Olhar no olho, lembra? Ser feliz sozinho, pode? A mente tranquila, existe? Vem que aqui tem!

Sim, que dias difíceis foram esses últimos em que tivemos que medir muito mais as palavras do que o bom senso já recomenda — sempre. Dias de conscientizar, de tentar conscientizar os que estão em volta e pensar em tudo o que já passamos e no que queremos passar. A esperança é um item fundamental, mas não é o único, com certeza, e nem o mais importante. E sim o crédito, a ética a verdade, a história. O Homo Sapiens é um ser complicado e entendê-lo é mais complicado ainda. A geopolítica mundial também não está ajudando nada: aonde a gente olha, está tudo pegando fogo, literalmente. Nos resta uma escolha madura, consciente e com propósito. Mesmo porque ninguém cresce sozinho. E ninguém é feliz sozinho. Para celebrar a vida e o direito de escolher quem a gente quer no comando do nosso país, juntei abaixo algumas histórias curiosas, às vezes engraçadas, e muito inspiradoras. Um bálsamo para este momento de decisão.
Boa sorte para nós.


OLHO NO OLHO: A REVOLUÇÃO

Quem diria que, depois de tantos aplicativos prometendo encontrar a nossa alma gêmea, a grande novidade no mundo dos relacionamentos seria voltar a conhecer alguém pessoalmente? Pois é. Depois de anos deslizando o dedo pela tela, escolhendo pretendentes por fotografias e trocando mensagens que muitas vezes não levam a lugar nenhum, os solteiros parecem estar cansados. E com razão: o namoro virou quase uma segunda jornada de trabalho, com entrevistas, avaliações e uma quantidade impressionante de rejeições. Convenhamos, tem de ter muita disposição…

Uma reportagem sobre os chamados "anti-dating apps", eventos presenciais para quem desistiu dos aplicativos de namoro, conta uma história ótima. Depois de uma série de encontros frustrantes, a jornalista britânica Jess Evans resolveu organizar uma reunião de solteiros em Liverpool. Batizou a iniciativa de "Bored Of Dating Apps" (BODA), algo como “cansados dos aplicativos de namoro”, e mais de 200 pessoas apareceram. A brincadeira cresceu tanto que virou seu trabalho em tempo integral. Hoje, ela organiza jantares, caminhadas, aulas de ioga e encontros em livrarias em cidades como Londres, Amsterdã e Nova York. Tudo para fazer as pessoas conversarem. Ao vivo.

E o cansaço parece generalizado. Pesquisas citadas na reportagem indicam que cerca de 80% dos jovens da Geração Z e dos millennials já sentiram burnout com os aplicativos. Até o Match Group, dono do Tinder e do Hinge, viu suas ações perderem 64% do valor em cinco anos. Mas o que achei mais interessante foi a maneira como esses encontros funcionam. Num bar do Soho, em Londres, os participantes recebem um vale para um shot de coragem, que só pode ser tomado ao lado de alguém que acabaram de conhecer. Também ganham um cartão para entregar o número do telefone a quem acharem interessante. E existe uma regra maravilhosa: nada de ghosting, aquela grosseria contemporânea de desaparecer sem dar satisfação. Adorei.

Claro que sair de trás da tela exige uma certa coragem. A rejeição, que no aplicativo acontece discretamente, ganha rosto, voz e testemunhas. Tanto que os organizadores encontram dificuldade para atrair homens heterossexuais, muitos deles receosos de levar um fora na frente dos amigos. Mas os resultados animam: o projeto já contabiliza 15 noivados, casamentos e até um bebê. A própria Jess conheceu o marido num desses encontros.

Fiquei pensando em como a tecnologia nos acostumou a tratar as relações como um catálogo de possibilidades infinitas. Sempre pode aparecer alguém mais bonito, mais interessante, mais compatível. E, nessa procura sem fim, vamos perdendo a disposição para conhecer quem está diante de nós. Parte da graça desses encontros é que, mesmo quando ninguém encontra um grande amor, pode sair dali com uma amizade, uma boa conversa, um convite inesperado. Afinal, a vida adulta já oferece poucas oportunidades para conhecer gente nova. Se até para flertar precisamos reaprender a sair de casa e puxar assunto, alguma coisa se perdeu pelo caminho. E pensar que, durante tanto tempo, foi assim que as pessoas se conheciam…


PRONTO ATENDIMENTO

Você manda uma mensagem para um amigo, vê que ele visualizou e, horas depois, continua esperando uma resposta. Pronto. Começa aí o interrogatório mental: será que falei alguma coisa errada? Será que ele está chateado comigo? Ou será que simplesmente não quer conversar? Engraçado como a gente conseguiu transformar uma facilidade maravilhosa da tecnologia em mais uma fonte de ansiedade. Hoje, até para ser amigo parece que é preciso cumprir expediente.

Li um texto muito interessante na The Atlantic sobre os chamados "bad texters", aquelas pessoas que levam uma eternidade para responder mensagens. E descobri que o problema é maior do que imaginava. Nos Estados Unidos, por exemplo, são trocadas mais de 2 trilhões de mensagens por ano. Ao mesmo tempo, um terço das pessoas se sente sobrecarregado com esse volume de comunicação. Convenhamos, é muita conversa para administrar. Tem WhatsApp, iMessage, mensagens privadas nas redes sociais e uma quantidade interminável de notificações exigindo atenção. Sem falar nos áudios enormes, que às vezes parecem verdadeiros podcasts particulares.

O curioso é que criamos uma espécie de etiqueta afetiva baseada na velocidade. Quem responde imediatamente demonstra interesse. Quem demora passa por desatento, indiferente ou, pior, mal-educado. Especialistas observam que o atraso nas respostas passou a ser interpretado como falta de consideração. E aí mora uma confusão danada: desde quando o carinho por alguém pode ser medido pelo tempo que essa pessoa leva para digitar meia dúzia de palavras?

Mas, aqui entre nós, na minha própria experiência, percebo que quanto mais poderosa e ocupada é a pessoa para quem eu mandei mensagem, mais rapidamente ela responde. Fica aqui a dica…

Acontece que a tecnologia também nos deixou bastante desconfiados. Sem ouvir a voz ou enxergar a expressão de quem está do outro lado, interpretamos um ponto final como grosseria, uma palavra em maiúsculas como agressividade e algumas horas de silêncio como rejeição. O professor de Gestão de Tecnologia da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, Paul Leonardi, autor de "Digital Exhaustion”, chama atenção justamente para essa pressão de estar sempre disponível. Fomos feitos para criar vínculos, mas essa comunicação fragmentada, interrompida e retomada o dia inteiro tem seus limites.

Aquele amigo que demora três dias para responder pode ser justamente o primeiro a aparecer quando você está passando por um problema sério. E o contrário também acontece: tem gente rapidíssima no WhatsApp que desaparece na hora em que precisamos de companhia de verdade. Acho importante lembrar disso. Estamos confundindo disponibilidade com dedicação e criando expectativas que nem sempre fazem sentido. Nem sempre…

Claro que ninguém gosta de ser ignorado, especialmente por quem ama. Mas também acho um exagero exigir que todo mundo esteja permanentemente à disposição, como se a amizade viesse acompanhada de um contrato de atendimento imediato. As pessoas trabalham, se distraem, ficam cansadas, têm seus dias difíceis. E, às vezes, simplesmente não estão com vontade de olhar para uma tela. Será que precisamos levar isso tão para o lado pessoal? Gosto de pensar que uma boa relação também permite alguns silêncios. Afinal, melhor ter um amigo que demore a responder, mas esteja presente quando importa, do que uma coleção de coraçõezinhos e palminhas enviados de pronto. Concorda?

O SEGREDO DA VITALIDADE

Uma senhora de 92 anos batendo recordes mundiais de velocidade. Outra que começou a fazer musculação aos 82, depois de sofrer algumas quedas, e hoje, aos 91, se sente mais forte do que há dez anos. E uma maratonista de 77 anos com capacidade aeróbica comparável à de uma jovem de 25. Parece exagero, mas essas histórias são reais e fazem parte de uma reportagem deliciosa do The Washington Post sobre os chamados "super agers", pessoas que chegam aos 80 anos ou mais com memória e capacidade cognitiva de dar inveja a muita gente jovem. Fiquei fascinada. Afinal, quem foi que decidiu que envelhecer significa, obrigatoriamente, perder o vigor, a curiosidade e a vontade de viver?

A ciência anda descobrindo coisas interessantes sobre essa turma. E, para nossa sorte, nem tudo depende de uma genética privilegiada. Especialistas continuam defendendo uma receita bastante simples: comida de verdade, muitos vegetais e poucos ultraprocessados. Além disso, chamam a atenção para a importância do exercício físico, especialmente a combinação de atividades aeróbicas e musculação.

Mas o que mais me chamou a atenção foi perceber que a vitalidade também passa pelas relações que cultivamos. Segundo Nicholas Epley, professor de ciência comportamental da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, a felicidade depende muito mais da frequência dos pequenos prazeres cotidianos do que daqueles grandes acontecimentos que esperamos o ano inteiro. Um encontro com amigos, uma boa conversa, uma noite dançando. Pesquisas associam a solidão a um risco maior de demência, enquanto os vínculos afetivos ajudam a proteger a saúde do cérebro. Mais um motivo para não deixar aquele jantar com os amigos eternamente para a semana seguinte…

E eu amei saber da história de uma mulher que decidiu entrar na academia aos 82 anos, depois de algumas quedas. Hoje, aos 91, está mais forte e confiante. Existe algo de muito bonito nessa disposição de começar uma atividade nova quando tanta gente já teria desistido.

Infelizmente, não há uma fórmula para viver até os 100 anos. O corpo envelhece, a saúde exige cuidados e a genética também tem seu papel. Mas acho curioso como gastamos tanto dinheiro e energia tentando parecer mais jovens, enquanto prestamos tão pouca atenção ao que pode nos ajudar a continuar vivendo bem. A obsessão com as rugas, pela aparência e pelos sinais externos da idade acaba deixando em segundo plano aquilo que realmente faz diferença na vida cotidiana: autonomia, disposição, amigos por perto e prazer nas pequenas coisas. Melhor não deixar de focar nisso também.

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O VERDADEIRO LUXO

Viajar sozinha já foi motivo de estranhamento. Bastava uma mulher anunciar que ia passar uns dias fora, sem marido, namorado ou amigas, para aparecer alguém perguntando se ela não tinha companhia. Como se fosse preciso justificar a própria vontade de conhecer o mundo — sozinha. Pois essa história mudou, e muito. Cada vez mais mulheres estão fazendo as malas por conta própria, escolhendo o destino, o roteiro e, principalmente, o que fazer com o próprio tempo. Acho essa liberdade uma delícia. Aliás, eu mesma pratico isso há bastante tempo. E recomendo.

Uma análise recente sobre o turismo de bem-estar mostra a dimensão desse movimento: quase 65% dos viajantes solo são mulheres. E, entre aquelas com mais de 50 anos, 61% dizem preferir viajar sozinhas. Os retiros de bem-estar, que movimentaram mais de 248 bilhões de dólares em 2025, perceberam essa demanda e passaram a oferecer experiências que misturam ioga, meditação, caminhadas, surfe, escrita e pilates. Tudo pensado para quem quer sair um pouco da rotina e cuidar de si.

O curioso é que essas mulheres também querem conhecer gente. Os organizadores chamam isso de "soft networking", uma convivência espontânea, sem aquela obrigação meio chata de socializar o tempo inteiro. Você faz uma caminhada, toma um chá depois da ioga, divide uma mesa e, quando percebe, está conversando com alguém que acabou de conhecer. Ou fica quietinha, lendo seu livro. Ninguém precisa dar satisfação. Que sonho…

Mas o que mais me chamou atenção nessa história foi perceber o quanto estamos cansadas de estar disponíveis. O celular toca, o trabalho chama, a família precisa de alguma coisa, os amigos mandam mensagens. E a gente vai respondendo, resolvendo, organizando, tentando dar conta de tudo. Até nas férias existe aquela negociação sobre onde jantar, que horas acordar, qual passeio fazer. Uma gastura…

Viajar sozinha permite, por alguns dias, escapar dessas pequenas obrigações. Se quiser acordar tarde, acorda. Se preferir passar a manhã inteira sem fazer absolutamente nada, ótimo também.

Evidentemente, o mercado já descobriu uma maneira de vender essa liberdade em pacotes de bem-estar. Acho até engraçado precisar comprar uma experiência para conseguir ficar em paz consigo mesma. Mas entendo perfeitamente o desejo: a gente passa tanto tempo administrando as expectativas dos outros que acaba esquecendo como é gostoso fazer alguma coisa simplesmente porque estamos com vontade.

Fiquei pensando que talvez esteja aí uma das formas mais interessantes de luxo contemporâneo: poder escolher o próprio ritmo, ficar em silêncio sem constrangimento, mudar de ideia no meio do caminho. Passar alguns dias sem que ninguém espere nada de você. E, sobretudo, descobrir que a própria companhia pode ser a melhor de todas.


A ERA DO MENTAL FITNESS

A gente passa horas cuidando do corpo, fazendo exercícios, contando calorias, investindo em tratamentos de beleza. Mas e a cabeça? Sim, muita gente se submete a sessões de terapia, psicanálise, etc., etc. Mesmo assim, confesso que tenho pensado muito nisso. Estamos tão acostumados a passar de um vídeo para outro, responder mensagens e acompanhar mil assuntos ao mesmo tempo que já parece difícil ficar alguns minutos concentrados numa única coisa. E olha que ironia: depois de tanta tecnologia criada para facilitar a nossa vida, estamos descobrindo que pensar com calma virou quase um privilégio.

O assunto ganhou até nome: "intellectual wellness", ou bem-estar intelectual. A ideia é cuidar da capacidade de raciocinar, aprender, questionar e manter a atenção. E existe uma preocupação por trás dessa nova tendência. Durante décadas, pesquisadores observaram o chamado Efeito Flynn, um aumento progressivo nos resultados dos testes de QI. Agora, alguns indicadores apontam para uma possível inversão desse movimento. O desempenho escolar preocupa, a atenção anda cada vez mais disputada pelas telas e o excesso de conteúdo superficial ganhou até uma expressão: "brain rot", algo como apodrecimento cerebral, escolhida pelo dicionário Oxford como palavra do ano. Show de horrores.

Essa preocupação já começou a aparecer no universo da moda e do comportamento. A marca americana Coach apostou nos livros para conversar com a Geração Z, enquanto a Miu Miu criou clubes de leitura. Nas grandes cidades, palestras acadêmicas em bares, encontros para jogar xadrez e partidas de mahjong estão atraindo um público interessado em exercitar a cabeça e, de quebra, conhecer gente. Tem até o Reading Rhythms, que organiza encontros de leitura com música, e retiros que misturam livros, ioga e boa comida. Quem diria que sentar para ler ou jogar uma partida de xadrez voltaria a ser tão cool?

E o mercado, claro, já percebeu a oportunidade. Surgiram aplicativos dedicados ao "mental fitness", como o Imprint, eleito o melhor do ano pelo Google, e plataformas como a The Mind Company. Tudo para ajudar a exercitar o raciocínio e escapar daquela rolagem interminável de conteúdos que, muitas vezes, nem lembramos ter visto. Acho interessante essa vontade de recuperar o prazer de aprender. De se aquietar, de uma certa forma. Mas também acho engraçado que a gente precise de mais um aplicativo para conseguir se afastar dos aplicativos. Hi-lá-rio.

O que mais me atrai nessa história é a nossa relação com a atenção. Ficamos tão preocupados em acompanhar tudo que aparece na tela que sobra pouco tempo para formar uma opinião própria, desenvolver uma ideia ou simplesmente pensar. E pensar exige alguma paciência. Um tempo. Exige escutar, duvidar, mudar de ideia, aceitar que nem toda pergunta tem uma resposta imediata. São coisas que nenhum vídeo de quinze segundos consegue resolver.

Sou muito a favor dessa volta aos livros, às conversas demoradas e aos jogos que exigem concentração. Só espero que a ginástica mental não vire mais uma obrigação na nossa interminável lista de cuidados pessoais. A cabeça também precisa de espaço para a curiosidade, para o ócio e para aqueles pensamentos que aparecem quando a gente finalmente está longe de qualquer celular. E, convenhamos, deve ser uma delícia poder terminar um livro ou uma conversa sem sentir vontade de conferir as notificações.

Desejos de consumo

Ai, que delícia! Mais um feriado chegando pra gente tomar um fôlego e se recuperar para aguentar até o final do ano. Pensei numa praia, numa piscina ou no campo: escolhi nos corredores do Iguatemi opções variadas. Ufa, vamos relaxar um pouco?

Na montagem acima, reprodução da imagem de José Pancetti, "MArinha ", 1952

1 - Essa túnica de seda da Handred, inspirada em quimonos antigos, me fez sonhar…

2 - Que delícia essas papetes pillow, da
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Louis Vuitton: e acredita que eu amo, de vez em quando, um monograma?

3 - Caso o sol resolva dar o
ar da graça, um mergulho cai muito bem — principalmente com esse maiô de
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Adriana Degreas, numa
lycra texturizada

4 - Para carregar o livro do momento, o iPad, os óculos escuros e o protetor solar, que tal essa tote da
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Comme des Garçons?

5 - O colar com o center piece Dois Irmãos da Prasi, com malaquita e turmalina rosa, conquistou meu coração…


Quando Marcello Dantas chegou aqui em casa, a gente começou a conversar antes mesmo de as câmeras serem ligadas. Falamos de tanta coisa que eu quase joguei o roteiro fora.

Marcello é curador, mas prefere dizer que é um cara que cria problemas, porque junta o que ninguém pensou em juntar. Foi ele quem encheu de cheiro de café a sala do Portinari no Museu Nacional da China e quem levou o cheiro de incenso ao deserto da Arábia Saudita. Foi ele também quem levou Ai Weiwei para Portugal. A parte da casa que Ai Weiwei comprou antes mesmo de eles terminarem o almoço, eu deixo ele mesmo contar.

Na ficha do hotel, no campo da nacionalidade, ele escreve “terráqueo”. Depois dessa conversa, eu entendi por quê.

Foi uma conversa sobre tudo o que eu amo.

Já está no ar no meu canal do YouTube.
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https://www.youtube.com/LTi4P_Nc5Pc​

3 perguntas para

Sidival Fila nasceu no Paraná, mas foi na Itália que encontrou o lugar para reunir suas duas vocações: a arte e a espiritualidade. Mudou-se para lá pensando em seguir para Paris, mas acabou ficando em Roma, onde ingressou na Ordem Franciscana e passou quase duas décadas afastado da produção artística. Quando voltou a criar, em 2006, encontrou nos tecidos antigos, alguns com séculos de existência, uma maneira particular de trabalhar a memória e a passagem do tempo. Entre costuras, dobras e fragmentos, transforma materiais esquecidos em obras que já chegaram à Bienal de Veneza e aos museus do Vaticano. Em 2026, Sidival realizou sua primeira exposição individual no Brasil, na Galeria Luisa Strina, em São Paulo. Sua relação com a arte também ultrapassa os ateliês: fiel ao voto de pobreza, destina o dinheiro arrecadado com a venda das obras à Fundação Filantrópica Sidival Fila para apoiar projetos sociais. Para ele, criar também é uma maneira de preservar histórias e cuidar de outras vidas. Ah, tive a sorte de conhecê-lo ao vivo duas semanas atrás, quando estive em Roma: uma vida inspiradora. E seus trabalhos, sublimes.

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​1. Por que você decidiu deixar o Brasil e ir para a Itália? Como foi essa mudança?

Decidi deixar o Brasil em 1985, quase por acaso, movido pelo desejo de viver em um contexto cultural estimulante, no qual pudesse aprofundar minha paixão pela arte, mas também pela possibilidade de redescobrir minhas origens italianas, de minha família. Chegar à Itália representava, de certa forma, uma maneira de me aproximar de uma parte da minha história. Roma me surpreendeu profundamente. Fiquei impressionado com sua riqueza cultural, sua história e, sobretudo, com a possibilidade de encontrar um ambiente humano e cultural acolhedor, no qual sentia que podia expressar livremente minha sensibilidade.

Vir para a Europa, apesar das dificuldades que toda mudança implica, foi para mim uma experiência quase terapêutica. O contato com uma cultura diferente ampliou meus horizontes, tanto no plano artístico quanto no humano, e me permitiu descobrir novas perspectivas.

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​2. Você passou quase duas décadas afastado da produção artística para se dedicar à vida religiosa: o que aconteceu quando voltou a criar e se transformou num artista mundialmente reconhecido?

O retorno à produção artística foi um processo gradual. Quando entrei na Ordem Franciscana, interrompi minha prática artística para me dedicar plenamente à vida religiosa e ao exercício do ministério. Durante muitos anos, a arte permaneceu em segundo plano, mas nunca deixou de fazer parte de mim. Nos meus momentos livres, passei a dedicar minhas energias às pesquisas artísticas, até que, em 2006, uma experiência de restauração em um mosteiro me levou a retomar esse caminho de maneira mais concreta.

A arte tornou-se para mim uma forma de expressar sentimentos, intuições e visões de mundo que nem sempre consigo traduzir em palavras. Acredito que ela seja, por excelência, uma linguagem do espírito: por meio dos símbolos artísticos, podemos acessar as profundezas do nosso próprio ser e entrar em contato com aquilo que, muitas vezes, permanece invisível ou inexprimível. À primeira vista, a passagem da arte à vida religiosa pode parecer uma escolha entre dois absolutos. Para mim, porém, esses dois absolutos não se excluem; ao contrário, podem coexistir e se enriquecer mutuamente. Minha vida como frade e minha atividade artística estão em harmonia porque ambas expressam aquilo que sou. Ser religioso é o meu modo de estar no mundo, uma dimensão essencial da minha existência. A arte é a linguagem por meio da qual traduzo minha experiência de mim mesmo, dos outros e de Deus.

3. Você trabalha com tecidos muito antigos, alguns com 800 anos: o que levou você a buscar esses materiais e como você os acessa?

Alguns tecidos são fragmentos que remontam a muitos séculos, chegando até mesmo aos séculos III e IV. O que me interessa profundamente nesses materiais é a força daquilo que viveram. Acredito que a matéria seja capaz de guardar o tempo. Esses tecidos carregam marcas de uso, transformações e histórias que atravessaram gerações. Um tecido novo pode ter uma beleza extraordinária, mas ainda não possui essa espessura de vida, essa memória inscrita em sua própria existência.

Meu trabalho começa justamente nesse encontro com a matéria. Muitas vezes, brinco dizendo que são os tecidos que me procuram, como se pedissem ajuda para continuar existindo. Quando os encontro, procuro observar suas características, suas fragilidades e as possibilidades que cada fragmento me oferece. Não sou eu quem determina inteiramente o que eles devem se tornar; procuro, antes, escutar aquilo que têm a me dizer. Por meio do corte, da costura e da tensão entre os materiais, busco criar uma nova configuração sem apagar a identidade do tecido. Os fios, as tramas, as lacunas e as imperfeições permanecem visíveis. Não se trata simplesmente de reutilizar um material antigo, atribuindo-lhe uma nova função, mas de resgatá-lo do esquecimento e permitir que sua história continue a ser contada.

Essa dimensão de resgate também está ligada à minha visão da arte como forma de serviço. Todo o valor arrecadado com a venda das minhas obras é destinado à Fundação Filantrópica Sidival Fila, que utiliza grande parte de seus recursos para apoiar projetos culturais e, sobretudo, iniciativas voltadas à promoção e à educação de crianças em diferentes partes do mundo. Assim, o gesto de recuperar uma matéria que corria o risco de desaparecer encontra um paralelo no compromisso de contribuir para o futuro de outras vidas. Em ambos os casos, trata-se de reconhecer um valor que merece ser preservado e de criar condições para que algo possa continuar existindo e se desenvolver.

Direto do meu Instagram

Essa Semana Eu…

Fui prestigiar Adriana e Romeu Trussardi na comemoração dos 35 anos da Trousseau, marca da qual sou fã e acompanho desde o início, numa linda festa na Casa Charlô

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Achei chique a linha que Victoria Beckham desenhou para a GAP: gosto demais dessas collabs

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Comi a melhor pizza da minha vida no restaurante Le Specialità, em Milão: bem fininha e com ingredientes de primeiríssima qualidade

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Me encantei com os drinks sem álcool que tomei na Itália: um no bar de Wes Anderson, na Fundação Prada, e outro no bar do hotel Principe di Savoia​

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Acabei não conseguindo ver os novos pijamas criados por Gisele Malzoni e lançados na loja SOUQ, da rua Colômbia

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Comprei uma gargantilha linda criada por Cris Barros em parceria com as mulheres das comunidades ligadas à Casa do Rio, ONG que eu conheci por meio de Jeff Ares

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Vibrei demais com a performance de Isabel Teixeira como Pilar na novela "Quem Ama Cuida": ela está cada vez melhor

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Recebi com muita alegria o convite de Maria Fernanda Coelho para sua festa de 50 anos, que vai acontecer em Cartagena, com vários dias de comemoração: não vou conseguir ir, mas estou celebrando desde já — gosto muito dela

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Fui visitar a incrível mostra da Prada na Casa Higienópolis: os modelos mais luxuosos e únicos que podiam ser customizados de acordo com o cliente, todos à venda -há muito tempo eu não via nada tão sofisticado por aqui

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Gostei da ideia dos “reading retreats”, viagens curtas entre amigos dedicadas à leitura com uma regra simples: cada um leva um livro que gosta, uma garrafa de vinho para dividir e passa o fim de semana entre páginas, conversas e bons momentos

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Celebrei que a Lapinha foi premiada no World Spa & Wellness Awards 2026 — o spa brasileiro foi o único da América Latina a levar dois troféus: de Equipe do Ano e Spa Sustentável do Ano

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Recebi, emocionada, um minilivro, “A Hora da Estrela”, e um lenço com textos e a imagem de Clarice Lispector

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Fiquei sonhando com os móveis que vi na loja Blend, na via Margutta, em Roma: os dois sócios têm um gosto apurado e um olhar todo especial sobre os móveis dos anos 60, 70 e outros

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Coloquei na agenda o lançamento das joias da Gaem, de Luna Nigro e Julia Blini, quarta-feira, no Fasano Itaim

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Fiquei impressionada com a modernidade da nova coleção da marca Bode, com lojas em Nova York e Paris

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Não consegui ir à estreia do documentário de Paulo Borges, contando a história da São Paulo Fashion Week, e nem ao filme de Estevão Ciavatta — cheguei de viagem com um resfriado forte

Já estou me preparando para o desfile da De Goeye, que Fernanda de Goeye comanda na quinta-feira, na Herança Cultural​

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Em momentos tão difíceis, tão complicados, tão sensíveis e, ao mesmo tempo, tão importantes, Milton Nascimento e Chico Buarque mostram em “O que será”, composta por Chico e lançada em 1976, 50 anos atrás, que apesar de tudo, sempre vai existir a esperança.

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