Que tal aprender a ler gente? E a compartilhar uma mesa enorme? E a buscar a felicidade no lugar onde ela está? Sim, tem tudo aqui: venha!

Não se pode dizer que estamos vivendo os melhores tempos por aqui: muita polarização, muito o bem contra o mal, muito o mal contra o bem. Enquanto as próximas semanas vão servir para nos conscientizar, a vida continua passando, e a terra, essa continua rodando. E parece que o ritmo está bem mais acelerado… É uma ótima hora para ler mais e a Nobel de Literatura nos dá um exemplo de vida que pode ajudar neste momento tão delicado: um passeio pelo bosque, o silêncio. A cultura nos ajuda, a leitura e a arte também — não resolvem os nossos problemas mas nos ajudam a entender melhor o mundo. E esse é o primeiro passo.


O MANUAL DA ALMA

A gente compra uma cafeteira e ela vem com manual. Troca de computador e passa um tempão entendendo comando, configuração, sinal de alerta. Agora, quando o assunto é gente, entramos sem instrução nenhuma. Namoramos, casamos, convivemos e vamos descobrindo no susto onde aperta, o que trava e por que aquela pessoa tão adorável pode ficar absolutamente impossível de se conviver numa terça-feira à noite.

Um ensaio da The School of Life, chamado An Instruction Manual to Oneself, ou “Um Manual de Instruções para Si Mesmo”, parte justamente dessa ideia: talvez fosse muito mais fácil conviver se cada um soubesse explicar um pouco melhor como funciona. Parece engraçado, mas faz muito sentido. Porque ninguém chega num primeiro encontro avisando que fica frio quando está magoado, que reage mal quando se sente vulnerável ou que tem a péssima mania de concordar com tudo para, meses depois, aparecer com uma coleção de ressentimentos.

E aí começa o trabalho de detetive. Um “vai embora” pode esconder medo de abandono. A implicância com a louça ou com a roupa fora do lugar pode ser uma tentativa de controlar a casa quando a relação parece fora de controle. O problema é que geralmente descobrimos essas traduções no pior momento possível: no meio da briga, quando ninguém está exatamente disposto a fazer interpretação simultânea da alma alheia.

Fiquei pensando como seria útil conhecer esse manual antes. Não para entregar ao outro uma lista de exigências ou explicações, claro. Mas para dizer: “olha, comigo acontece isso” ou “quando me sinto assim, costumo reagir de tal forma”. E sinalizar para o outro que nossos defeitos existem também mostra que nós sabemos da existência deles — e essa consciência já é um grande passo.

Talvez seja justamente aí que more uma forma muito adulta de intimidade. Não em conhecer alguém tão bem a ponto de adivinhar tudo, mas em não obrigar quem está ao nosso lado a adivinhar o que estamos sentindo ou como pensamos. Existe uma diferença enorme entre ter defeitos e deixar o outro sozinho tentando decifrá-los.

Passamos boa parte dos relacionamentos esperando que o amor venha equipado com telepatia. Está achando engraçado? Mas é bem assim… Queremos que a pessoa perceba o que sentimos, entenda nossos silêncios, traduza nossas grosserias e ainda descubra, por conta própria, qual ferida antiga resolveu aparecer naquele jantar. Convenhamos: é pedir bastante. Ou melhor, é pedir demais.

Talvez um bom manual da alma seja bem menos complicado: saber dizer onde dói. Reconhecer onde costumamos errar. Avisar quando uma reação fala mais do nosso medo do que do outro. E pedir desculpas quando, apesar de todas as instruções, a máquina dá defeito. Gosto muito dessa ideia. E tento a cada dia melhorar nesse quesito. Mesmo porque, no amor, autoconhecimento também é uma delicadeza.


UMA MESA E UMA HISTÓRIA

Comer não é apenas sobre comida, e isso nós sabemos bem. A gente escolhe o restaurante também pelo ambiente, pela iluminação, pelo barulho, pela companhia, pela mesa em que vai sentar. E, depois de tanta refeição apressada, delivery e celular apoiado ao lado do prato, parece que estamos redescobrindo uma coisa bastante básica: o prazer de comer junto.

Li uma reflexão sobre o chamado "communal dining", essa vontade de recuperar a refeição como espaço de convivência. A inspiração vem de tradições antigas, como as mesas das casas indianas e os longos almoços italianos, mas ganhou roupagem atual nos supper clubs, nas chef's tables e nos cafés comunitários. São lugares pensados para que a gente fique, converse com desconhecidos e conheça quem está sentado ao lado. Parece pouco, mas hoje já é quase um acontecimento.

Achei interessante perceber como a hospitalidade começou a prestar atenção nisso. Um dos exemplos é o Jnane Tamsna, hotel-boutique em Marrakech que abriga um restaurante farm-to-table e faz da mesa uma parte importante da experiência. Os jantares podem acontecer nos jardins da propriedade, num ambiente pensado para prolongar a refeição e a convivência. Entram nessa onda também os espaços dedicados ao "slow dining", o jantar sem pressa, tudo pensado para prolongar a conversa e fazer da refeição uma memória. Afinal, de quantos jantares maravilhosos a gente lembra pelo prato e de quantos lembra por causa da conversa? Do ambiente?

A graça da mesa está muito aí. Ela nos convoca a permanecer. Não dá para acelerar uma boa conversa do mesmo jeito que aceleramos um áudio, nem passar para a próxima pessoa com o movimento do dedo. Durante algumas horas, estamos ali, comendo, ouvindo, contando histórias e, às vezes, até nos encantando com desconhecidos.

Num momento em que tanta coisa na nossa vida foi ficando individual, rápida e picotada, acho gostoso que a novidade seja uma mesa bem comprida. Pode ter cenário lindo, chef e toda a curadoria do mundo. Mas a fórmula autêntica e original continua bastante rudimentar: cadeira, comida, gente e tempo. E funciona há séculos.

A COLUNA DO MEIO

Quando começa a meia-idade? Pergunta perigosa… Aos 40? Aos 50? Aos 60? Depende, aparentemente, da idade de quem responde. Quanto mais velhos ficamos, mais para a frente empurramos essa fronteira. Acho engraçado e me reconheço um pouco nessa matemática criativa.

A The Atlantic chamou essas etapas da vida de "fuzzy phases", fases meio nebulosas, que ninguém sabe muito bem onde começam ou terminam. E a confusão é ótima. No Reino Unido, as pessoas dizem, em média, que a meia-idade começa aos 35 e termina aos 58. Nos Estados Unidos, 55% acham que alguém de 65 anos ainda está nela. E, segundo um estudo citado pelo The Wall Street Journal, 20% dos jovens entre 25 e 34 anos já se sentem de meia-idade. Vinte e cinco! Dá vontade de avisar: calma, gente…

Margie Lachman, psicóloga da Universidade Brandeis, em Massachusetts, nos Estados Unidos, que pesquisa o assunto há mais de 30 anos, encontrou uma coisa reveladora. Quem está na casa dos 20 imagina a meia-idade entre os 40 e os 53. Quem chegou aos 70 prefere colocá-la entre os 48 e os 65. Ou seja, o calendário envelhece junto com a gente. E talvez isso diga bastante sobre o nosso medo de entrar oficialmente para o clube.

Porque “meia-idade” ainda vem acompanhada daquela palavra meio assustadora: crise. Chip Conley, autor de "Learning to Love Midlife", lembra que “crise” continua sendo a associação mais comum com essa fase, embora a famosa midlife crisis esteja longe de ser uma regra. Enquanto isso, a aparência também embaralhou os sinais. Protetor solar, retinol, procedimentos estéticos, facelift. Kris Jenner, nos Estados Unidos, e tantas brasileiras famosas por aqui chegaram aos 70 com um rosto que certamente não ajuda ninguém a fazer contas.

Os antigos marcadores também perderam a pontualidade: casamento, filhos, casa própria, carreira consolidada. Tudo pode acontecer mais tarde, em outra ordem ou simplesmente não acontecer. Então, talvez a idade diga menos do que o lugar que ocupamos na vida dos outros.

Gostei dessa ideia. E tem também a tal da “geração sanduíche”: aquela fase em que estamos cuidando dos filhos e começando a cuidar dos pais. No trabalho, já temos experiência para orientar quem chegou depois, mas ainda respondemos a quem veio antes. É uma posição curiosa. Você está no meio. Dá conselho para um lado, resolve problema do outro e, quando percebe, virou adulto de referência. Socorro…

Para alguém que não desiste de escolher números, especialistas colocam a meia-idade entre 45 e 65 anos. Pronto. Temos uma resposta, para quem precisa dela.

Eu prefiro a parte nebulosa. Talvez a graça desta questão esteja em não sabermos direito onde estamos. Já acumulamos histórias suficientes para olhar para trás com alguma perspectiva, mas ainda existe bastante coisa pela frente. E isso, convenhamos, é uma posição bastante interessante.

Passamos tanto tempo tentando parecer mais jovens que às vezes esquecemos de aproveitar a idade que finalmente temos. Mas confesso: eu e bastante gente estamos começando a achar o meio um lugar bem gostoso. E interessante…

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EM BUSCA DA FELICIDADE

Ficamos obcecados em eliminar pequenos incômodos. Comida chega na porta, compra passa pelo caixa automático, aula de spinning acontece na sala de casa, corrida de Uber pode vir com a opção de silêncio. E os fones, cada vez melhores, conseguem a proeza de cancelar até o “bom dia” do vizinho. Tudo parece muito prático. Só que comecei a pensar no que estamos cancelando junto com o ruído…

O livro "Against Convenience", do jornalista Gabe Bullard, parte de uma provocação ótima: existe um preço social escondido nessa obsessão pela conveniência. A tecnologia vai retirando os pequenos atritos do caminho e, de quebra, leva embora algumas pessoas também.

Acho especialmente engraçado quando, no supermercado, vejo gente fazendo fila no self-checkout enquanto o caixa com atendente está vazio. Economizamos o quê, exatamente? Talvez os vinte segundos de conversa. Um “boa tarde”, uma reclamação sobre o tempo, qualquer banalidade. Parece pouco, mas, sinceramente, para mim, essa é uma das graças da vida: ficar conversando com quem eu não conheço. E mais: a vida em comunidade é feita de uma quantidade enorme dessas coisas pequenas. Os pequenos rituais que fazem toda a diferença…

O escritor americano Kurt Vonnegut, um dos grandes nomes da literatura do século 20 e autor de “Matadouro-Cinco”, entendia isso de um jeito delicioso. Ele evitava manter uma caixa de envelopes em casa. Preferia sair para comprar um de cada vez. Era uma desculpa para caminhar, encontrar gente, olhar a rua. Grande Kurt! Quase o oposto da lógica atual, em que eficiência significa resolver tudo sem precisar encontrar ninguém.

Existe pesquisa mostrando que talvez a gente esteja fazendo uma conta errada. O estudo "Mistakenly Seeking Solitude", citado no artigo, aponta que costumamos imaginar que ficar sozinhos será mais agradável do que interagir com desconhecidos. Só que esses encontros aparentemente insignificantes, com o barista, o vizinho, alguém na fila, o frentista do posto de gasolina, ajudam a criar os tais “laços fracos” que dão textura à vida coletiva.

Até o café entrou nessa história. Um pedido cheio de personalizações feito pelo aplicativo pode ser maravilhoso para quem não quer esperar ou conversar, mas também ajuda a converter aquele lugar em ponto de retirada. Entra, pega, sai. A mesma lógica aparece quando trocamos telefonemas por mensagens e até quando buscamos nas inteligências artificiais uma companhia disponível, sem demandas e sem reciprocidade.

Não sou contra facilidade, por favor! Adoro várias. Mas talvez tenhamos confundido inconveniência com desperdício. Algumas chatices obrigam a gente a sair da própria bolha. Pedir um favor. Devolver outro. Cuidar do cachorro do vizinho. Ouvir uma história que não estava nos planos. Esperar um pouco. Conversar.

A conveniência promete devolver tempo. Maravilha. A questão é o que fazemos com ele se, para economizá-lo, retiramos justamente os encontros que davam graça ao caminho. Talvez valha, de vez em quando, escolher a fila com gente. Tirar os fones. Comprar um envelope por vez. Dá mais trabalho, claro. Mas felicidade de verdade sempre deu.


SEXO E OUTRAS COISAS MAIS

A gente se acostumou a associar religião a uma certa caretice. Casal religioso, no imaginário moderno, parece viver entre culpa, repressão e sexo protocolar. Pois uma reportagem da The Atlantic, baseada em um relatório do Institute for Family Studies, traz uma surpresa boa: entre os casados de 20 a 54 anos, quem frequenta cultos ou missas regularmente está fazendo mais sexo e se diz mais satisfeito com a vida íntima do que quem não pratica uma religião.

Os números chamam a atenção. Nos anos 1990, religiosos e seculares estavam praticamente empatados: cerca de 64% faziam sexo pelo menos uma vez por semana. Hoje, entre os não religiosos, esse índice caiu para 48%. Entre os praticantes que frequentam a igreja ao menos duas vezes por mês, continua em 62%. E, numa pesquisa de 2026 citada pela revista, 49% das esposas religiosas disseram estar sexualmente satisfeitas, contra 38% das seculares. Não deixa de ser surpreendente!

Achei curioso porque a explicação parece estar bem menos no sexo do que naquilo que acontece em volta dele. Esses casais tendem a dar um sentido maior ao casamento e a valorizar fidelidade, perdão, compromisso e oração. Claro que estamos falando de uma tendência estatística, longe de uma regra universal. Sabemos bem que frequentar uma igreja não torna ninguém automaticamente mais generoso, fiel ou disponível dentro de uma relação. Mas, olhando para o conjunto, é interessante perceber como certos valores cultivados por essas comunidades podem aparecer também na intimidade do casal. A oração diária, segundo os dados apresentados pela The Atlantic, aumentaria em 1,29 vez as chances de satisfação íntima. E existe também uma disposição maior para lidar com diferenças de desejo sem fazer delas uma guerra doméstica.

Mas a parte que mais me interessou vem depois. Religião também significa, para muita gente, comunidade. Se religar. Pessoas que se encontram, conversam, ajudam umas às outras, conhecem a família, aparecem quando alguma coisa dá errado. Num tempo em que a vida anda cada vez mais solitária e mediada por telas, isso talvez pese muito. Segundo o relatório, contar com apoio de amigos e familiares aumenta em 23 pontos percentuais a chance de considerar o casamento muito feliz.

Claro que religião e casamento tradicional têm seus problemas, inclusive histórias de misoginia e submissão. A própria discussão citada pela reportagem passa por essas críticas. Mas reduzir toda a experiência religiosa a isso também parece simplificar demais a coisa.

Acho que a provocação mais interessante desses dados seja outra: enquanto procuramos aplicativos, terapias, fórmulas e técnicas para melhorar a intimidade, pode ser que uma parte importante dela dependa de coisas bem antigas. Tipo ter com quem contar. Conversar. Perdoar. Cuidar do vínculo. Fazer parte de um grupo. Olhar para o outro com alguma generosidade. Sexo, pelo visto, também gosta de companhia.

Desejos de consumo

Está chegando a hora! Sim, o Iguatemi Talks acontece logo mais, nos dias 20 e 21 outubro, e a preparação começa agora! Como a ideia é chegar cheia de estilo, com roupas confortáveis, mas sem perder o charme, fui em busca de algumas opções nos corredores do Iguatemi. Ansiosa!

1 - Para causar uma boa impressão logo na chegada, escolhi esse look da Tory Burch: clássico, mas será transformado pelos acessórios

2 - Essa bolsa de Valentino é o primeiro toque inusitado

3 - Essas sandálias da Loewe garantem o charme e, com o salto mais baixo, o conforto

4 - O copo térmico da Nespresso vale para quem quiser, como eu, levar seu próprio chá: se hidratar é necessário

5 - Para dar um up no look, esse carré de seda de
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Salvatore Ferragamo — e também para se proteger do ar refrigerado, sempre onipresente nessas ocasiões


Todo museu, no fundo, é sobre pessoas.

Uns contam pela arte, outros pela língua, outros pelos objetos que alguém deixou. Então, o que faz o Museu da Pessoa ser diferente de todos os outros?

Foi a primeira coisa que perguntei a Karen Worcman, que criou o museu há 35 anos e já guardou mais de 20 mil histórias de vida. A resposta dela é simples e me pegou: ali ninguém entra pelo que fez, pelo que produziu ou pelo que representa. Entra pelo que viveu.

A conversa foi parar num pastor de rua, num ex-assaltante do Carandiru e numa pergunta que eu não resisti: existe história que não merece ser contada?
A entrevista completa já está no meu canal do YouTube:
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https://www.youtube.com/DXLPhZnHZdQ​

3 perguntas para

Patricia Landmann cresceu vendo o chocolate ganhar forma dentro de casa. Ela acompanhou de perto o nascimento da Chocolat du Jour, criada por sua mãe, Claudia Landmann, no fim dos anos 1980, com a ideia de fazer no Brasil chocolates finos à altura dos grandes nomes europeus. Anos depois, Patricia encontrou seu próprio lugar nessa história pela comunicação, pela criação e pelo olhar para a marca. Hoje, ao lado do irmão, dá continuidade a um legado que também aprendeu a mudar de direção: o que antes buscava referência fora passou a olhar cada vez mais para dentro, para o cacau fino brasileiro, para a produção local, para a possibilidade de transformar origem em identidade. Entre tradição e reinvenção, Patricia conduz uma marca que nasceu olhando para a Europa e amadureceu descobrindo que parte de sua força estava, desde sempre, muito mais perto de casa.

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​1. Em que momento você deixou de enxergar a Chocolat du Jour como “o trabalho da minha mãe” e percebeu que também poderia ser a sua história?

Sempre enxerguei a obra de minha mãe com admiração e, ao mesmo tempo, sempre amei chocolate. Nunca tive a pretensão de ocupar o lugar dela, mas entendi que poderia somar na minha área (comunicação). Durante quase 20 anos, trabalhei ao lado dela no marketing, comunicação, criação de produtos, e aprendi muito sobre chocolate, cacau, varejo e relacionamento com clientes. Ela era uma superempreendedora, com uma visão clara do que queria fazer, pois acreditava muito no que ela estava oferecendo. Acho que o fato dela ser apaixonada pelo que fazia, amar chocolate e sua personalidade superativa, criativa e, ao mesmo tempo, perfeccionista, ficaram cravados no DNA da marca. Excelência (tanto no conteúdo como na apresentação), frescor e arte/artesania são valores muito importantes para nossa marca. O foco também foi muito importante, de se manter neste segmento exclusivo do chocolate fino. Hoje, ao lado do meu irmão, que é CEO da empresa, estamos dando continuidade a este legado, que nos traz muito orgulho. Também temos a oportunidade de continuar explorando esse universo mágico do cacau e chocolate, testando novas combinações, aprimorando técnicas e criando novos produtos e formas de apresentar.

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​2. Em que momento vocês perceberam que não precisavam mais olhar para a Europa como referência?

Continuamos olhando referências no mundo inteiro, mas sempre foi um sonho produzir chocolate a partir de cacau fino brasileiro. Quando isso se tornou possível, abraçamos esse projeto. Começamos com uma linha específica de cacau bean to bar, com cacau fino brasileiro, por volta de 2005, e, neste início, muitos clientes questionavam: "Mas por que usar cacau brasileiro?”. Hoje o Brasil é cool e o mundo valoriza nossa cultura e ingredientes, mas no início existia um certo preconceito, que foi superado depois que o cliente experimentava o chocolate a partir deste cacau. Aos poucos fomos migrando toda nossa linha de produção para cacau fino brasileiro. É muito gratificante poder oferecer um chocolate fresco e com cacau nosso, afinal a Bélgica e a Suíça não têm essa possibilidade, pois não têm plantação nem clima para cultivo de cacau.

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​3. Quando você imagina a Chocolat du Jour daqui a dez anos, o que gostaria que tivesse mudado e o que gostaria que continuasse exatamente igual ao que sua mãe criou?

Gostaria que a qualidade/excelência em todas as etapas fossem mantidas e que possamos continuar evoluindo.

Foi uma tarde ensolarada e de muito aprendizado, de trocas e de bastidores do mundo das artes: afinal, como se inicia uma coleção? Como perceber que um jovem artista promete? Como funcionam as feiras de arte? É bom investir nesse setor? Tudo isso fez parte da minha conversa com Fernanda Feitosa, especialista nesse tema, na última quinta-feira, na charmosa Casa Piauí, em Higienópolis. Veja acima quem participou

​helbor.com.br/empreendimentos/casa-piaui-higienopolis​

Direto do meu Instagram

Essa Semana Eu…

Recebi um convite de Tyler Brûlé, criador da revista Monocle, para um encontro com ele e seu time aqui no hotel Fasano

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Fiquei bastante feliz que a escolha da Nobel de Literatura foi a escritora canadense Anne Carson e amei a maneira como ela comemorou a notícia de ter recebido o prêmio: um passeio silencioso pelo bosque perto da casa dela

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Ao mesmo tempo, fiquei decepcionada por Adélia Prado não ter sido nem indicada como candidata ao Nobel: leio todas as noites um dos poemas de seu livro “Jardim das Oliveiras” em voz alta

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Depois de vários meses, fui comer uma pizza no Bocada’s, uma das minhas preferidas na cidade: fica na Barra Funda e o dono, Jorge, é meu amigo há muito tempo

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Participei, na segunda-feira, de um concerto que comemorou o aniversário da Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (Tucca) com o israelense Avi Avital tocando bandolim com a Orquestra Barroca São Paulo 440: foi uma noite muito especial

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Iniciei as conversas com o criador Rochester Oliveira, do Clube Salatino, para a chegada de um novo cachorrinho em casa: ai, que sonho…

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Vi nas novas coleções da Balenciaga um sapato e uma bolsa que me tiraram do sério…

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Participei da gravação do programa de Bia Paes de Barros, “Confashionals”, para o YouTube — foi muito gostoso

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Fiquei triste que estarei fora de São Paulo durante a Feira de Literatura do Museu Judaico, que acontece estes dias e cujo cardápio está maravilhoso

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Fiquei enlouquecida com o desfile da Chanel e com Matthieu Blazy, o estilista da marca, cada vez se superando mais

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Descobri o “punk wellness”, tendência que está ganhando força entre jovens na China: bares que misturam vida noturna e medicina tradicional chinesa, servindo drinques feitos com ingredientes associados ao bem-estar

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Vi a Miu Miu decretando em seu desfile uma pausa nas unhas perfeitinhas: neste ano, a nail artist Mei Kawajiri apostou em esmaltes propositalmente borrados e irregulares, quase como se o namorado tivesse feito a manicure — amei!

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Também gostei do desfile da Celine, agora com o jovem estilista norte-americano Michael Rider

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Amei saber que um dos três vencedores do Nobel de Medicina, Karl Desselroth, tem 50 e poucos anos e foi aluno do psiquiatra brasileiro Beny Lafer, quando ele deu aula nos Estados Unidos

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Já recebi aqui em casa os calendários, cadernos e agendas para 2027, criados por Teca Leopoldo e Silva para sua Teca Papelaria, com desenhos de Maria Eugênia Longo, nossa ilustradora aqui na Caixa Postal

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Ganhei um livro de “Alice no País das Maravilhas”, com ilustrações de Yayoi Kusama, e me encanto só de folheá-lo

Fiquei sabendo da coleção Jacquard, assinada por Lili Tedde, diretora do Studio Edelkoort South, e por Cris e Giovanna Bertolucci, juntando moda e design de iluminação, com tecidos da RenauxView: a edição é limitada e dá vontade de ter um em casa

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Fiquei sabendo da instalação de Betina Samaia, “O outro Lado” no Parque Trianon, com curadoria de Marcello Dantas

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Li sobre a turnê que a psicanalista Esther Perel vai fazer pelo mundo: vou tentar pegá-la em fevereiro na Europa para escutá-la falar sobre “Strangers, Friends, and Lovers” — já imaginou que maravilha?

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Fiquei muito triste com a morte do jornalista Marcio Chaer, uma referência no campo jurídico, fundador do ConJur e amigo de longa data

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Já gostava de Duda Beat — acho que ela canta muito bem e tem uma personalidade única, além de um sotaque muito gostoso. Ao se juntar a Sandy para cantar um sucesso de Marina Lima, “Pessoa”, composta por Dalto, aí então eu achei o match perfeito! Duas artistas excelentes que escolheram homenagear uma de minhas cantoras preferidas e numa composição de um autor que eu admiro demais. Agora, é com vocês!

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