Minha vida é bastante agitada. Vou da feira ao baile com a mesma curiosidade e a mesma intensidade — grande. Mas justamente por causa disso, eu canso. Canso bastante e aí eu fico com alergia no pescoço, minha pressão sobe e esses são os primeiros sinais de que eu tenho que parar um pouco. Desacelerar. Mesmo porque ainda faltam quatro meses pro ano terminar e, daqui pra frente, a coisa só piora. O corre fica ainda mais intenso. Não é fácil pra mim entender e aceitar isso e imagino que não deva ser fácil também para ninguém. Finalizei este texto depois de um treino e uma aula de dança, para soltar os quadris e também os meus demônios. Sinto que estou no caminho, mas percebo que preciso de descanso. É o que vou fazer na próxima semana. A gente se encontra por aqui domingo que vem.
Ilustração: Maria Eugenia
JOIAS RARAS
Durante muito tempo, quanto mais reconhecível uma peça, melhor. A bolsa tinha que ser identificada do outro lado da sala; a marca precisava aparecer. Era uma questão de exibir mesmo.
Agora, pelo menos entre uma parte da Geração Z, parece que o jogo virou. O melhor sinal de status pode ser justamente aquilo que quase ninguém reconhece.
Nos Estados Unidos, 71% dos jovens dizem achar que o gosto das pessoas ficou plano, pasteurizado. Faz sentido. A internet acelerou tanto as tendências que uma descoberta hoje pode estar em milhares de telas amanhã. Aquilo que parecia especial dura pouco. Quando todo mundo conhece a marca, usa a mesma referência e aparece com a mesma peça, alguma coisa da graça se perde.
E aí começa uma nova disputa, bem mais silenciosa. Vale a peça de arquivo, o vintage difícil de encontrar, uma colaboração rara, um livro que circula dentro de uma comunidade pequena. São coisas que exigem algum repertório para serem reconhecidas. Quem sabe, sabe. Quem não sabe simplesmente passa por elas, fica à parte.
Acho interessante porque o status começa a morar menos na ostentação e mais no olhar. Na capacidade de perceber alguma coisa antes que ela vire unanimidade, de entender por que aquilo importa, de gostar antes que alguém explique que é para gostar. Num momento em que o algoritmo está sempre pronto para nos entregar o próximo objeto de desejo, ter gosto próprio começa a ganhar outro valor.
A inteligência artificial entra nessa história por outro caminho. Quanto mais fácil fica produzir imagens, textos e conteúdos perfeitos, rápidos e polidos, mais atenção damos aos sinais de presença humana. O trabalho feito à mão, uma pequena falha, uma edição limitada ou uma perspectiva muito pessoal passam a ter um encanto especial. A imperfeição funciona quase como uma assinatura: alguém de verdade esteve ali. Talvez por isso os feeds excessivamente perfeitos também estejam cansando. Bastidor, processo, tentativa e coisas acontecendo sem tanta maquiagem começam a interessar mais. E esse desejo por alguma coisa menos polida parece chegar também à maneira de conviver.
A privacidade, vejam só, entrou nessa nova linguagem de status. Eventos sem celular, comunidades fechadas, espaços menores e acesso seletivo passaram a ter outro charme. Depois de anos em que estar em todos os lugares e mostrar tudo parecia a medida do sucesso, começa a existir certo prestígio em desaparecer um pouco, frequentar um lugar que pouca gente conhece ou participar de uma conversa que não vai parar no feed.
Isso muda bastante a conversa para as marcas. Produto bonito e caro sozinho já não resolve muita coisa. Nem o tal do quiet luxury. É preciso criar contexto, cultura, ritual, pertencimento e talvez até resistir à tentação de colocar tudo diante de todo mundo o tempo inteiro. Se qualquer coisa pode ser encontrada, reproduzida e copiada em segundos, preservar um pouco de mistério volta a ser interessante.
Gosto especialmente dessa ideia porque ela devolve alguma importância à intuição. Passamos tempo demais tentando descobrir o que devemos vestir, comprar, ler, visitar e desejar a partir da aprovação dos outros. Agora começa a ser valorizado o charme em encontrar uma coisa, gostar dela e nem sentir necessidade de explicar por quê. Agora parece que o luxo verdadeiro ficou um pouco mais discreto. Quase secreto. E, convenhamos, segredo sempre teve seu charme.
O auge do chic / Fotos: Reprodução Instagram
MUNDO DA FANTASIA
Um hipopótamo de bronze em tamanho real que, quando aberto, vira bar. Uma escrivaninha em forma de rinoceronte. Tudo isso parece cenário de um sonho meio maluco, mas estamos falando de algumas das peças de decoração mais sofisticadas do mundo. Li uma reportagem na Vanity Fair sobre a febre em torno das peças Lalanne, criadas pelo casal de designers franceses François-Xavier e Claude Lalanne, cujas esculturas e móveis meio surrealistas viraram objetos de desejo de bilionários, colecionadores e gente do mundo da arte.
Os dois criavam coisas deliciosamente absurdas, como ovelhas de cimento e lã. O famoso playboy Gunter Sachs espalhou algumas dessas ovelhas pelo living de sua casa em St. Moritz. Yves Saint Laurent tinha um conjunto de espelhos de bronze feitos por Claude, com galhos e pássaros. Quinze deles foram vendidos pela Sotheby's, em Nova York, por 33,5 milhões de dólares, o maior valor já pago por uma peça de design na história. Segundo a Vanity Fair, há até rumores de que seria Jeff Bezos que teria comprado um dos famosos hipopótamos de bronze. Aqui no Brasil, poucos e bons conhecem e muito poucos têm uma peça em casa. Alguns até têm, mas em seus apartamentos em Nova York ou Paris.
Enquanto muita gente ainda acredita no minimalismo ou no “Brutalism”, tipo bege, cinza, pedra, poucas coisas, tudo impecavelmente editado, os Lalanne faziam justamente o contrário. Enfiavam um rinoceronte no escritório e um rebanho inteiro na sala. Havia sofisticação, claro, mas também graça, humor e uma certa falta de cerimônia que anda fazendo falta nos dias de hoje.
E a vida deles combinava muito com tudo isso: François-Xavier e Claude trabalhavam sem parar em Ury, um vilarejo perto da floresta de Fontainebleau, num ateliê cercado de esculturas que devia parecer uma espécie de fazenda fantástica. A reportagem conta que por ali circulavam queijos, morangos silvestres, muito vinho e amigos.
No auge de uma época obcecada por ambientes impecáveis, neutros e fotografáveis, os Lalanne voltam a ser símbolo máximo de desejo. Suas casas tinham bichos, surpresa, humor, exageros que só mesmo um bom hipopótamo-bar de bronze parece traduzir.
Tenho uma certa saudade das coisas que não apitam. Papel, lápis, uma caneta qualquer são objetos que ficam quietos até a gente decidir usá-los, uma raridade num mundo em que tudo parece disputar nossa atenção. E, aqui entre nós, quem não fica encantado cada vez que entra numa papelaria feito Itoya de Tóquio? Talvez por isso eu tenha achado tão curioso descobrir, numa reportagem do The Washington Post, que rabiscar voltou a ganhar espaço como uma espécie de antídoto para essa cabeça que não desliga. Bastam dez minutos desenhando, sem aplicativo, assinatura ou senha esquecida.
Lá em 2015, os livros de colorir para adultos viraram febre com a promessa de aliviar o estresse. Agora, são os rabiscos, desenhos sensoriais e vídeos de arteterapia que estão aparecendo nas redes. Tem certa ironia nisso: a mesma tela que nos deixa acelerados ensina como desacelerar. Mas vá lá: se o algoritmo decidiu nos mandar de volta para uma folha em branco, talvez tenha finalmente prestado algum serviço.
Segundo o The Washington Post, há uma explicação bem concreta para o prazer da coisa. Quando estamos sob estresse, o corpo entra naquele conhecido modo de luta ou fuga: coração acelera, pressão sobe, cortisol circula. Uma neurologista de Boston explica que desenhar ajuda a tirar a atenção dessa engrenagem e favorece o sistema parassimpático, ligado ao descanso. Olho, mão e cérebro precisam trabalhar juntos, e essa coordenação nos obriga a ficar ali, prestando atenção na linha, na curva, no desenho torto. Por alguns minutos, sobra menos espaço para a cabeça ruminar o resto.
E tem uma parte que gostei ainda mais: ninguém precisa saber desenhar. Aliás, talvez seja até melhor não saber. Quando aparece a preocupação de fazer algo bonito, começa aquela velha história da performance, e o que era para acalmar vira outra oportunidade de se avaliar. O benefício está muito mais no gesto repetitivo de traçar linhas, formas e rabiscos. O desenho vai aparecendo e, junto, vem uma pequena recompensa de dopamina, um prazer simples, meio infantil até. Gostoso.
A arteterapeuta Reina Lombardi, fundadora do Florida Art Therapy Services, lembra ainda de uma diferença importante entre o lápis e o celular. Os smartphones foram desenhados com recursos de gamificação justamente para nos manter atentos: uma notificação aqui, outra ali, alguma novidade esperando do outro lado da tela. É uma máquina muito competente em criar expectativa. Já o papel fica quieto, esperando a nossa vontade.
Pode ser por isso que dez minutos rabiscando possam parecer um descanso tão grande. Não exigem preparação, roupa especial, equipamento ou deslocamento. Também não precisam entrar naquela categoria perigosíssima das coisas que fazemos para “melhorar a nós mesmos”. Dá para simplesmente sentar e desenhar uma bobagem. Se vier ansiedade porque o resultado está feio, persistir pode ajudar a desenvolver a chamada “distress tolerance”, a nossa capacidade de suportar algum desconforto sem fugir imediatamente dele.
Tenho pensado muito em como até o descanso ganhou regras. Dormir direito virou projeto, respirar virou método, caminhar virou meta, meditar virou aplicativo. Conseguimos colocar desempenho em lugares onde antes havia apenas vida. Talvez seja justamente por isso que essa onda do rabisco esteja voltando: durante alguns minutos, a gente faz alguma coisa sem precisar medir, postar ou melhorar nada. Uma folha em branco e um lápis já resolvem.
Menos, definitivamente, é mais / Fotos: Reprodução Instagram
OS TRIPULANTES DA VEZ
Sabe aquela imagem clássica de um grupo de influenciadores digitais descendo de jatinhos e iates em algum destino paradisíaco pago por uma marca de luxo? Pois é. Por muito tempo, as marcas famosas gastaram fortunas para promover essas viagens cinematográficas com foco exclusivo em números gigantescos de seguidores. Mas li uma reportagem fascinante na edição americana da Vogue sobre como essa maré de ostentação extrema começou a mudar, e confesso que a reflexão mexeu demais comigo. O teatro da influência está ganhando um roteiro bem mais íntimo.
As viagens que as marcas agora estão promovendo estão menores, mais enxutas e focadas no que os especialistas chamam de “cultural clout” — essa capacidade mais difícil de medir, de realmente ter relevância dentro de determinado grupo. A nova palavra de ordem é afinidade.
A Mango levou um grupo pequeno para Atenas e Hydra. A J. Crew escolheu as montanhas de Adirondacks, nos Estados Unidos. A Gucci fez uma viagem para Mônaco com apenas três pessoas. Menos convidados, menos agenda obrigatória, mais tempo livre.
O retorno também ficou menos imediato. As marcas olham para o Earned Media Value, o valor do burburinho espontâneo gerado pelas publicações, e principalmente para o quanto aquela viagem continua circulando depois que as malas já voltaram para casa.
Daí vem talvez a parte mais curiosa dessa história: a viagem de marca está tentando parecer uma viagem de amigos. O público acompanha conversas, brincadeiras, afinidades e pequenas cenas como se estivesse vendo um reality show. A Swan Beauty levou essa lógica ao limite ao patrocinar a verdadeira despedida de solteira de uma influenciadora, entrando numa história que as pessoas já queriam acompanhar. E essa busca por intimidade chegou também às clientes. A Net-a-Porter levou suas EIPs, as “Extremely Important Persons”, para Taormina com a Chloé e para Florença com a Khaite. O luxo quer cada vez mais parecer pessoal.
Só que intimidade fabricada exige cuidado. A marca de cosméticos Rhode descobriu isso ao montar uma pop-up em Rhode Island depois de uma dessas viagens. Enquanto influenciadoras apareciam recebendo lagostas e presentes, clientes ficaram horas numa fila sob o sol. No Reddit, alguém resumiu a situação com precisão cruel: elas ganham rolinhos de lagosta e os clientes, insolação. Pronto. Bastou uma fila para furar toda a bolha de proximidade.
Achei curioso perceber que, depois de anos aumentando o volume, as marcas estejam agora tentando baixá-lo. Menos gente, menos roteiro, menos espetáculo aparente. Claro que continua tudo muito pensado. Há contratos, métricas, estratégia e retorno no meio dessa espontaneidade cuidadosamente produzida. Talvez seja justamente essa a graça da história. Até a naturalidade virou algo que precisa ser organizado.
E fico pensando no paradoxo: passamos tanto tempo aprendendo a transformar amizade em conteúdo que agora o luxo parece ser conseguir fazer o conteúdo parecer amizade. Que loucura, né?
Ilustração: Maria Eugenia
SAGRADO E PROFANO
Tem uma conversa que a gente aprendeu a fazer quase sempre em voz baixa: sobre prazer e espiritualidade. Como se um tivesse de ficar do lado de fora para o outro entrar. Li uma reportagem do portal Vox sobre essa relação e achei curioso descobrir que, olhando para trás, essa separação talvez seja bem mais nossa do que das tradições antigas. Há dois mil anos, o Cântico dos Cânticos já falava de desejo, beijos, perfumes, mãos gotejando mirra. E tudo isso dentro da Bíblia hebraica.
O rabino americano Jay Michaelson, autor de “God in Your Body”, parte de uma ideia que parece simples, mas bagunça bastante coisa: a experiência espiritual também passa pelo corpo. Ele fala de três caminhos para a intimidade, e o primeiro é presença. Michaelson ensina meditação e chega a brincar que não entende como alguém faz sexo sem meditar. Faz sentido. A cabeça está no celular, no trabalho, na lista do supermercado, enquanto o corpo tenta acompanhar. Segundo ele, alguns elementos dos próprios rituais religiosos podem ajudar a trazer a atenção de volta: música, perfume, luz baixa, óleo, vela. Pequenas coisas que dizem ao cérebro: você está aqui.
Depois vem o prazer: entender o prazer como uma verdadeira bênção, algo que exige uma vida inteira de prática para ser assimilado sem culpa. Hoje, essa conversa aparece de outros jeitos. O treinador de intimidade Court Vox propõe exercícios sensoriais muito simples para fazer as pessoas voltarem ao próprio corpo: uma pena, uma pedra, até um garfo passando pela pele. A intenção é diminuir aquele estado permanente de alerta em que tanta gente vive. Porque entrega exige segurança. E exige consentimento. Quem está controlando tudo o tempo inteiro dificilmente consegue, de repente, simplesmente se abandonar a uma sensação.
A terceira ideia é talvez a que mais me interessou: integrar. Parar de colocar a intimidade numa espécie de quarto secreto da vida, separado de todo o resto. As mitologias antigas faziam justamente o contrário. Na Mesopotâmia e na Suméria, sexo, criação e natureza apareciam misturados nas histórias sobre deuses como Tiamat, Abzû e Enki. Corpo e mundo conversavam.
O padre anglicano Jarel Robinson-Brown leva essa reflexão para um lugar ainda mais provocador. Ele celebra missa aos domingos e defende que a presença divina também pode aparecer em experiências de intimidade e segurança fora dos espaços religiosos tradicionais, inclusive em quartos escuros ou “cruising grounds” (que são áreas públicas onde pessoas buscam parceiros para encontros sexuais casuais). Lugares onde títulos, profissões e status desaparecem por alguns instantes e ficam apenas pessoas e corpos. É uma visão que certamente incomoda muita gente. Talvez justamente por isso valha pensar nela.
Fiquei com a sensação de que passamos tempo demais tentando organizar a vida em gavetas: corpo numa, cabeça em outra, desejo escondido em algum canto e espiritualidade numa prateleira bem alta, de preferência longe de qualquer confusão. A reportagem sugere quase o contrário: talvez exista alguma coisa profundamente espiritual em estar inteiro dentro de uma experiência. Presente. Seguro. Sem culpa. O Cântico dos Cânticos sabia disso há dois mil anos. Nós é que talvez tenhamos esquecido.
Tudo bem que é uma delícia percorrer a cidade acompanhando todas as manifestações culturais, exposições, estreias, concertos e palestras. Mas, como é gostoso voltar pra casa, se trocar e viver o conforto do lar… Foi a palavra “comfy” e tudo que ela representa que inspirou minhas as escolhas desta semana no Iguatemi.
Na montagem acima, reprodução da imagem de Carl Larsson, "Lazy Nook", 1897
2 - Qualquer Birkenstock é sinônimo de relax e este par do modelo Boston, em couro natural, prova isso
3 - Esses vasos em formas orgânicas da Maiai Cerâmicas fazem parte do acervo da branco.casa e dão um toque especial ao décor de uma sala intima
4 - Na hora do descanso, o spray de ambiente de Jo Malone de mirra e tonka cria o clima perfeito para a recuperação de um dia longo
5 - Vem da Trousseau essa manta de tricô de algodão, que faz toda a diferença na hora de assistir TV
Recebi o artista plástico Daniel Senise em casa esta semana. Ele mora no mesmo prédio que eu, mas isso é uma outra história…
Conversamos sobre a Geração 80, movimento do qual ele fez parte nos anos 80, e sobre como em uma observação por acaso, o chão do ateliê ficou mais interessante que a tela e virou a técnica que define seu trabalho até hoje.
Falamos também da vida dele entre Rio, Nova York e São Paulo, do fato de ser casado com sua própria galerista, e da amizade com Leonilson, que ele lembra com muito carinho.
No fim, ele me disse uma frase que não saiu da minha cabeça: “um artista não se aposenta porque, se parar de buscar o que ainda não fez, perde a graça de estar vivo”.
Silvia Macedo Levorin cuida de um pedaço da memória de São Paulo. Fundado em 1958, o restaurante Rodeio, de sua família, atravessou gerações nos Jardins e se tornou uma dessas casas que fazem parte da paisagem afetiva da cidade, com seus rituais, sabores e clientes fiéis. Em julho, depois de quase sete décadas no mesmo endereço, o restaurante caminhou poucos metros pela mesma Rua Haddock Lobo e ganhou uma nova casa, assinada por Isay Weinfeld. Há quatro décadas ligada ao negócio da família, Silvia conduz esse delicado exercício de fazer o tempo avançar sem apagar os traços que deram identidade ao Rodeio.
1. Quando você sentiu que havia deixado de ser vista como “a filha do dono” e passado a ser reconhecida como líder?
Quando cheguei no Rodeio, em 1986, não tinha a pretensão de assumir o negócio. Meu objetivo era dar apoio ao meu pai, que estava sobrecarregado. E, desde o meu primeiro dia, fui muito bem recebida por todos da casa, que sempre demonstraram respeito e admiração. Logo entendi que aquele era o meu lugar! Nesse tempo, minha relação com o meu pai se estreitou ainda mais e descobrimos uma grande afinidade no modo de pensar e de gerir o negócio. Ele sempre muito generoso, compartilhou comigo muito de sua experiência em gestão e ficou feliz com o meu comprometimento.
Acredito que a maior dificuldade tenha sido minha, que demorei mais do que as outras pessoas para acreditar na minha capacidade de trabalho. Em 2001, assumi a gerência geral da empresa, mas foi somente 10 anos depois, quando inauguramos o Rodeio Iguatemi, que veio essa validação pessoal. Apesar da presença do meu pai, esse foi um desafio muito importante na minha atuação como gestora. Junto da nossa equipe interna, fizemos a implementação da nova casa e profissionalizamos toda a empresa. Conseguimos a certificação do ISO 9001, implantamos processos, organogramas e criamos mecanismos de gestão e treinamento de equipe. Com isso, conquistamos a maturidade de uma empresa familiar e, do meu lado, a confiança que eu precisava.
2. De que maneira a formação em Artes Plásticas aparece no seu olhar?
Acredito que a nossa formação como pessoas é bastante ampla, e tudo o que vivemos nos molda. Sem dúvida, a faculdade de Artes Plásticas me proporcionou um olhar mais sensível e uma percepção estética mais apurada, que estão sempre presentes no cuidado com o ambiente e nos detalhes do restaurante. Nosso mais recente desafio foi manter a essência do antigo Rodeio na nova casa, nos Jardins. Aqui, tivemos o privilégio de contar com o projeto do Isay Weinfeld, arquiteto e cliente do Rodeio. É muito especial e imprescindível ter ao nosso lado alguém que compreenda tão bem a nossa identidade e consiga traduzir, em cada espaço, a experiência que queremos proporcionar aos nossos clientes.
Além disso, acredito que essa sensibilidade também se reflete no cuidado com as pessoas. Para mim, a forma como administramos, valorizamos e desenvolvemos as pessoas é o que faz a diferença em uma boa gestão.
3. Você construiu sua trajetória em um setor historicamente comandado por homens: isso foi uma dificuldade?
Como mulher, não tive problemas com a equipe. Entendo que sempre estive em uma posição de privilégio, mas todos sempre demonstraram respeito e, ao longo dos anos, também admiração e carinho. Já no mercado, de um modo geral, foi e continua sendo mais desafiador ser ouvida e ter a opinião respeitada, mas, felizmente, isso nunca foi um grande problema para mim. Sempre tive o apoio necessário de meu pai e da equipe, ou da Família Rodeio, como gostamos de nos chamar.
Fotos: Paulo Freitas
Foi uma comoção generalizada a conversa que eu tive esta semana, na Casa Vivo com o diretor de arte Giovanni Bianco, conhecido internacionalmente por trabalhos com moda, envolvendo alguns dos nomes mais influentes do mundo, e com música — incluindo aí Madonna, Marisa Monte, Anitta e tantas outras. Com suas histórias e casos engraçados, Giovanni provou que é um encantador de plateias. Eu assino em baixo: foi uma tarde iluminada.
Descobri que o hotel Le Meurice, o meu preferido em Paris e membro da Dorchester Collection, estreou um head spa no seu já conhecido Spa Valmont, tornando-se o primeiro palace parisiense a oferecer esse ritual de bem-estar de inspiração japonesa — ai, como eu queria experimentar logo todos esses novos tratamentos
Soube que a Undertop, marca especializada em bodies, vai desfilar na NYFW, no dia 13 de setembro
Conheci o charmoso escritório de Marina Linhares no Jardim Paulista: um jardim encantado
Comi as melhores jabuticabas dos últimos tempos aqui em casa, compradas no sacolão de Higienópolis
Recebi com orgulho a convocação para participar, dia 13 de setembro, do bingo tradicional em benefício da Obra do Berço, comandado por Vera Helena Pires
Participei da noite de estreia do filme de Mônica Martelli e Ingrid Guimarães: sucesso absoluto nas 9 salas de cinema no Shopping Eldorado
Li muito assustada sobre os roubos de Rolex e outros assaltos a brasileiros em uma casa alugada, tudo isso neste verão em Saint-Tropez
Fui jantar no novo Rodeio, na mesma rua, a Haddock Lobo, e com as delícias tradicionais de sempre — foi uma alegria
Fiquei olhando com muito prazer o livro "Entresalas", de Sergio Poroger, sobre salas de cinema abandonadas pelo mundo: um trabalho de pesquisa que durou 10 anos
Fui dar um beijo muito especial de aniversário no meu amigo Mauro Freire, um mago dos cabelos
Me apaixonei por uma sandália slide verde da Loewe: claro que vou correndo atrás
Vivi, na quarta-feira, uma experiência maravilhosa no lançamento da nova coleção da A. Niemeyer — foi no Bixiga com a colaboração de Renata Correa: um clima de sonho com peças lindas
Me entristeci, junto com admiradores do mundo inteiro, em função da morte de Yayoi Kusama, que ficou famosa no mundo inteiro por conta de suas obras cheias de pontinhos coloridos
Descobri que Portugal ganhou a quarta “floresta de cura” certificada do mundo: a Mata Nacional do Buçaco, a pouco mais de uma hora do Porto, reúne mais de 250 espécies de árvores e arbustos e trilhas pensadas para atividades terapêuticas
Fiquei com vontade de ver a nova exposição de Yoshitomo Nara em Nova York, a primeira do artista na cidade em mais de uma década: a mostra reúne pinturas inéditas, esculturas monumentais e trabalhos do início da carreira
Descobri que os salsichas viraram uma das raças mais desejadas do momento: pequenos o bastante para a vida em apartamento, fotogênicos para as redes e cheios de personalidade — amo os meus!
Me encantei com Margret Chola, uma avó da Zâmbia com mais de 80 anos que virou ícone fashion nas redes: conhecida como “Legendary Glamma”, ela posa na fazenda da família com looks extravagantes criados pela neta e acabou conquistando milhares de seguidores
Soube que o Museu de História Natural de Londres vai reabrir uma galeria que ficou fechada desde a Segunda Guerra: a partir de 16 de setembro
Adorei ver Anna Wintour dando o start numa partida especial do US Open: em quadra, Roger Federer, seu queridinho, Andy Roddick, Andre Agassi e John McEnroe se reuniram para uma noite lendária em Nova York
Quero, assim que possível, comprar a parka criada especialmente por Johanna Stein e sua livraria Gato Sem Rabo com a marca Haight: megachic
Vi Kate Moss cantando na nova campanha da Gucci: dirigido por Johan Renck, o filme coloca a modelo em clima de rockstar, usando o vestido decotado que fechou o desfile de estreia de Demna na maison
Apesar de não ter conseguido assistir a cantora portuguesa Carminho em sua passagem por São Paulo semana passada, fiquei com ela na cabeça e fui atrás desta pequena joia que é ela cantando Gonzaguinha junto com Alcione, outra de minhas preferidas. “Sangrando” é uma gravação de 10 anos atrás. Coisa mais linda.
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