Uma casa de verdade, o protocolo do corpo e as novas profissionais do luxo. Yes, venha aqui!

Neste fim de semana se comemora o Ano Novo judaico, o Rosh Hashanah. Não dá exatamente pra se comparar com o réveillon que a gente vive no 31 de dezembro, porque é uma data mais sagrada e tem um significado para além de uma passagem de ano. Esses dias nos convidam a nos recriarmos a partir de tudo que já vivemos. Rever nossas escolhas e reconhecer o que precisamos mudar. Não é apagar o passado exatamente, mas poder perceber o que não precisa ser repetido. São datas preciosas que nos fazem pensar e nos preparam para o Dia do Perdão, o Yom Kipur, esse sim o dia mais sagrado do ano e que acontece no próximo domingo. Pensando em renovação, não posso deixar de lembrar aqui o impacto que o espetáculo de Regina Casé causou em mim. Fui assistir, quinta-feira, “Viva!Vida!”, que voltou a São Paulo, agora no Teatro Sérgio Cardoso. Uma ode ao planeta Terra, uma viagem sensível a nossa própria história. Regina sempre me surpreende, pois está sempre se reinventando, se renovando. Recomendo que todos assistam: é um espetáculo transformador, criado por Estevão Ciavatta, marido de Regina. Não foi à toa que juntei esses dois temas por aqui e o que eu desejo é que todos nós consigamos nos reinventar e nos tornar pessoas melhores e mais engajadas com os que estão no nosso entorno e com o planeta. Shana Tova a todos. Um ano doce e iluminado.


CIGANOS DO JET SET

Tem uma resposta que virou quase um cartão de visita entre os muito ricos: “vivo entre Nova York e Milão”, “divido meu tempo entre Dubai, Genebra e Londres”. Um endereço só parece pouco. Duas casas, quase modesto. A nova turma do dinheiro vive em trânsito, pulando de uma residência para outra como quem muda de restaurante. A revista Elite Traveler chamou essas pessoas de “betweeners”: gente que não mora exatamente em lugar nenhum porque mora em vários lugares ao mesmo tempo.

Claro que impostos entram nessa conversa. Mas achei curioso o que diz Derren Joseph, especialista em tributação internacional, que vive essa lógica na prática, com oito residências e passaportes. A questão fiscal pode iniciar a mudança, mas, depois, o estilo de vida toma conta. Se fosse apenas para economizar dinheiro, seria mais fácil escolher uma ilha, instalar-se por lá e pronto. Só que essa turma quer restaurantes, clubes, amigos, movimento. Quer continuar frequentando as cidades que conhece e, de preferência, circular entre elas.

Há quem deixe Nova York por Londres e, chegando lá, entre de uma vez em vários clubes privados, entre eles o exclusivo Annabel’s e o 5 Hertford Street, para reconstruir rapidamente uma vida social. Também há quem escolha Abu Dhabi ou a Suíça por razões fiscais e organize cuidadosamente os dias para voltar a Londres no inverno, encontrar amigos e passear pelos mercados de Natal. É uma vida administrada no calendário. E administrar talvez seja a palavra mais importante dessa história.

Por trás dessa leveza aparente existe uma operação quase militar. O luxo agora inclui viajar só com bagagem de mão, porque as roupas já estão esperando no destino. Serviços de concierge contam que alguns clientes mantêm guarda-roupas duplicados, fotografados e catalogados, em propriedades diferentes. St. Barts, Aspen, pouco importa: chegou, abriu o armário, a vida está pronta. Ou quase.

Alguém organiza funcionários, comida, crianças, roupas, horários. Entram nessa engrenagem gerentes de propriedades, chefs particulares, babás formadas em escolas especializadas e tutores que acompanham as famílias pelo mundo, de Antibes à Grécia durante as férias.

Só que existe uma contradição nessa vida. Quanto mais livre parece a pessoa, maior a estrutura necessária para que ela consiga se mover. Para viver espontaneamente entre continentes, há dezenas de conversas de WhatsApp, agendas, funcionários, fusos horários e regras funcionando ao mesmo tempo. Pode até ser meio cansativo, não?

E quando se tem várias casas perfeitamente abastecidas, onde exatamente fica o lar? Casa também é memória. É saber onde está a xícara de que você gosta sem precisar perguntar.

Claro que ter uma casa em Londres, outra em Aspen e outra em St. Barts deve ter seus encantos. Talvez o luxo mais raro continue sendo justamente aquilo que não se duplica: intimidade com um lugar. Amizades que não precisam ser reconstruídas a cada temporada. A sensação boa de chegar e não precisar entender como a casa funciona, porque o próprio corpo já sabe.


A VOLTA AO CORPO

Passamos o dia inteiro dentro da nossa cabeça. Pensando, antecipando, lembrando, respondendo mensagem, pulando de uma tela para outra. O corpo vai junto, claro, mas quase como bagagem de mão. Isso até ele reclamar…

Foi por isso que achei tão interessante um ensaio na The Atlantic sobre a psicoterapia somática, uma abordagem que anda ganhando espaço justamente por propor algo bastante simples: prestar atenção no que o corpo está dizendo.

A palavra vem do grego “soma”, corpo, e a ideia parte de um caminho diferente daquele que estamos acostumados a imaginar quando pensamos em terapia. Em vez de começar sempre pelo pensamento, começa pela sensação. Terapeutas pedem aos pacientes que desacelerem e percebam o que acontece na garganta, no peito, na respiração. Às vezes vem choro. Às vezes um bocejo, um grito, vontade de se alongar ou até de dançar. Parece até meio estranho, mas a procura por formação nessa área mais do que dobrou entre 2020 e 2023. Alguma coisa aí está chamando atenção.

Claro que, quando uma ideia encontra a internet, ela logo ganha versões mais exuberantes. No Instagram, a somática virou também batidinha no peito, orelha puxada para liberar “stagnant energy”, ou “energia estagnada”, e pequenos movimentos prometendo tirar o trauma dos quadris. Uma das estrelas desse universo é a “Workout Witch”, influenciadora que reúne quase dois milhões de seguidores com exercícios corporais apresentados como uma forma de liberar traumas e tensões acumuladas. Enquanto isso, alguns estúdios já oferecem até um body gloss, um “brilho corporal”, de 65 dólares depois das aulas. O corpo, coitado, mal voltou a ser ouvido e já ganhou pacote premium.

A ideia de que as emoções aparecem fisicamente acompanha esse campo há muito tempo. Wilhelm Reich, psicanalista que trabalhou no início do século XX, desenvolveu a ideia de uma espécie de “armadura muscular”: tensões e padrões físicos que, para ele, estariam ligados às nossas defesas emocionais. Décadas depois, o psicoterapeuta Peter Levine, um dos nomes ligados às abordagens somáticas do trauma, observou como animais se sacodem depois de escaparem de situações de perigo e sugeriu que algo semelhante poderia ajudar o organismo humano a descarregar a ativação provocada pelo estresse, tipo aquela descarga de cortisol. É dele aquela imagem bastante curiosa das impalas se sacudindo depois de fugir de um guepardo.

Bessel van der Kolk é outro nome importante nessa conversa e ficou especialmente conhecido pelo livro “The Body Keeps the Score”, publicado no Brasil como O corpo guarda as marcas. A obra ganhou enorme popularidade em 2021 ao defender a ideia de que experiências traumáticas deixam marcas também no corpo. O sucesso ajudou a levar essa discussão para muito além dos consultórios, embora parte dos dados usados para sustentar suas conclusões tenha sido questionada. A médica de Harvard Aditi Nerurkar acrescenta uma dose bem-vinda de bom senso: o cérebro não tem botão de reiniciar e sofrimento emocional não sai do organismo como uma sujeira que basta sacudir para fora.

Talvez a graça esteja no meio do caminho. A gente anda tão obcecada por controlar desempenho, seguir protocolo e encontrar uma técnica para cada desconforto que esqueceu uma coisa meio elementar: perceber o próprio corpo. Sentir quando o peito aperta. Reparar na respiração. Espreguiçar. Fechar o celular por alguns minutos. Sentir o sol no rosto e o pé no chão.

VIVENDO A VIDA ADULTA

Imagine uma mulher de 60 anos entrando numa loja com dinheiro para gastar e percebendo que, aparentemente, ninguém ali estava notando e nem pensando nela. A campanha publicitária da marca mostra modelos de vinte e poucos anos, usa uma linguagem emprestada das redes sociais e escolhe criadores de conteúdo igualmente jovens para apresentar produtos que, em tese, poderiam interessar a várias gerações. A roupa parece desenhada para outro corpo, o creme de beleza vende juventude como objetivo e até a viagem dos sonhos vem embalada para quem ainda acha divertido acordar às seis da manhã e encaixar oito programas no mesmo dia. Tudo muito moderno, muito cool, muito jovem. E um pouco míope.

Enquanto marcas de moda, beleza, turismo e bem-estar fazem verdadeiros malabarismos para conquistar millennials, Geração Z e Geração Alfa, uma geração madura passou décadas trabalhando, construindo patrimônio, comprando casas e criando hábitos de consumo. São pessoas com dinheiro para gastar e, mais importante, bastante clareza sobre onde vale a pena gastá-lo.

O mais curioso é que ninguém está pedindo uma coleção com a etiqueta “para idosos” — nem pensar. Colocar todo mundo acima de certa idade numa espécie de departamento bege seria justamente repetir o problema. Essas pessoas querem roupas bonitas, produtos bons, viagens interessantes, atendimento decente, design inteligente. Querem continuar participando da conversa cultural sem precisar fingir que têm 28 anos. Parece bastante razoável, né não?

A grande falha está nessa mania do mercado de imaginar o consumidor como uma fotografia estática. A menina que compra um creme aos 25 vai fazer 35, 45, 60. O homem que começa a consumir uma marca de roupas aos 30 também muda de corpo, orçamento, gosto, rotina. E por que a marca deveria abandoná-lo pelo caminho? Acho até estranho, mesmo porque passamos tanto tempo falando em fidelidade do consumidor e tão pouco em fidelidade ao consumidor.

Existe uma oportunidade bonita para criar marcas capazes de envelhecer junto com as pessoas. Um serviço que entenda que maturidade também significa repertório e que repertório costuma deixar a régua mais alta. Enquanto isso, a disputa pelo público jovem fica cada vez mais congestionada.

Envelhecer é uma das poucas experiências que atravessam todas as gerações, mas o mercado ainda parece agir como se fosse uma surpresa. Marcas inteligentes deveriam entender uma coisa bastante simples: acompanhar o tempo de seus clientes pode ser muito mais elegante do que correr eternamente atrás da juventude. Relevância também envelhece bem. E, cá entre nós, fica muito mais interessante com o tempo...

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CASA COM ALMA

Sabe aquelas casas tão perfeitas que dá até um certo medo de sentar no sofá? Tudo bege, marfim, travertino, uma cadeira assinada no canto e nenhum sinal de que alguém tenha acabado de tomar café, aberto um livro ou simplesmente vivido ali. Durante muito tempo, esse foi o retrato do bom gosto. Bonito, organizado, impecável. E um pouco sem graça, convenhamos. Essa decoração tinha até nome: clean…

Agora, começam a ganhar espaço casas menos montadas para parecer perfeitas e mais preenchidas pela vida de quem mora nelas: objetos de viagem, livros, lembranças, antiguidades, coisas escolhidas pelo afeto e não apenas porque combinam entre si. Esse movimento já ganhou até nome: cluttercore. Uma espécie de elogio à casa cheia de coisas, desde que essas coisas tenham alguma história para contar.

Vou abrir aqui parênteses: minha casa é mais sobrecarregada, vamos dizer assim. Mais barroca do que grande parte das casas que eu conheço. Muitas pessoas entram e dizem: “nossa, quanta coisa você tem…” Mas, na verdade, tudo o que está lá sou eu, aquela é a história da minha vida.

Voltando ao assunto: o minimalismo não apareceu por acaso. Num mundo acelerado, chegar em casa e encontrar silêncio visual, poucos objetos e tudo no lugar poderia ser quase terapêutico. Entendo perfeitamente. O problema começou quando a calma virou fórmula. Uma casa atrás da outra, com o mesmo sofá claro, a mesma pedra revestindo o chão, o mesmo objeto de design colocado naquele ângulo perfeito para a fotografia. A simplicidade foi ficando parecida demais com falta de personalidade.

É aí que o tal “cluttercore” fica interessante. Ele devolve à decoração aquilo que talvez nunca devesse ter saído dela: a biografia de quem mora ali. Um cartão-postal de Roma encostado numa estante, uma luminária encontrada num mercado de pulgas, livros empilhados porque foram lidos, e não porque combinam com a cor do tapete. Gosto dessa ideia mesmo porque uma casa pode revelar muito antes mesmo de seu dono começar a falar. Aliás, acho delicioso entrar num lugar e ir descobrindo a pessoa pelos objetos.

Essa mudança também mexe com a ideia de luxo. Durante algum tempo, sofisticação parecia significar eliminar. Tirar coisas, esconder rastros, reduzir informação. Agora começa a aparecer outro desejo: cercar-se do que tem significado. O The Fife Arms, um hotel na Escócia que leva essa ideia para os próprios quartos, aposta em antiguidades, obras de arte e referências à história local. A Gucci também voltou aos próprios arquivos para recuperar criações do passado. Há algo muito contemporâneo nisso, curiosamente: olhar para trás para fugir da sensação de que tudo acabou ficando igual.

Acho que muita gente deve estar cansada de morar dentro de imagens prontas. A casa de catálogo funciona muito bem no papel, mas é difícil criar intimidade em um ambiente que não guarda memória nenhuma. E memória costuma ser meio indisciplinada. Ela se acumula. Ocupa estantes. Mistura épocas. Às vezes nem combina direito.

Tenho cada vez mais simpatia por casas assim. Casas em que dá para perceber viagens, leituras, afetos, escolhas meio inexplicáveis. Coisas que talvez um decorador mandasse guardar, mas que a gente simplesmente gosta de ter por perto. Afinal, bom gosto também pode ser saber o que merece ficar.

No meio de tanta vontade de editar a vida, talvez deixar algumas marcas à mostra seja uma pequena sofisticação. Uma casa impecável impressiona. Uma casa com alma dá vontade de ficar. E isso, para mim, vale muito mais.


FUNCIONÁRIA OU FAMÍLIA?

A casa está arrumada, a agenda funciona, a roupa volta da lavanderia, a mala aparece pronta em cima da cama. Tudo em ordem. E, ainda assim, parece faltar alguém que repare que o protetor labial acabou, que a orquídea precisa ser replantada ou que hoje, simplesmente, você precisa ser cuidada. Pois o Financial Times conta que esse tipo de atenção já virou profissão entre clientes muito ricos de Nova York e Londres. É a “house doula”, uma espécie de doula da casa. Achei curioso. Depois achei um pouco assustador. E, pensando melhor, muito revelador.

A função apareceu justamente para ocupar um espaço que os serviços domésticos tradicionais nem sempre alcançam. Tem gente que já conta com arrumadeira, assistente pessoal, secretária, uma pequena estrutura inteira para fazer a vida funcionar e, mesmo assim, contrata alguém para cuidar dos detalhes que ninguém percebe. A house doula arruma gavetas, prepara malas, leva roupas para a lavanderia, replanta orquídeas, organiza peças íntimas por cor, repõe produtos que estão acabando: é quase uma administração afetiva da casa.

Sabemos que dinheiro sempre comprou serviço. O interessante agora é perceber o quanto ele anda tentando comprar atenção. Aquela atenção doméstica, quase invisível, que sabe onde está cada coisa, antecipa o surgimento de um problema para logo resolver, entende uma rotina e ajeita tudo antes mesmo de alguém pedir.

Em Londres, esse tipo de profissional chega a cuidar da vida prática de dezenas de clientes e funciona como uma espécie de “Google humano”. É quem recebe uma mensagem de alguém já dentro do avião, preocupado por ter esquecido alguma coisa, corre até a casa e confirma que o objeto continua na mesa de cabeceira. Ou quem atende uma mãe aflita porque o filho saiu da piscina com os olhos vermelhos e percebe rapidamente que o problema era o protetor solar, e não a água. Parece banal — só que esse banal virou artigo de luxo.

Há três anos, uma vaga oferecida por uma família influente do mundo da arte viralizou ao prometer muitas dezenas de milhares de dólares por ano para alguém capaz de tornar a vida do casal “o mais fácil possível”. A repercussão foi tamanha que a situação acabou inspirando “The Simp”, um romance de humor ácido sobre um ator fracassado que aceita servir um casal poderoso de Hollywood na esperança de conseguir um papel. O acordo, claro, sai do controle.

A reportagem lembra ainda que famílias ricas da Índia convivem há gerações com estruturas muito amplas de ajuda dentro de casa. No Ocidente, exigir tamanha disponibilidade pessoal de um funcionário costumava soar excessivo. Agora, aparentemente, a fronteira ficou mais elástica. Quanto mais dinheiro existe para eliminar incômodos, mais sofisticada fica a definição desses profissionais.

Mas fiquei pensando em outra coisa. Que talvez essa necessidade de contratar alguém para cada pequeno perrengue também diga alguma coisa sobre a fragilidade das nossas redes de apoio. Quem a gente chama quando perde um voo, esquece alguma coisa importante em casa, precisa buscar um filho, resolver uma emergência, desabafar no fim de um dia horroroso? Durante muito tempo, essas pequenas crises eram também território de amigos, irmãos, vizinhos, família. A gente pedia favor, incomodava um pouco, retribuía depois. E, nesse vai e vem meio desorganizado, os laços iam ficando mais fortes.

Porque amizade e família também se constroem no perrengue. É quando alguém atravessa a cidade para entregar uma chave, aparece com uma sopa, cuida do cachorro, busca uma criança, escuta um drama que já ouviu três vezes. Essas situações dão trabalho, claro. Mas criam intimidade. Criam história. Fazem a gente saber com quem pode contar e, talvez mais importante, lembram que alguém também pode contar com a gente.

Quando toda necessidade vira um serviço disponível sob demanda, existe o risco de a vida ficar muito eficiente e um pouco solitária. A house doula acaba ocupando justamente esse lugar delicado entre a ajuda prática e o cuidado, entre resolver uma gaveta e perceber que alguém está muito cansado. E talvez seja por isso que essa profissão diga tanto sobre o nosso tempo.

Desejos de consumo

Parece que foi dado o start na temporada de grandes festas, já a caminho do final de ano: fiquei sabendo de alguns black ties por aqui, outro em Lisboa e outros pelo mundo afora. Embalada por tudo isso e pelo Festival de Cinema de Veneza, com looks maravilhosos no tapete vermelho, fiz a minha pesquisa desta semana no Iguatemi. Abaixo, minhas escolhas!

1 - Esse longo de Patrícia Vieira, todo de couro, inclusive as rendas, me deixou enlouquecida: que luxo!

2 - E esse colar Fauna e Flora da Cartier? É o que a gente pode chamar de “cinematográfico”!

3 - Para ficar elegante, vale até esse salto nesse slingback impecável da Ferragamo​

4 - Não é de hoje que sonho com essa bolsa Rabanne ,da NK: arremate perfeito para qualquer look

5 - Ah, esse lenço de seda da Dolce Gabbana, cheio de rosas, serve para segurar na mão, assim como quem não quer nada…


Essa semana recebi André Carvalhal aqui em casa. Ele passou dez anos na Farm, saiu e criou a Ahlma, marca de moletons e camisetas que eu mesma usei e amei por anos. Fechou na pandemia e, até hoje, sinto falta.

Ele foi muito honesto sobre o trauma de empreender sozinho, sobre como mudou sua relação com o consumo, e sobre a solidão de mudar de verdade antes de encontrar gente nova no caminho.

No fim, ele deixa um recado forte para quem nasceu depois da internet, sobre telas e equilíbrio.

A conversa completa já está no canal.
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https://www.youtube.com/F_TJAj9jwX8​

3 perguntas para

Carla Reinés passou mais de três décadas construindo imagens para marcas, projetos e empresas. Artista gráfica, designer e diretora de arte, fundou há 32 anos a Fio, estúdio de arte e design com trabalhos para grandes marcas. Nos últimos anos, esse repertório visual ganhou um caminho mais íntimo. Em seu projeto Quadros de Memória, Carla reúne fotografias, bilhetes, tecidos, convites e outros pequenos vestígios de uma história para criar obras que preservam aquilo que o tempo tende a dispersar. Entre o design e a arte, seu trabalho parte hoje de uma matéria-prima especialmente delicada: as lembranças.

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​1. Há uma diferença entre ter bom gosto e ter olhar?

Impossível ter bom gosto sem ter olhar. O bom gosto é só um dos atributos que adquirimos quando conseguimos olhar de verdade. É preciso olhar grande: olhar para o mundo, olhar em volta, olhar o próximo. Só assim treinamos a nossa visão e adquirimos percepção para um olhar afiado sobre aspectos mais sutis, como o lado estético.

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​2. Em que momento você percebeu que tinha desenvolvido uma linguagem própria, um jeito de olhar e criar propriamente seu?

Sempre usei meu olhar sobre as pessoas para criar marcas e fazer design. Acredito que a grande maioria das empresas tem a cara do dono ou de quem as fundou, seja no estilo ou no comportamento. O universo humano é o material de trabalho mais rico que conheço. Precisamos usá-lo mais! Esse fascínio pelo lado humano me levou a um projeto em que crio quadros de memória. A nossa memória tem muitas camadas. Os quadros também. Eles são compostos por texturas, imagens e cores que, juntas, nos remetem a lugares e momentos importantes pelos quais passamos na vida.

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​3. Você viveu um período do design brasileiro anterior às redes sociais e acompanhou toda essa mudança: o que ficou mais interessante na profissão e o que ficou mais pobre?

De lá para cá, ganhamos muitas ferramentas digitais maravilhosas para facilitar o trabalho de criação. Isso, junto com o fácil acesso a informações, elevou o nível das apresentações, aumentou o leque de possibilidades, trouxe maior diversidade e mais liberdade. Em contrapartida, os prazos diminuíram e o tempo para amadurecer cada trabalho também. Mas essa mudança não acontece só na área do design. É um movimento global, um novo ritmo humano. Com a rapidez e a quantidade de informações que as redes sociais impõem, surgiu um novo jeito de pensar, que influenciou até a maneira de armazenar informações na nossa cabeça. Muita coisa para absorver e, no meio disso tudo, coisas boas e momentos importantes podem cair no esquecimento. É preciso, cada vez mais, cuidar da nossa memória para preservar o que realmente interessa.

Direto do meu Instagram

Essa Semana Eu…

Coloquei na lista dos próximos livros a ler: “Os imortais", de Paulliny Tort, vencedora de vários prêmios e lançado pela editora Fósforo — os comentários são de que se trata de uma obra-prima

Fiquei orgulhosa de que o brasileiro Miguel Gandelman, filho do saxofonista Léo Gandelman, ganhou o prêmio Emmy pela direção do show de Bad Bunny no Super Bowl

Fiquei encantada com as canecas vermelhas criadas pela Loewe para a Zara Home​

Acompanhei pela TV a loucura dos fãs do DJ Calvin Harris debaixo da chuva no Rock in Rio

Celebrei a elegância do ator John Malkovich usando Dior no tapete vermelho do Festival de Veneza — e também a alegria de Débora Nascimento, maravilhosa de branco, ao lado do diretor Gael García Bernal e de Ricky Martin, lançando o filme deles também no festival

Fiquei sem palavras ao conferir o look sensacional de Naomi Osaka no US Open

Já estou procurando a lista de espera para uma sandália assinada pela Etro com a Birkenstock: puro charme

Marquei na agenda o lançamento, quarta-feira, da coleção assinada em conjunto pelo AD.STUDIO, de Paloma Danemberg, e a branco.casa — eles criaram uma coleção de papéis de parede e painéis inspirados nas peças garimpadas por Paloma

Estou louca para ler o livro “Aspects of Love”, da The School of Life, uma coletânea de ensaios sobre desejo, intimidade, ambivalência e compaixão — a ideia parte de algo que achei muito interessante: amar não seria um talento natural, mas sim uma habilidade que também pode ser aprendida

Adorei a parceria entre Bugaboo e Stella McCartney, com carrinhos de bebê e acessórios de edição limitada feitos com materiais reciclados e processos de tingimento sem água: a campanha traz Poppy Delevingne ao lado de seu cavalo, Romeo

Descobri que Helsinque ganhou uma ilha inteira dedicada às saunas: a Saunasaari reúne saunas de fumaça, banheiras aquecidas a lenha e, para completar, o ritual finlandês, com direito a mergulhos no mar Báltico

Achei curiosa a parceria entre a Fabric, uma das casas noturnas mais conhecidas de Londres, e a Catedral de St Paul’s: as duas vão promover uma série de apresentações ao vivo pelos próximos quatro anos, embora, segundo a própria Fabric, sem “rave nos bancos da igreja”

Já fiquei sonhando com o novo celular dobrável da Apple​

Entrei no túnel do tempo assistindo Elton John pela TV ao vivo no Rock in Rio — que figura!

Pirei com a collab da Celine com a Reebok: modernidade na medida

Descobri que Letícia Genesini dá o start no dia 26 em seu primeiro curso sobre literatura e psicanálise, batizado de “As Máquinas do Mundo”, no IPLA, falando de Dante a Camões, passando por Haroldo de Campos

Soube que depois de uma temporada de sucesso numa pop-up, o restaurante Indochine, meu favorito em Nova York desde os anos 1980, vai ocupar agora um dos andares do restaurante da loja de Giorgio Amani, em Milão — quero ir!

Participei, mesmo com uma chuva que não parava, do animado aniversário de Ana Helena Pires em sua casa, lotada de amigas de toda uma vida, muitas do mundo das artes

video preview​

Que delícia ver Guilherme Arantes, que eu amo, com seu piano pela primeira vez num Rock in Rio aos 73 anos! E junto com o Roupa Nova, outro clássico, que não se apresentava no festival há 35 anos! Foi uma delícia ver eles passarem em revista a memória musical brasileira e a gente poder cantar junto. Todo astral está aqui neste vídeo. Pra gente aproveitar!

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