeto é a própria pergunta sobre o que aquele contexto pede e sobre quem já está ali dentro e ao redor. Eu penso o Pivô como um dispositivo de escuta, com agilidade e margem de manobra para responder a um espaço, a uma situação e a um território, antes de pensar um programa. E isso tem uma consequência prática que a gente leva a sério: não ser extrativista.

Fomos para Salvador para ficar o ano inteiro e não apenas seguir programações turísticas ou sazonais. Chegamos com o intuito de somar conhecimento técnico, preencher lacunas apontadas pela própria cidade, criar possibilidades de intercâmbio e complexificar o conteúdo disponível ali. Salvador reformulou o pensamento institucional do Pivô, não o contrário.

Direto do meu Instagram

Essa Semana Eu…

Soube que o espetáculo “O Funcionário que Pede para Não Ser Identificado”, que Michel Malamed está fazendo em São Paulo, é excelente: quero ir


Amei assistir à Anitta e sua família, tão original, no Altas Horas


Fiquei feliz com a confirmação de que o SP2B vai acontecer novamente no ano que vem


Adorei as novas luminárias criadas pela Hermès, feitas com vegetais quase de verdade: cenouras, alhos-porós e rabanetes viraram esculturas de luz pelas mãos dos estúdios Flur London e Studio Boum


Vou me programar para visitar as obras de Luísa Matsushita expostas no Teatro Cultura Artística


Considerei totalmente inusitada a meditação postada pela Balenciaga no Instagram: que jeito mais incrível de abordar os clientes da marca


Fiz um programa duplo na sexta-feira: cocktail do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) no lindo apartamento de Rafael Moraes e, depois, Michel Alcoforado no teatro


Conheci a Carrega — liderada por Roberta Negrini — e me emocionei com o propósito por trás de cada peça: ela transforma resíduos têxteis em novas oportunidades para mulheres privadas de liberdade, em processo de ressocialização — e com isso transforma vidas!


Amei ver Bad Bunny levando sua beagle Sansa para um jantar italiano em Porto Rico depois de encerrar sua turnê mundial


Celebrei o sucesso da confeiteira Luiza Lafer e amei as jellys coloridas, chamadas de drinks comestíveis


Recebi em casa o novo livro de Carla Madeira, “Quando” — pronto para eu ler!


Registrei a volta de Karen Mulder, aos 57 anos, na capa da Vogue Alemanha: 30 anos depois de ter feito denúncias sobre abusos no mundo da moda — a famosa volta do cipó


Quero visitar a mostra da Luciana Brito Galeria: “Flores e Vasos”, com fotos de Rochelle Costi, Gaspar Gasparian e Robert Mapplethorpe


Tive o prazer de comemorar com Alessandra Daloia, Marcia Fortes e Alexandre Gabriel os 25 anos da galeria deles, uma noite encantada na Barra Funda, com mesas e arranjos lindos e convidados mega interessantes


Fiquei impressionada com as joias escolhidas por Georgina Rodríguez para seu casamento, todas da coleção “O Jardim de Kalahari”, da Chopard: um acontecimento


Vou celebrar num almoço no Maní Manioca a parceria da Dominique Maison de Beauté, que abre um spa em parceria com a marca Augustinus Bader, uma das mais reconhecidas do mundo


Descobri que as calças de moletom da Free City, febre nos anos 2000 entre Madonna, Gwyneth Paltrow e Miley Cyrus, voltaram com força nos Hamptons: com logos nada discretos, elas agora disputam espaço com os uniformes tipo quiet luxury da região


Não consegui ir, no sábado, ao show da cantora Lia Levin, mas já estou aguardando o próximo


Comemorei a volta da bailarina e coreógrafa americana Maria Angelica Caruso: ela se apresenta sexta-feira, no Teatro J. Safra, em São Paulo, com abertura da Cisne Negro Cia de Dança


Fiquei orgulhosa demais com a defesa de tese da Dra. Brunna Pileggi: foi na quarta-feira, na Escola de Medicina da USP, e ela tinha como orientador o Dr. Roberto Kalil Filho


Me esbaldei na festa de reinauguração do Museu de Arte Moderna de São Paulo, na terça-feira, no Ibirapuera: com direito a show de Marina Lima e assinatura das irmãs Bia Aydar e Fernanda Nigro


Fui assistir, no sábado, a uma mesa com Jeferson Tenório e Socorro Acioli no Museu da Língua Portuguesa — que dois!


Me programei para assistir, no próximo sábado, no Shopping Pátio Higienópolis, a um concerto gratuito da Bachiana Filarmônica SESI-SP, sob a regência do maestro João Carlos Martins e participação do tenor Jean Willian


Já me programei para uma visita à SP-Arte Rotas 2026, que abre quarta-feira, sob o comando de Fernanda Feitosa


Descobri que uma empresa de biotecnologia de Londres criou o que chama de primeira tatuagem sem dor do mundo: no lugar da agulha tradicional, usa adesivos com microagulhas dissolvíveis para aplicar a tinta na pele, com desenhos a partir de £50


Fiquei encantada com a ideia do Waldorf Astoria de Nova York de transformar seu Grand Ballroom em uma quadra de tênis por uma noite: isso vai acontecer numa quinta-feira, num jogo histórico


Gostei muito da nova coleção da Lufthansa inspirada nas pequenas regras de etiqueta a bordo: frases como “It’s ok to clap when the plane lands” (“Tudo bem aplaudir quando o avião pousa”), “Live, love, exit by row” (“Viva, ame e saia por fileiras”) e “Text your mom after landing” (“Mande mensagem para sua mãe depois de pousar”) viraram camisetas, moletons e bolsas de edição limitada


Acompanhei Madonna comemorando seus 68 anos em Corfu, na Grécia, ao lado de cinco dos filhos e do namorado, Akeem Morris: para completar a cena, ela celebrou usando Dolce & Gabbana Alta Moda


Anotei na agenda para ver “Terra Poética”, primeira exposição individual de Anna Maria Maiolino: em cartaz no MAAT, em Lisboa, a mostra reúne esculturas, desenhos e fotografias


Participei, sexta-feira, de uma mesa na OAB São Paulo, num encontro sobre mulheres da ordem dos advogados: fiquei lisonjeada pelo convite e mais ainda por ter sido aplaudida de pé depois da minha apresentação

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Stevie Wonder é dos meus favoritos de todos os tempos e essa canção dele, Lately, é uma joia rara. Nesta versão, com Ney Matogrosso e o cantor João Fênix, ela também ficou linda e me fez lembrar Gal Costa cantando essa mesma canção. Ah, quantas boas lembranças…

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