Sonho que vira realidade, doce que vira perfume, conversa que vira assunto: ai, quanta emoção!

Sabe quando um sonho se torna realidade e acaba sendo melhor ainda do que o imaginado? É justamente isso que eu senti nesta temporada de quatro dias na cidade do Porto, onde vim especialmente para o primeiro festival Babell de literatura, organizado pela livraria Lello, a mais famosa de Portugal e a mais bonita do mundo, sem qualquer dúvida. Além de vários participantes que ganharam prêmio Nobel e outros tão famosos quanto, confesso que o meu foco de atenção e de desejo era Byung-Chul Han, filósofo coreano que mora há muito tempo em Berlim, onde é professor universitário. Sempre fui grande admiradora de sua obra e meus livros preferidos dele até agora, entre os poucos que li, são “Louvor à Terra” e “Vita Contemplativa”, mas ele é mais famoso por causa de “Sociedade do Cansaço”. O encontro do qual participei marcava a inauguração da Fundação Lello, um anexo a uma construção muito antiga, assinado por Álvaro Siza, um dos arquitetos mais famosos do mundo. A palestra aconteceu nesse jardim imenso, sobre a grama, debaixo de uma tenda e nem o atraso de duas horas e nem a falta de microfones no início — já que ele falava em alemão — atrapalhou o sentido de tudo. O jardim que estava sendo inaugurado naquele dia foi batizado de Jardim do Pensamento e, assistir Chul Han justamente nesse espaço, nesse cenário e nessas condições, fez toda a diferença. Ele falou principalmente sobre contemplação, sobre o tempo necessário para pensar — coisa que não temos hoje em dia — sobre plantas, sobre tocar piano e sobre a visão do mundo de hoje. Dizer que foi um bálsamo é pouco: ele chegou com uma magnólia nas mãos e começou o seu discurso falando do aroma de limão e da importância desses momentos, muito mais do que outros que a gente fica tentando ser produtivo, fixado nas redes e em tantas outras coisas que não fazem sentido e tanto atrapalham e atrasam nossa vida. Depois de sair inebriada desse encontro mágico, ainda tive a sorte de encontrá-lo por acaso na Fundação Serralves, um dos meus museus preferidos no mundo, pela sua curadoria, pelo seu espaço e por tudo que ele representa. Conversei com Chul Han porque dei de cara com ele saindo do elevador, numa tarde em que pouca gente circulava pela mostra de Jenny Holzer. Ele é muito fechado. Um tanto quanto tímido, mas o momento foi muito especial, mesmo assim. Claro que eu aproveitei para puxar uma conversa e me apresentar… Ao encontrar com ele, numa segunda vez no mesmo museu, agora ao ar livre, ele trouxe uma magnólia pra eu sentir o aroma. Detalhe: ele não gosta de posar para fotos. Gostei mais ainda.

P.S.: Comemoramos, neste domingo, 150 edições de nossa newsletter. Muito obrigada a nossa pequena e batalhadora equipe. E muito obrigada a você, por estar junto.


VOCÊ SABE CONVERSAR?

Outro dia pensei nessa cena tão comum, tão habitual: a pessoa entra no elevador e, antes que qualquer coisa possa acontecer, cabeça baixa, celular na mão, olhar protegido. Um gesto mínimo. Quase automático. Como se o aparelho fosse um biombo elegante contra o risco de uma conversa.

A gente fala muito de solidão. Reclama da falta de conexão. Sente saudades de encontros mais vivos. Mas, na prática, vai fechando pequenas portas o dia inteiro. Li um texto muito bom do pesquisador Michael Yeomans, na revista Psyche, sobre a arte de conversar melhor. E fiquei pensando em como uma coisa tão antiga, tão humana, ficou parecendo quase um esporte radical.

A tese dele é simples: nós subestimamos o quanto as outras pessoas também querem conversar. Ficamos esperando a frase perfeita, a deixa brilhante, o momento em que vamos parecer interessantes sem fazer esforço. Bobagem: conversa é treino. É mais tênis do que teatro. No começo, a bola cai na rede, sai torta, vai longe demais. Depois o corpo entende. O ouvido entende. A presença entende.

E existe uma liberdade enorme nisso, porque, se o papo não engrenar, nada de tão grave acontece. A gente volta para o silêncio de antes. Só isso. Não há tragédia. O que achei mais bonito no texto é a ideia de que uma boa conversa não nasce de performance, mas de atenção. Contar algo sobre nós é quase um pequeno gesto de generosidade. Em vez de empurrar o outro para um corredor estreito, abrimos duas portas. A pessoa escolhe por onde entrar.

Mas temos que tomar cuidado com aquela pergunta que parece interesse, mas, na verdade, é só um bumerangue. A gente pergunta para o outro, já torcendo para a resposta voltar logo para nós. Ai, que coisa pouco elegante. E tão comum. Perguntas de entrevista também cansam. “O que você faz?” “Onde mora?” “Tem filhos?” Claro que às vezes elas ajudam a começar. Mas, quando a conversa começa a respirar, talvez valha reparar no detalhe: o livro na mão. A expressão diante de uma fila demorada. Um comentário qualquer sobre o acaso. A vida costuma deixar pistas: a gente é que anda meio distraído.

Conversar talvez seja menos sobre saber falar e mais sobre saber ficar. Ficar ali. Inteiro. Sem caçar a próxima fala brilhante enquanto o outro ainda está terminando a frase. Sem transformar cada história alheia em trampolim para a própria. Sem pressa de vencer. Mesmo porque não se trata de um jogo…


O CHEIRO DO DESEJO

A gente acha que consegue calar o apetite na marra, com dieta, disciplina, remédio, injeção, promessa de segunda-feira. Mas o desejo é um bicho esperto. Quando não entra pela boca, entra pelo cérebro, ou mesmo pelo nariz. Li uma reportagem deliciosa sobre um efeito inesperado da febre do Ozempic, do Mounjaro e de outros medicamentos que imitam hormônios de saciedade. Enquanto muita gente perde a fome, cresce a vontade de se cercar de perfumes com cheiro de sobremesa. Tarte Tatin. Morango. Caramelo. Pistache. Uma confeitaria inteira borrifada no pescoço.

Parece piada, mas diz muito sobre o nosso tempo. Segundo a reportagem, um em cada oito americanos já testou esse tipo de injeção para cortar o apetite. E, entre os usuários, a compra de perfumes aumentou 23%. Ou seja: a vontade de prazer não desapareceu. Só mudou de prateleira.

É quase uma cena. A pessoa não ataca a geladeira, mas passa horas procurando uma fragrância. Quer sentir leite quente, noz macadâmia, fruta madura. Quer aquele conforto doce, quase infantil, mas sem açúcar, sem culpa, sem calorias. Nas redes, tem gente dizendo que uma borrifada do perfume favorito virou o novo café da manhã. Que loucura…

A questão é que vivemos numa cultura do “sem”. Sem açúcar. Sem glúten. Sem gordura. Sem lactose. Sem excesso. Sem fome. Sem corpo fora do lugar. Queremos otimizar a carcaça, domar o apetite, editar o rosto, controlar até o suor. A indústria da beleza, que não perde uma fresta, entendeu tudo. Nos anos 1990, o Angel de Thierry Mugler já aparecia com cheiro de algodão-doce, em plena febre dos regimes radicais. Agora, a coisa ficou mais sofisticada. Perfumistas trabalham com especialistas em aromas da indústria alimentar para criar cheiros hiper-realistas. É o doce sem o doce. A sobremesa sem prato.

A verdade é que isso é menos sobre perfume e mais sobre compensação. A gente tira de um lado e repõe do outro. Fecha a boca e abre o frasco. É muito humana essa tentativa de encontrar consolo onde ainda é permitido. Será?

O GUARDA-ROUPA DE VERDADE

Tem uma coisa meio curiosa acontecendo com a moda. A gente abriu mão de ter as coisas, mas não abriu mão de parecer sempre repaginado, sempre novo. Assinamos filmes, músicas, carros, casas por temporada. Agora, pelo visto, estamos assinando também a nossa própria imagem.

Li na The Atlantic sobre a febre dos serviços de aluguel de roupas. A lógica é sedutora: você paga uma mensalidade, recebe algumas peças, usa, fotografa, devolve. Entra outra caixa. Outro personagem. Outro look. Tudo muito prático, muito esperto, muito atual. Principalmente para quem tem pavor de aparecer duas vezes com a mesma roupa no Instagram. Que tempos difíceis esses, não?

Só que aí começa a parte menos glamourosa. A indústria vende esse rodízio como uma saída sustentável, mas um estudo de 2021 mostrou justamente o contrário: o aluguel pode ser a opção com maior impacto climático, por causa da quantidade absurda de entregas, devoluções, embalagens e deslocamentos. A roupa circula mais do que muita gente. Vai, volta, cruza o país, chega em outra casa, sai de novo. Parece leve, mas tem um peso enorme escondido nessa logística toda.

E tem uma outra coisa, mais sutil: quando a roupa não é sua, o vínculo muda. A mancha pequena não dói tanto. O cuidado desaparece um pouco. A peça vira passagem, não presença. Uma fantasia com prazo de devolução.

Para mim, o guarda-roupa sempre foi uma espécie de cartão de visitas: é assim que a gente se apresenta ao mundo, ao outro. Uma primeira imagem, uma primeira mensagem.

Às vezes, um casaco que atravessa anos. Uma camisa que já conhece nosso corpo. Uma calça que aparece em fotos diferentes, em fases diferentes, com pessoas diferentes. Repetir roupa, antes tão banal, virou um gesto de personalidade. Carolyn Bessette-Kennedy, símbolo máximo daquele luxo discreto dos anos 90, fazia justamente isso. Repetia peças. Sustentava uma linha. Tinha uma assinatura. Afinal, estilo pessoal é como um músculo: precisa ser exercitado. Estilo não nasce do acúmulo, nem da troca infinita, nem do algoritmo sugerindo quem a gente poderia ser no mês que vem. Nasce da permanência. De alguma insistência.

O que realmente importa não é ter acesso a um armário infinito. É saber reconhecer as poucas peças que contam a nossa história. Ter coragem de repetir, de não performar novidade o tempo todo. De deixar que o mundo também nos reconheça por alguma constância. Porque as pessoas que amamos não ficam na memória como um desfile de tendências. Ficam por uma blusa, um perfume, um jeito, um casaco sempre igual. E isso, convenhamos, diz muito mais sobre alguém do que qualquer caixa chegando pelo correio.

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UMA SOFISTICAÇÃO RAIZ

Durante muito tempo, luxo foi confundido com excesso. Com aquele tipo de experiência que parecia pedir plateia. Mas, nas novas tendências do mercado de viagens, a conversa mudou de lugar. O luxo deixou de ser apenas o que se mostra. Virou, sobretudo, o que se sente.

O viajante mais sofisticado já não parece tão impressionado com fachada, espetáculo ou cenário pronto. Ele quer silêncio. Quer privacidade. Quer autenticidade. Quer chegar a um lugar e sentir que aquilo tem alma, mão, história, cuidado. A grande moeda agora talvez seja desaparecer um pouco. Não no sentido triste da palavra, mas no sentido libertador. Poder não ser interrompido. Não ser observado.

E tem outra coisa importante: o tempo virou artigo raríssimo. A fluidez também. A tecnologia, que antes precisava aparecer para provar modernidade, agora deve sumir. Funcionar sem fazer barulho. Tirar atrito do caminho para que a experiência aconteça com leveza.

O bem-estar também entrou nessa conta de outro jeito. Não como mimo, mas sim como base. Dormir bem, comer melhor, respirar, desacelerar, ter espaço mental. O mesmo vale para a sustentabilidade. Já não basta parecer consciente. É preciso ser. A régua subiu — ainda bem.

O que cria memória não é só um quarto bonito: isso já se espera. O que fica é o gesto. A hospitalidade que se percebe antes da palavra ser pronunciada. Alguém que lembra o seu nome. Que entende uma preferência. Que faz você se sentir cuidado, não atendido. Parece simples — não é.

O luxo mais contemporâneo, quem sabe, seja justamente esse: menos performance, mais presença. Menos vitrine, mais verdade. Menos acúmulo, mais intenção. Num mundo que nos trata tantas vezes como número, reserva, senha e transação, ser recebido como gente virou um privilégio enorme. E talvez viajar bem, daqui para frente, seja isso. Encontrar lugares que não gritam. Que não tentam nos convencer o tempo todo de sua importância. Lugares que apenas nos devolvem alguma paz. Que respeitam nossos valores. Que deixam alguma coisa boa para trás. Um legado. Um respiro. Uma lembrança limpa.


QUE TAL NÃO FAZER NADA?

Tenho pensado muito em como a amizade adulta virou uma espécie de produção executiva: agenda. Reserva. Trânsito. Confirmação. Cancelamento. Aquela ginástica meio exaustiva para conseguir ver alguém que a gente ama por duas horas, e mesmo assim, num restaurante barulhento.

Mas tem uma coisa muito simples. Simples mesmo: a beleza de não fazer nada com os amigos. Fiquei com isso na cabeça. Porque talvez a gente tenha complicado demais o afeto. A gente pode estar junto sem transformar o encontro em evento. Dobrar roupa enquanto conversa. Ficar no sofá enquanto a amiga responde a e-mails. Preparar o jantar. Fazer mala com alguém por perto. Nada cinematográfico, nada especialmente digno de legenda. Só a vida acontecendo com testemunha.

E isso é muito mais raro do que parece, né? Porque a gente passou a acreditar que encontro bom precisa ter cenário. Precisa ter roteiro. Precisa ter “motivo”. Como se convidar alguém para entrar no meio da nossa rotina fosse pouco. Mas talvez seja exatamente o contrário. Talvez a intimidade more aí. No direito de não performar. De não entreter. De não ser brilhante o tempo todo.

O curioso é que todo mundo vive dizendo que quer ver mais os amigos. Mas, na prática, vamos ficando sozinhos. Esperando o dia ideal. A semana menos cheia. A reserva perfeita. O ânimo certo. E a vida, danada, vai passando no intervalo dessas condições todas. Quando percebemos, transformamos amizade em cerimônia. E cerimônia cansa.

Gosto muito dessa ideia de abrir a porta para o ordinário. Porque o ordinário, quando compartilhado, muda de temperatura. A roupa lavada vira conversa. O sofá vira abrigo. O jantar simples vira memória. Não pelo que se fez, mas por quem estava ali. Sem esforço. Sem espetáculo. Sem aquela obrigação de fazer valer a pena.

Talvez o antídoto para esse século tão antissocial não seja criar grandes programas. Talvez seja ter a coragem discreta de mandar uma mensagem quase boba: “Vem aqui me fazer companhia?”. E pronto. Sem plano. Sem produção. Sem expectativa heroica.

Acho que a amizade precisa menos de ocasião e mais de verdade, de estar ali, presente. Menos evento e mais brecha. Menos performance e mais casa aberta. Quando tudo virou compromisso, agenda e cena, não fazer absolutamente nada ao lado de quem a gente gosta pode ser uma forma muito especial de cuidado. E prazer.

Desejos de consumo

Ai, que delícia! Começou a temporada de verão no hemisfério norte e fiquei toda animada ao pesquisar, nas vitrines do Iguatemi, o que colocar na mala para esses dias de sonho! Viva!

Na montagem acima, imagem de Slim Aarons, 1975

1 - Esse vestidinho básico da Handred dá um ar assim, de quem não quer nada, mas que diz tudo!

2 - Fiquei sonhando com essas mules com assinatura da Chanel: mítica!

3 - Se quiser me encontrar em alguma praia, basta procurar por esta toalha de algodão felpudo da Hermès: terei como companhia esses dois leopardos. Luxo!

4 - Esse robe de Adriana Degreas vai causar à beira de qualquer piscina dos melhores hotéis: uma maravilha…

5 - Para arrematar esses looks e tantos outros mais, que tal o anel Panthère, um clássico da Cartier? Quem não ama?


3 perguntas para

Em 1932, diante de uma Europa à beira de uma nova catástrofe, Albert Einstein perguntou a Sigmund Freud se seria possível libertar a humanidade da guerra. Quase um século depois, Luiz Felipe Pondé revisita essa correspondência em “Por que a guerra? Einstein pergunta, Freud responde, Pondé comenta”, lançado pela Amarilys, como quem encara uma hipótese incômoda: talvez a barbárie não seja um desvio da civilização, mas uma de suas sombras permanentes. Conhecido por levar a filosofia para temas cotidianos, Pondé parte desse encontro para refletir sobre os conflitos atuais, as redes, a polarização e a persistência da violência humana. A guerra mudou de cenário, linguagem e tecnologia, mas, para ele, segue revelando algo assustadoramente antigo sobre nós.

1. O que mais lhe interessou ao comentar essa correspondência: a pergunta de Einstein, a resposta de Freud ou o silêncio que fica depois dela?

O que mais me chamou a atenção foi como a pergunta de Einstein traz a marca da expectativa iluminista e do possível progresso moral humano, esperando algum sinal da autonomia moral numa tradição kantiana, enquanto Freud responde trazendo a marca de Hobbes e a de Schopenhauer, afirmando que o homem pré-histórico, instintivo, vive em nós. De certa forma, ele “cala” a expectativa do cientista a partir da teoria da pulsão de destruição imperecível no homem.

2. Quando olhamos para os conflitos atuais, parece que a barbárie mudou de cara, mas não saiu de cena: o que há de novo na guerra de hoje e o que continua assustadoramente antigo?

Há um contexto de radicalização da tecnologia de guerra, e a Europa deixou de ser o ponto focal, como foi nos séculos 19 e 20. O cenário hoje tende a ser multifocal, mas de guerras “sem fim”, em que ninguém ganha, nem ninguém perde. A presença das redes e da mídia gerando polarização banhada por leituras ideológicas da guerra, em que, por exemplo, o Irã, um regime totalitário, violento com sua população e repressor das mulheres, ganha a simpatia da esquerda contra uma democracia como a americana. Neste sentido, repete-se a simpatia da esquerda pelos regimes autoritários soviético e chinês durante a Guerra Fria. Portanto, o advento das redes só gerou o mesmo fenômeno da antipatia pelos americanos, numa escala maior, apesar de ser um regime democrático. Assim sendo, fica claro que a democracia pode ser relativizada ideologicamente.

E, finalmente, o homem continua o mesmo, mostrando que Freud até então tem razão.


3. Você ficou conhecido por levar temas filosóficos para questões cotidianas: a filosofia precisa descer do pedestal para continuar viva? Sua popularidade gerou tensões com a academia?

A filosofia está viva há 2.500 anos. Talvez alguns escritos religiosos sejam mais perenes apenas. A filosofia permanece viva porque ela produz perguntas estruturais no âmbito moral, social, político, epistemológico e metafísico, entre outros, gerando um mundo diverso de ideias. Quanto a tensões na academia, elas já existiam porque minhas aulas eram cheias e eu tinha muitos orientandos. Sucesso com alunos atrai ódio e inveja na academia, normalmente. Com o sucesso na mídia, isso só piorou, mas isso não abalou meu gosto por dar aulas e ter alunos, que é o que importa na universidade

Direto do meu Instagram

Essa Semana Eu…

Me instalei durante quatro dias na cidade do Porto para o festival BABELL de literatura: fiquei hospedada na Massarelos House, meu lugar preferido na cidade, com quartos megacharmosos, um jardim exuberante e um serviço impecável — indicação do galerista João Azinheiro

Não consegui ver o espetáculo “Viva! Vida!”, de Regina Casé, no Rio — todo mundo está falando superbem — e tudo indica que não vou conseguir assistir em São Paulo, porque, no mês de julho, quando ela vem, ainda estarei fora

Comprei, no Duty Free, em São Paulo, um batom tipo tratamento para os lábios, assinado por Sofia Coppola, em parceria com o especialista Augustinush Bader

Passei pelos bons tratos de Mauro Freire antes de viajar: cabelos devidamente cortados e hidratados

Entrevistei Giovanni Bianco no estúdio dele para o canal Somos Conversa, do Iguatemi: foi bom demais

Me emocionei demais com o jogo Cabo Verde x Uruguai: me fez vibrar de novo com o futebol e com a Copa

Achei muito interessante que Cate Blanchett está trocando o tapete vermelho pelos corredores de Oxford: ela foi nomeada professora visitante de Teatro Contemporâneo na universidade para 2026/27

Soube que a Chanel entrou como grande parceira na reabertura do cinema Le Saint Germain des Prés, em Paris, um clássico de 1969 que acaba de renascer, com interior Art Déco e tela nova — a ideia é manter viva a sala escura, a Nouvelle Vague e esse velho ritual de ver filme como quem entra num templo

Acompanhei a onda de calor brutal que colocou a França em alerta máximo, com temperaturas acima dos 44°C e dezenas de mortes registradas — é assustador perceber que, em algumas regiões, a Europa ficou mais quente do que quase todo o planeta, num retrato cada vez menos abstrato da crise climática

Fiquei sabendo que a marca australiana de beleza Aesop, hoje parte do portfólio da L’Oréal, transformou sua loja em Wuhan, na China, em uma biblioteca de autoras mulheres, trocando frascos vazios de skincare por livros gratuitos

Li que Sue Tilley, a musa improvável de Lucian Freud, voltou ao centro do mercado de arte com um retrato seu vendido por US$ 39 milhões na Sotheby’s — aos 35 anos de idade, ela posou quase por diversão; décadas depois, seu corpo comum, monumental e vulnerável virou um dos capítulos mais valiosos da pintura do século 20

Descobri Rote, a ilha indonésia que já está sendo chamada de “nova Bali”, com ondas perfeitas, praias quase intactas e turismo ainda em modo segredo — quem se habilita?

Li que, no calor londrino, alguns cidadãos estão defendendo uma medida bem francesa: proibir homens sem camisa em cafés, parques e calçadas

Vi um colar Hermès, no e-mail que recebo deles, que achei a minha cara: mais um

Também amei um tênis de couro marrom da Miu Miu: tenho um de couro preto, mas não é a mesma coisa…

Fiquei muito bem impressionada com a mostra de Jenny Holzer que vi na Fundação Serralves, no Porto — no mesmo museu visitei outra mostra do arquiteto Frank Gehry, que não é exatamente um dos meus preferidos, mas tem enorme relevância

Fui convidada para um jantar muito especial, dia 7, no restaurante Miyabi — imagine minha tristeza em não poder comparecer…

Celebrei a parceria de Renato de Cara com sua mãe, Bertha Eunice, em bordados que fazem parte da mostra na galeria Carmo Johnson Projects, com curadoria dele próprio e texto de Leonora de Barros

Descobri uma sobremesa feita de claras, chamada Molotov, e fiquei totalmente encantada

Passei uma manhã entre os livros e a nova ala assinada por Álvaro Siza na Livraria Lello

Vi que Madonna continua a surpreender com sua produção, suas fotos e suas declarações

Mergulhei, quase que diariamente, nas sardinhas assadas nos restaurantes por aqui

Experimentei vários vinhos rosés aqui da região — bem gostosos

Fui, mais uma vez, visitar a pequena loja de André Amolador, no Mercado do Bolhão, um clássico daqui: as facas, feitas por ele mesmo, são uma tradição de família

Conheci ao vivo a obra da fotógrafa Vivian Maier em uma belíssima exposição no Centro Português de Fotografia

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Nada melhor para celebrar estes dias de literatura e bons momentos aqui na cidade do Porto, Portugal: a cantora Carminho, uma das maiores do país, e a nossa Marisa Monte — mundo ideal.

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