Topa correr risco? Aceita não fazer nada? Sabe que tédio vale ouro? Vem que eu explico!

Muito já se falou que ninguém dá certo sozinho. Que quando alguém vence, tem todo um time, uma equipe empenhada para isso, trabalhando em conjunto e com a mesma vontade . Foi bem isso que eu senti na minha primeira participação numa convenção, no caso da Vivo. Confesso que a energia que eu vi nos quatro dias, o astral e o ânimo dos 1300 participantes me fez ver a vida de uma outra maneira. Nunca havia percebido isso, nessa dimensão, e confesso que voltei da Praia Do Forte, onde tudo isso aconteceu, transformada. Muito bom a essas alturas ser impactada por movimentos como esse, por lideranças como essas e por aprendizados novos. Acho que tudo isso faz muita diferença: enquanto o mundo se despedaça por todo lado, é muito bom perceber que o que vale mesmo é a força de um grupo coeso, que pensa e trabalha unido. Principalmente quando é regido por um grande maestro. Uma lição a ser apreendida.


AQUELE NÃO FAZER NADA…

Tem uma coisa curiosa acontecendo bem diante dos nossos olhos: depois de anos tratando a vida como uma planilha de desempenho, a gente finalmente começou a desconfiar de que talvez esteja cansado demais para continuar performando até o próprio descanso.

Durante muito tempo, acordar antes do sol nascer, mergulhar em banhos gelados, escrever páginas matinais e encaixar Pilates entre compromissos parecia menos um estilo de vida e mais uma prova de resistência — como se só merecesse prazer quem antes tivesse passado pela penitência da alta performance. Pois essa fantasia começou a perder o brilho.

O novo símbolo de status, ao que tudo indica, não é mais a agenda lotada, mas a possibilidade rara de deixá-la respirar. Existe um requinte novo, e talvez mais radical, em não estar correndo atrás de nada o tempo todo. Aquela velha ideia do dolce far niente, a doçura de não fazer nada, passou a soar menos como indulgência e mais como uma espécie de luxo contemporâneo. Quase uma insolência elegante diante de um mundo que nos treinou para acreditar que todo minuto precisa ser rentável, produtivo ou, no mínimo, “bem aproveitado”.

Acontece que nós internalizamos tão profundamente essa lógica que até o bem-estar virou tarefa: rituais antigos, experiências espirituais, pausas que deveriam existir fora da lógica do rendimento acabaram capturados por ela. Tudo precisou ser medido, convertido em hábito, rotina, meta, protocolo. O que antes prometia presença passou a exigir performance — e não bastava mais meditar; era preciso otimizar a meditação. Não bastava tomar um matcha; era preciso transformá-lo em identidade. Não bastava descansar; era preciso descansar da maneira certa. É a velha astúcia do capitalismo, que adora vender alívio sem jamais abrir mão do controle.

Talvez por isso essa estética da leveza tenha ganhado tanta força: há um fascínio evidente por figuras que parecem existir sem urgência, que flutuam pela vida amparadas por títulos imprecisos, agendas maleáveis e uma relação quase artística com o próprio tempo. O verdadeiro poder, agora, parece estar na possibilidade de dizer não. Não por conflito, não por excesso, mas simplesmente porque a energia não combina, porque a vibe não chamou, porque o almoço merece durar mais. Em vez da exibição da disciplina, entramos na era da exibição da autonomia. E, convenhamos, isso também remete a poder.

Mas aí mora o detalhe mais interessante, e talvez o mais incômodo: quando o prazer passa a ser encenado para uma audiência invisível, ele continua sendo prazer? Ou vira só mais uma tarefa, agora com filtro bonito? Porque existe uma diferença enorme entre descansar e produzir a imagem de alguém que sabe descansar muito bem. Entre viver uma experiência e administrá-la como conteúdo. No instante em que o lazer pede prova, enquadramento, validação e circulação, ele perde um pouco da sua doçura e assume a rigidez silenciosa de um novo expediente: sai a otimização do trabalho, entra a otimização da vida boa.

Não por acaso, algumas marcas entenderam isso antes de todo mundo. Elas perceberam que já não vendiam apenas um produto, mas uma atmosfera inteira, uma licença estética para desacelerar com elegância. O encanto não está só no que oferecem, mas na promessa de um tempo menos apressado, mais tátil, mais contemplativo. Não é exatamente sobre lavar as mãos ao entrar numa loja. É sobre a fantasia de viver fora da máquina por alguns minutos. E fantasia, a essa altura, também virou mercadoria sofisticada.

Claro que seria ingênuo romantizar demais esse tal “pós-otimização”: para muita gente, a exaustão continua sendo menos escolha do que imposição. Existe privilégio em poder desperdiçar horas, recusar convites, cultivar rituais lentos e se mover pela vida sem a corda da sobrevivência no pescoço. Ainda assim, a ideia tem alguma potência justamente porque revela o absurdo do que normalizamos. Numa era em que a atenção virou ativo e até a espontaneidade parece requisitada pelo mercado, talvez não fazer nada seja uma forma discreta de rebeldia.

Mas, atenção — porque o luxo verdadeiro pode estar justamente no que não rende nada: um vinho compartilhado lentamente entre amigos, um disco ouvido do começo ao fim, um pão assando sem testemunha, sem registro, sem plateia. A frivolidade, quando vivida com presença, talvez seja menos superficial do que parece. O problema não é perder tempo. O problema é transformar até a perda de tempo em performance. Ficou claro?


SEM PRAZO
DE VALIDADE

Durante muito tempo, o mercado criativo vendeu a fantasia de que novidade tem idade certa: quanto mais jovem, melhor, quanto mais perto da última tendência, mais valioso — como se repertório fosse defeito, e não patrimônio. Como se experiência pesasse a mão, quando tantas vezes é justamente ela que afia o olhar. Foi por isso que achei tão saborosa a história da agência Tosti Creative, de Amsterdã, que resolveu pensar uma campanha sobre a solidão na terceira idade e acabou ouvindo dos próprios idosos uma resposta de rara precisão: em vez de serem apenas assunto, queriam participar da criação — e fazia todo sentido.

Existe algo de quase ofensivo nessa mania contemporânea de transformar pessoas mais velhas em tema, estudo ou até mesmo público-alvo, mas raramente em autoras de pensamento. A boa ideia, dessa vez, foi interromper o automatismo: a agência abriu vagas para criativos com mais de 70 anos e a procura foi tão grande que a iniciativa deixou de parecer um gesto simpático para revelar uma evidência que estava ali o tempo todo. Havia uma quantidade imensa de gente com vontade, visão e potência, apenas esperando ser levada a sério.

Doze candidatos foram selecionados e passaram a trabalhar em grupos mistos, atravessando projetos reais para clientes grandes, em temas delicados como inclusão digital e acolhimento de refugiados.

O mais interessante é que a experiência não terminou no terreno das boas intenções: as ideias agradaram, os clientes responderam bem e duas delas já estão saindo do papel. Isso muda tudo, porque tira o assunto do campo moral e leva para o lugar que realmente desmonta preconceitos: o resultado. Não se trata de incluir pessoas mais velhas por gentileza ou inclusão, mas por inteligência. Há décadas o mercado se acostumou a associar frescor à juventude, quando talvez frescor seja justamente a capacidade de escapar do pensamento automático. E nisso, convenhamos, quem já viu muita coisa pode ser estratégico.

Gostei especialmente da fala de uma ilustradora, que disse saber que o mundo a enxerga como uma senhora, embora por dentro ainda se sinta com 25 anos e a cabeça cheia de ideias. Há uma verdade poderosa aí: a idade que o espelho informa nem sempre coincide com a vitalidade de uma mente. E talvez uma das maiores crueldades dos ambientes criativos seja decidir, sem dizer em voz alta, quando alguém deixa de ser percebido como fonte de imaginação e passa a ser tratado como peça de arquivo, como se criatividade obedecesse ao calendário.

Também me parece precioso que esses profissionais tragam algo que anda em falta em muita sala de reunião: franqueza. Aquele tipo de clareza que corta o pensamento de manada antes que ele se instale confortavelmente entre uma apresentação bonita e um consenso preguiçoso. Há pessoas que, justamente por terem vivido mais, já não precisam performar adesão o tempo todo. E isso, em qualquer processo criativo, vale ouro.

A indústria adora correr atrás de relatórios para adivinhar o futuro, enquanto ignora uma fonte riquíssima de percepção sentada logo ali, muitas vezes fora do enquadramento. Quando os mais velhos deixam de ser tratados como clichê publicitário e passam a ocupar o lugar de quem pensa, propõe e cria, o ambiente inteiro muda de temperatura.

E que fique claro mais uma vez: talento não expira. O que expira é a ideia preguiçosa de que ele pertence só aos mais novos.

COM FRIO NA BARRIGA

Tem uma fantasia contemporânea que me diverte: a de que viver em segurança máxima é a forma mais inteligente de atravessar a vida: tudo calculado, amortecido, protegido, sem margem para susto. Quem nunca pensou nisso? Como se a ausência de risco fosse também garantia de plenitude. Mas um artigo que vi na The Atlantic sugere justamente o contrário: talvez uma parte importante da sensação de estar vivo não nasça do conforto, mas sim do encontro deliberado com aquilo que nos tira um pouco do eixo. Pelo menos pra mim, isso faz muito sentido.

Não estou falando de imprudência travestida de valentia, esse teatro meio pueril de quem confunde coragem com desprezo pelo perigo. Existe quem simplesmente não registre o risco da mesma maneira, como se o alarme interno mal disparasse. Mas coragem, de verdade, parece morar em outro lugar: não na ausência de medo, e sim na disposição de atravessá-lo. Sentir o frio na barriga, reconhecer a ameaça, perceber o desconforto, e ainda assim seguir: há algo de muito mais sofisticado nisso do que na pose inconsequente de quem faz tudo sem pensar.

Talvez por isso a felicidade não apareça exatamente no auge do susto. No centro do medo, o que existe é medo mesmo, puro e sem filtro — o prazer vem depois. Chega como uma espécie de reverberação íntima, quase uma confirmação silenciosa de que fomos capazes de ir além do limite que tínhamos desenhado para nós mesmos. Gosto muito dessa ideia porque ela desmonta uma ilusão vendida de que as experiências transformadoras são boas enquanto acontecem: nem sempre são. Muitas vezes, são ásperas, tensas, exaustivas. O brilho vem no rastro.

E o mais bonito é perceber que quase ninguém precisa arriscar a vida para testar a própria bravura. O grande risco de uma pessoa pode não ter nada de cinematográfico: pode estar numa mudança radical de carreira, numa decisão amorosa tomada sem rede de proteção, na volta aos estudos, numa escolha ousada. Há medos que não fazem barulho, mas reorganizam inteiramente uma vida. E talvez sejam esses os mais reveladores, porque exigem honestidade. E também um pouco de coragem, é verdade…

Também achei preciosa a lembrança de que coragem não dispensa método. Existe uma tendência de romantizar o impulso, como se a vida mais intensa fosse necessariamente a mais improvisada: não é. Querer enfrentar algo difícil pede preparo, lucidez e alguma estratégia. Sonhar com uma longa travessia a pé, por exemplo, não exclui o planejamento do corpo, da rota, da própria mente. A aventura que vale a pena não é a que ignora os limites, mas a que expande os nossos com algum discernimento.

No fundo, talvez a vida adulta seja isso: reconhecer que sempre haverá uma porta que evitamos abrir porque pressentimos o abalo que ela pode causar. E, ainda assim, entender que a versão mais interessante de nós mesmos talvez esteja justamente do outro lado. Não é o risco pelo risco que nos transforma. É a escolha consciente de não deixar o medo mandar em tudo. Gostei muito de tudo isso e acho que tenho muito a aprender. Vamos?


O TÉDIO COMO ATIVO

Cinco minutos de fila já parecem um pequeno colapso. Um telefone mudo, uma sala de espera, uma burocracia qualquer, tudo isso virou território hostil para uma mente acostumada a ser alimentada sem trégua.

A pausa, que deveria ser só pausa, passou a soar como falha, como vazio, como desconforto a ser eliminado o mais rápido possível: a gente desaprendeu a conviver com qualquer intervalo em que ela não esteja agarrada a alguma coisa.

Foi por isso que achei tão certeira a provocação resgatada por um texto que li, onde reaparece um discurso de formatura feito em 1989, em que o poeta Joseph Brodsky, em vez de oferecer aos jovens um punhado de frases inspiracionais, preferiu avisá-los de algo bem menos sedutor: o tédio chegaria. E chegaria como um deserto íntimo, um “Saara psicológico” começando ali, dentro do próprio quarto. Gosto dessa imagem porque ela desmonta uma fantasia muito contemporânea: a de que uma vida interessante é aquela em que nada jamais se arrasta. Como se o sentido estivesse sempre nos picos, nunca nas planícies. Hello, né?

Mas o que mais me interessa nessa história não é o diagnóstico, e sim o remédio indigesto que vem depois: Brodsky sugere que a gente não fuja. Que não tente anestesiar imediatamente a sensação. Que suporte. É quase um escândalo dizer isso em voz alta, eu sei, só que há alguma sabedoria dura nessa ideia de encarar a monotonia sem recorrer à tela como quem puxa um cobertor no frio. Outros autores reforçam a importância de sentir a monotonia como ela é, sem maquiagem, sem trilha sonora, sem distração instantânea. E, convenhamos, é justamente aí que a vida mais real costuma acontecer: nas tarefas domésticas, nas esperas, nos telefonemas intermináveis, na parte da existência que ninguém postaria como prova de uma rotina fascinante.

A verdade é que tratamos o tédio como se ele fosse o oposto de uma vida com significado, quando talvez ele seja uma de suas matérias-primas mais inevitáveis. Não porque precise ser romantizado, mas porque recusar cada segundo vazio talvez esteja nos deixando mais frágeis do que imaginamos. Acredito sinceramente que há algo de profundamente elegante em conseguir atravessar essas horas sem pânico, sem preencher tudo, sem transformar cada fresta em consumo. Tenho tentado, acho fundamental e muito bem-vindo. Num tempo que vive em guerra contra o silêncio e a demora, talvez a coragem mais rara seja justamente esta: suportar o deserto e descobrir que ele também faz parte da paisagem.

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MENOS TROFÉU, MAIS VERDADE

Durante muito tempo, certa ideia de sucesso vinha com uma imagem quase obrigatória: o homem poderoso, grisalho, rico, acompanhado de uma mulher muito mais jovem, como se a diferença de idade fosse também um símbolo de patrimônio. A cultura pop fez escola nisso, e a vida real, por muitos anos, pareceu segui-la com disciplina. Não por acaso, um estudo de 2013 com bilionários das listas mais importantes mostrava que eles costumavam ser, em média, sete anos mais velhos do que as mulheres com quem eram casados. Entre os que se casavam novamente, a distância chegava a impressionantes 22 anos. Havia ali uma fantasia antiga, meio cafona, meio persistente, de que o auge da riqueza incluía comprar também a aparência da juventude.

O engraçado aqui é que essa fantasia envelheceu. Como mostrou uma reportagem da The Economist, com base em dados do censo americano, essa diferença foi minguando até quase desaparecer no topo da pirâmide. Se em 1980 uma fatia relevante dos homens do 1% mais rico estava casada com mulheres ao menos dez anos mais jovens, em 2024 a distância de idade entre os casais mais ricos já é igual à média da população. É uma mudança silenciosa, mas nada banal: mostra que o dinheiro, ao que tudo indica, deixou de mirar a juventude como ornamento social.

E o mais interessante é que a história não se resolve numa simples inversão. Não surgiu, do outro lado, uma elite feminina empenhada em colecionar parceiros mais novos. Segundo a mesma reportagem da The Economist, à medida que aumenta a renda das mulheres, cresce também a preferência por parceiros da mesma faixa etária. Ou seja: nem de um lado, nem de outro, a diferença de idade parece funcionar mais como credencial de status. E olha que ironia: hoje são os homens de menor renda que têm maior probabilidade de se casar com mulheres bem mais jovens.

A explicação é menos novelesca do que se poderia imaginar e, talvez por isso mesmo, mais reveladora. Ela atende por “educação”: pessoas que estudam mais passam mais tempo em ambientes de formação, convivendo, circulando, se apaixonando e construindo repertório entre colegas da mesma idade. Como são justamente essas trajetórias mais longas de estudo que tendem a produzir rendas mais altas no futuro, o efeito aparece depois nos casamentos. No fim, o amor continua atravessado por classe, por contexto e por oportunidade, mas agora de um jeito menos espalhafatoso do que a velha lógica da esposa-troféu.

Talvez o que esteja desaparecendo não seja apenas um tipo de casal, mas uma ideia inteira de triunfo. Durante décadas, pareceu natural imaginar que vencer na vida incluía exibir alguém mais jovem como prova de poder.

Agora, há algo de quase reconfortante em perceber que esse roteiro perdeu força e que ele abre espaço para outra noção de par: menos baseada em vitrine, mais em sintonia. Ufa, já não era sem tempo…


Desejos de consumo

A vida não para — e nem a gente para: viaja pra lá, volta pra cá, sempre em movimento, sempre crescendo. Foi pensando nessas profissionais, que têm esse dia a dia agitado, que fiz as minhas escolhas desta semana no Iguatemi. Prontas para decolar?

1 - Uma roupa confortável, mas cheia de estilo: Isabel Marant para a NK

2 - Uma bolsa leve para não atrapalhar — mas mega charmosa, como esta da Loewe

3 - Sapatos confortáveis, por favor! Como estes de Alexandre Birman

4 - E para se manter informada mesmo durante o voo, um iPad de ponta: o Pro Apple, da Fast Shop

5 - Para o básico e essencial, a mala de mão Louis Vuitton é um resgate do maior clássico da marca — amei!


3 perguntas para

Há 10 anos, Ana Cecilia Impellizzieri Martins fundou a Bazar do Tempo como quem se recusa a deixar uma conversa essencial cair no silêncio. Agora ela revela que a editora nasceu menos de uma ruptura do que de uma continuidade: livros já em movimento, encontros já semeados, ideias que ainda buscavam corpo e duração. Vivendo na França há uma década, Ciça foi fazendo dessa travessia entre geografias, repertórios e vozes uma forma de editar, até transformar a Bazar numa das casas mais consistentes do país no campo do pensamento crítico e da escrita de mulheres.

Talvez por isso a aposta mais recente na ficção brasileira contemporânea não soe como desvio, mas como alargamento de uma escuta. Nesse percurso, a criação do Clube F, em 2021, aprofundou ainda mais essa vocação: mais do que um clube feminista de assinatura de livros, ele ajudou a transformar leitoras e leitores em comunidade, consolidando uma rede viva de trocas em que ler também é escutar, encontrar e construir junto.

1. Viver em Paris há tantos anos alterou seu olhar sobre o Brasil? O contato com o mercado editorial francês trouxe o quê, exatamente?

É curioso perceber que tenho praticamente o mesmo tempo de atuação como editora e de vida na França. O mercado editorial francês é extremamente dinâmico e, de certo modo, contagiante. Trata-se de um país em que se lê muito e em que a literatura faz parte do cotidiano. Esse ambiente acaba nos influenciando diretamente, ampliando o contato com temas, autores e autoras — não apenas franceses. Como o mercado é muito aberto e ágil, obras de diversas nacionalidades chegam rapidamente. Então, sem dúvida, isso abriu muito a minha perspectiva para vários temas. A própria presença da língua francesa em diferentes partes do mundo abre janelas para além da França, como as Antilhas e regiões da África, que têm, inclusive, muitas conexões com o Brasil. São contextos que revelam autores relevantes, frequentemente premiados, e e que temos a oportunidade de publicar na Bazar do Tempo. Além disso, a França conta com políticas consistentes de apoio ao livro e à edição, incluindo programas que incentivam a circulação de autores e autoras. Com esse suporte, já conseguimos trazer ao Brasil professores, filósofas, romancistas, sociólogas e historiadores da arte. De fato, a experiência que construí na França atravessa o catálogo da Bazar do Tempo, influenciando escolhas e ampliando horizontes.


2. O que você procura numa autora contemporânea brasileira para entender que ali não há só um bom livro, mas uma voz que merece permanência?

É importante contextualizar esse momento em que passamos a buscar mais autoras nacionais. Isso revela um olhar atento para o cenário atual, em que muitas vozes brasileiras têm surgido e aberto espaço para mulheres que escrevem no país. Entendemos esse movimento também como uma vocação da Bazar do Tempo: participar mais ativamente do debate contemporâneo, estar presente e atuar como uma editora que intervém.

O importante não é apenas ter livros que contribuam para o debate, para a história e para a memória das mulheres, mas também contar com autoras que participem ativamente de feiras, festivais, debates e da imprensa. Assim, a editora também se torna mais presente e atuante no cenário contemporâneo. É por isso que, neste momento, estamos trazendo mais nomes de mulheres brasileiras para o catálogo. A ideia é somar forças e consolidar um conjunto de autoras brasileiras, ampliando nossa presença e permanência no país.


3. O Clube F. parece ter criado uma espécie de comunidade de leitura. O que você descobriu sobre as leitoras quando elas deixaram de ser apenas público e passaram a ser rede?

Se há uma certeza que temos, é a de que a construção da Bazar do Tempo é totalmente coletiva. O que nos move, em grande medida, são as leitoras, os leitores, as tradutoras, as revisoras, há um forte senso de comunidade na forma como fazemos a editora. Isso aparece tanto no trabalho interno da equipe, com a troca constante de sugestões, dicas e descobertas, como livros que lemos ou sobre os quais ouvimos falar, quanto na relação com o público. Nesse sentido, o Clube F tem um papel fundamental. São entre 400 e 500 assinantes, variando ao longo do tempo, mas sempre muito participativos. Mantemos grupos de WhatsApp e encontros mensais online, o que gera uma troca muito rica e contínua.

Há, portanto, uma rede ativa e colaborativa que sustenta a editora: o Clube F, as profissionais envolvidas (equipe, tradutoras, revisoras) e também as próprias autoras. É, de fato, um trabalho conjunto. Nosso esforço é justamente fazer com que todas essas pessoas se sintam parte dessa construção.

Direto do meu Instagram

Essa Semana Eu…

Gostei demais do novo look dos cabelos, meio picotados, meio em camadas, de Nicole Kidman


Adicionei mais um item para a minha lista de desejos: as sandálias Birkenstock em collab com a ETRO


Fiquei sem palavras com o discurso de Jessie Buckley no Oscar, com aquele vestido lindo da Chanel


Me encantei com as flores e arranjos de Helena Lunardelli em uma sessão de fotos em Comporta: como ela é talentosa


Fui surpreendida mais uma vez: a nova sapatilha da Wales Bonner é mega cool


Celebrei o figurino da turnê de 80 anos de Alceu Valença, assinado por Isabela Capeto


Vi que a nova galeria de Jac Lerner, de quem sou mega fã, é a galeria Nara Roesler


Perdi o desfile de Paula Raia na Pivô, no Edifício Copan: fiquei triste e vi que foi lindo


Me encantei com as jaquetas e camisas recém-lançadas da Loewe


Perdi a palestra de Lui Tanaka na Atec Design, falando sobre envelhecer bem junto com os móveis — soube que foi excelente


Também não consegui estar presente na Festa do Cinema Brasileiro, da Conspiração Filmes, no Rio de Janeiro


Fiquei feliz ao saber que o galerista João Azinheiro está vindo participar, pela primeira vez, da SP-Arte, com sua Kubik Gallery


Coloquei na agenda o encontro do Joy Shop, com a EOS Cosméticos, marca de Mariangela Bordon, como convidada: quarta e quinta que vêm


Vi que Rock in Rio Lisboa, que acontece no próximo mês de junho, acertou a renovação das parcerias com a TAP e o hotel Dom Pedro Lisboa


Soube que a marca de Ana Figueiredo, Ana de Jour, apareceu na entrega do Oscar, vestindo Elisabetta Zenatti, alta executiva da Netflix


Recebi o convite para a mostra da ceramista Célia Cymbalista, na Galeria do Teo, quinta-feira (26)


Fiquei toda animada com o almoço do Squad de 2026 do Iguatemi, que acontece quarta-feira (25), no restaurante Rodeio


Participei da convenção da Vivo na Praia do Forte, comandada brilhantemente por Christian Gebara, que me deixou muito impactada com tudo que vi e vivi: cerca de 1.300 participantes e muita energia no ar

Ganhei o primeiro ovo de Páscoa da temporada — e logo um que eu amo: de chocolate amargo com laranja, da Tchocolath

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Desta vez a gente chega com um som muito cool, numa parceria de Shaggy, conhecido tanto nos Estados Unidos quanto na Inglaterra, com Robin Charles Thicke, músico norte-americano. Deu pra sentir o clima?

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