Cada vez mais acho que uma das coisas mais importantes na vida, entre tantas outras, é a gente sentir e perceber que está no lugar certo na hora certa. Essa conjunção não é fácil de acontecer, mas quando acontece e a gente consegue perceber, o sentimento é muito bom: o coração fica aquecido, a mente aquietada, a alma tranquila. Tive a sorte de viver essa experiência algumas vezes na última semana, quando participei das comemorações do dia do Perdão judaico, o Yom Kippur, ao me dividir entre duas sinagogas. Eu explico: são várias cerimônias durante três dias, uma noite pré e dois dias seguidos, e eu quis ir na minha própria sinagoga, que frequento, mas também queria ficar um pouco com minha irmã e meu cunhado na sinagoga que eles frequentam. No último dia, na última cerimônia, estava com quase toda minha família reunida — isto é, os que estão em São Paulo — e a sensação que tive foi de plenitude — acho que você me entende, não? Depois, tive o mesmo sentimento de estar no lugar certo na hora certa na missa de sétimo dia de Rodrigo Cass, na Basílica do Carmo, na Bela Vista, aqui em São Paulo. Ele morreu prematuramente no Rio, era um artista plástico proeminente e companheiro de um grande amigo meu, Paulo Von Poser 🌹. Me senti também plena por estar ali, perto do Paulo nesse momento tão difícil para ele. Engraçado, mas são justamente esses momentos sagrados que me trazem o que tanta gente procura e às vezes não acha: um sentido para a vida.
Ilustração: Maria Eugenia
REGANDO AMIZADES
A gente aprende cedo que amor pode acabar. Tem música, filme, livro, terapia e um repertório inteiro para ajudar a sobreviver a um coração partido. Agora, amizade, como faz? Um amigo desaparece da nossa vida e seguimos meio sem saber onde colocar aquela dor. Às vezes não tem nem uma conversa final. Fica apenas um silêncio que vai ficando comprido e difícil de administrar.
Algumas amizades atravessam anos de intimidade e, aos poucos, vão meio que azedando. Divergências aparecem, certas conversas viram farpas e aquilo que parecia um vínculo para a vida inteira simplesmente deixa de funcionar. Acho especialmente dolorido porque, muitas vezes, ninguém sabe exatamente em que momento a amizade esfriou.
Talvez a gente subestime o quanto essas rupturas fazem parte da vida. De acordo com o sociólogo holandês Gerald Mollenhorst, em sete anos, substituímos aproximadamente metade da nossa rede social. Trabalho muda, casamento muda, cidade muda, filhos chegam, prioridades se embaralham. E aquela pessoa que sabia tudo sobre você aos 25 pode virar alguém que você acompanha de longe aos 40. E assim por diante.
Algumas amizades também adoecem. Um estudo mediu a pressão arterial de pessoas na presença daqueles amigos ambivalentes, os que misturam afeto com cobrança, tensão e imprevisibilidade. Segundo a The Atlantic, o resultado mostrou que a pressão subia mais nessas situações do que perto de alguém de quem a pessoa declaradamente não gostava. Achei impressionante. Parece que o corpo também se ressente de relações em que nunca sabemos se vai vir abraço ou alfinetada.
E existe um assunto pouco elegante e, justamente por isso, interessantíssimo: inveja entre amigos. O sucesso de um pode mexer profundamente com o outro. Talvez porque amizade carregue uma espécie de espelho. Crescemos juntos, nos comparamos, imaginamos futuros parecidos. Quando um dispara numa direção, a relação precisa encontrar outro equilíbrio.
Tem gente que chega a fazer terapia para cuidar de uma amizade em crise. Parece exagerado? Pensando bem, curioso é achar perfeitamente normal investir horas, dinheiro e conversa para salvar um casamento e deixar uma amizade importante morrer por falta de jeito.
Alguns especialistas defendem que amizade merece mais rituais, mais atenção, mais reconhecimento. Concordo. Até porque ela passa anos sem muitos dos apoios que cercam outros vínculos. Amigos não têm contrato obrigando presença, aniversário de casamento lembrando que o tempo passou ou instituição dizendo quando insistir e quando partir.
Talvez esteja aí uma certa injustiça. A gente espera que as grandes amizades atravessem décadas, mudanças, sucessos, fracassos e sumiços, mas muitas vezes cuida delas com o que sobra da agenda. Até o dia em que já sobrou pouco demais.
Perder um amigo pode partir o coração, sim. Admitir isso talvez faça a gente olhar com mais cuidado para quem ainda está por perto. Ligar mais. Pedir desculpas quando for preciso. Aguentar uma conversa difícil. Aparecer mesmo quando a vida está corrida. Porque amizade dá trabalho. E, convenhamos, algumas pessoas valem sim esse trabalho.
Feliz no simples — e sofisticado, claro/ Fotos: Reprodução Instagram
O NOVO CÓDIGO
Durante muito tempo, descobrir quem tinha dinheiro, gosto e informação era relativamente fácil. Bastava olhar a bolsa, o sapato, o casaco. A moda funcionava quase como um idioma secreto do status. Só que esse código parece estar mudando. Um estudo da Highsnobiety, veículo internacional dedicado à moda, cultura e comportamento, sobre a chamada "Status Economy" mostra que os sinais de prestígio se espalharam pela vida cotidiana. Estão na geladeira, no banheiro e, cada vez mais, na mesa.
Achei isso muito interessante. Principalmente porque contraria aquela conversa repetida sobre uma Geração Z que não sai de casa, não bebe, não socializa e vive grudada no celular. Entre os chamados “pioneiros culturais”, acontece quase o contrário. A hospitalidade ganhou um lugar importante nessa história. E, sinceramente, gosto disso.
Entram aí o martini bem feito, a Caesar salad com batata frita, o vinho natural, a cerveja Guinness tirada direito, o matcha de mirtilo de 12 dólares. Também entram os listening bars, onde se vai para ouvir discos, os clubes de xadrez e as aberturas de galerias. Até uma mala surrada cheia de adesivos de viagem ou a foto no banheiro do restaurante certo podem funcionar como senha, naquele espírito do “se você sabe, você sabe”.
Segundo a Highsnobiety, parte dessa mudança tem uma explicação bastante prática. As grandes marcas de luxo ficaram caras demais. Ao mesmo tempo, a internet deixou tudo excessivamente visível. Uma tendência aparece, viraliza, ganha fila na porta e, de repente, perde um pouco da graça. O relatório chama essa pasteurização de “tasteslop”: gostos, lugares e objetos repetidos tantas vezes que acabam todos com a mesma cara.
Talvez por isso exista hoje certo charme em descobrir antes, frequentar sem alarde, escolher com alguma intenção. O curioso é que até essa fuga do algoritmo rapidamente cria seus próprios códigos. O restaurante discreto vira o restaurante certo. O vinho desconhecido vira assunto. E a busca pela autenticidade, quando todo mundo embarca nela, também corre o risco de produzir uma nova uniformidade.
Tem ainda uma questão econômica nessa história. Para jovens que olham para a casa própria ou para planos muito longos como coisas cada vez mais distantes, gastar num jantar, numa viagem curta ou num drinque especial parece uma forma mais possível de aproveitar o presente. Até a relação com a bebida acompanha esse movimento: diminui o interesse pela bebedeira sem muita cerimônia e cresce o gosto pelo ritual, pela escolha, pelo que aquilo comunica.
No fundo, acho divertido perceber que o status nunca desaparece. Ele apenas muda de lugar. Sai um pouco da etiqueta e vai para a experiência, para o endereço, para o copo, para a conversa. O código ficou menos óbvio, mas talvez até mais rigoroso. Agora, não basta ter. É preciso saber onde ir, o que pedir e, principalmente, reconhecer os sinais. Se você sabe, você sabe.
A gente é ótima para cuidar dos outros. Cobre o plantão de alguém, acompanha pai e mãe ao médico, resolve problema de família, escuta amiga, ajuda aqui, socorre ali. Aí chega a própria vez e aparece aquela voz desagradável dizendo que você podia ter feito mais. Engraçado como a generosidade, às vezes, termina exatamente na porta de casa.
Uma reportagem do The Washington Post sobre um estudo da Universidade McGill, no Canadá, me fez pensar nisso. A pesquisa, publicada na revista "Personality and Individual Differences", ouviu mais de 1.200 pessoas e encontrou um dado curioso: quem demonstrava muita compaixão pelos outros e pelos animais, mas pouca por si mesmo, apresentava os maiores níveis de estresse, ansiedade e depressão.
O professor que liderou o estudo fala de quatro ingredientes dessa tal autocompaixão: conseguir olhar para si com menos julgamento, cuidar da própria rotina, ter respeito pela própria história e aceitar conforto quando precisamos. Parece simples, mas na vida real, aceitar ajuda pode ser bem mais difícil do que oferecê-la.
Conhecemos perfeitamente essa personagem. É a filha que leva o pai idoso a todas as consultas e ainda acha que está fazendo pouco. A enfermeira que cobre o turno dos colegas e desmarca a própria consulta. A pessoa que tem colo para todo mundo, mas nenhuma paciência consigo mesma. A gente aprendeu muito bem a cuidar para fora e nem sempre sabe fazer o mesmo para dentro.
O psicólogo Christopher Germer, de Harvard, autor de "Self-Compassion for Shame" ("Autocompaixão para a vergonha"), sugere um gesto quase infantil de tão simples: colocar a mão sobre o peito e perguntar: “do que eu preciso agora?”. Segundo ele, esse contato físico pode ajudar a reduzir o cortisol, hormônio ligado ao estresse. Existem também, segundo um outro professor, outras possibilidades: reservar algum tempo para si, caminhar, meditar, fazer terapia e aceitar ajuda sem aquela culpa automática.
Fomos ensinados a admirar quem aguenta tudo, dá conta de tudo e nunca incomoda ninguém com as próprias necessidades. Eu, pessoalmente, não concordo.
E mais: viver assim cobra um preço. Porque ser generoso com o mundo inteiro, enquanto a gente se trata tão mal, continua sendo uma contradição. Certo?
Dando um jeito nas encanações… / Fotos: Reprodução Instagram
EM BUSCA DE UM SOSSEGO REAL
Você deita exausto, apaga a luz e, pronto: o cérebro resolve começar o expediente. Lembra do e-mail que precisa responder, da reunião do dia seguinte, daquela compra esquecida, de uma providência que nem parecia tão urgente às quatro da tarde, mas às onze da noite adquire proporções de crise internacional. Quem nunca?
Achei ótima uma reportagem da Time sobre uma solução para essa cabeça que insiste em não parar: escrever, antes de dormir, o que precisa ser feito no dia seguinte. Sim, estamos falando de uma lista. Papel e caneta podem fazer bastante por uma noite de sono — olha que engraçado: faço isso desde que me entendo por gente…
Existe até uma explicação para essa estratégia, o chamado "cognitive offloading", ou descarregamento cognitivo. A ideia é tirar da memória a obrigação de continuar segurando todas aquelas pendências. Um estudo de 2018, citado pela revista, acompanhou 57 jovens adultos e descobriu que aqueles que passaram cinco minutos anotando as tarefas dos dias seguintes adormeceram, em média, nove minutos antes de quem escreveu sobre aquilo que já havia feito. E um detalhe curioso: quanto mais específica a lista, mais rápido vinha o sono.
Faz muito sentido. Nossa cabeça anda parecendo um navegador com abas demais abertas. A gente está jantando, mas uma delas continua na reunião. Assiste a um filme enquanto outra calcula o que precisa resolver amanhã. Conversa com alguém querido enquanto uma terceira aba lembra daquele documento que ficou pela metade. O corpo até saiu do trabalho. A cabeça, aparentemente, não recebeu o comunicado.
A dica dos especialistas é fazer essa descarga um pouco antes de ir para a cama, de preferência no fim do expediente ou quando terminam as obrigações da casa. Bastam cinco ou dez minutos. Você coloca tudo no papel, escolhe três prioridades, olha a agenda e escreve ações concretas. “Preparar reunião” ainda deixa espaço demais para a cabeça trabalhar. “Puxar os dados do terceiro trimestre e enviar a apresentação” já deixa aquela pendência mais organizada. E, pessoalmente, costumo fazer isso num buraquinho que deixo ao lado das escovas de dente. Tenho outro na cabeceira para um eventual esquecimento.
Gostei especialmente dessa ideia de criar uma fronteira. Acho que estamos precisando reaprender a encerrar o dia. Fechar o computador adianta pouco quando continuamos levando o escritório inteiro para o sofá, para o jantar e, finalmente, para o travesseiro.
Claro que existe uma armadilha: a lista que deveria aliviar pode virar mais uma ferramenta de tortura. Pesquisadores alertam para o risco da "threat list", aquela relação de pendências que mais parece um boletim de tudo o que você não conseguiu fazer direito. Só que aí acabou a graça. Dá para escrever no celular, num caderno, onde quiser. Eu continuo fazendo em papel. O que o exercício precisa é aliviar a cabeça sem virar uma nova frente de cobrança.
Também me chamou a atenção esse hábito de procurar técnicas cada vez mais sofisticadas para descansar enquanto carregamos mentalmente cada detalhe da vida, como se deixar uma tarefa para amanhã fosse quase uma irresponsabilidade.
Eu gostei da imagem das abas porque ela resume bem a questão. Fechar uma delas permite apenas que aquele assunto fique quieto por algumas horas. Ele continua ali e pode ser retomado amanhã. Convenhamos que isso já ajuda bastante.
Ilustração: Maria Eugenia
A ÚLTIMA FRONTEIRA DO AFETO
Planejamos tudo: o casamento, o parto, a aposentadoria, a herança, a viagem dos sonhos. A morte, curiosamente, fica numa espécie de sala escura: melhor não falar, melhor não pensar. Como se ignorá-la pudesse adiar o encontro. Por isso fiquei tão intrigada com uma reportagem do The New York Times sobre a Quiĕtus”, uma start-up médica criada em Nova York para acompanhar pacientes terminais que escolhem o chamado "medical aid in dying", o auxílio médico para morrer.
A história que está na origem da empresa bagunça um pouco as nossas certezas. A mãe de uma das fundadoras, aos 81 anos e com uma doença muscular degenerativa, sofreu um engasgo e foi salva pelo próprio filho. Só que ficou furiosa: ela confessou que já estava pronta para morrer. Em 2023, a família viajou para um estado onde o auxílio médico para morrer era permitido. Chamaram um padre, colocaram "My Way", de Frank Sinatra, para tocar e ela tomou a medicação misturada a suco de maçã com sorvete.
A Quiĕtus tenta levar essa intimidade para um terreno que a medicina costuma cercar de prontuários, protocolos e corredores de hospital. Segundo o New York Times, a equipe não tem consultório fixo e atende os pacientes em casa. Em Nova York, o processo exige residência no estado, expectativa de vida de até seis meses, duas avaliações médicas, triagem psicológica e um vídeo formalizando a decisão. O serviço custa perto de 12 mil dólares e inclui consultas, medicamentos e apoio à família, embora a empresa diga que pretende atender também quem não pode pagar.
Claro que a questão é bem maior e bastante desconfortável. Uma pesquisa citada pela reportagem mostra que 60% dos médicos apoiam a legalização da prática, mas só 13% aceitariam prescrever a medicação. Dá para entender a profundidade da questão: a medicina foi construída em torno da ideia de salvar vidas. Só que chega um momento em que prolongar a vida e aliviar o sofrimento podem apontar para direções diferentes. Quem decide? O médico? A família? O paciente? Difícil imaginar uma resposta que sirva para todo mundo.
Na verdade, talvez seja isso que mais me interessa nessa história, porque ela nos obriga a falar de um tema que evitamos com uma competência impressionante: o fim. Passamos décadas discutindo qualidade de vida, longevidade, autonomia, bem-estar. Faz sentido que a conversa encoste também na qualidade da morte. Poder estar em casa, cercado de afeto e com a música escolhida — pensar nisso dá medo. Mas existe alguma coisa de muito humana na possibilidade de dizer como queremos nos despedir. Humana — e muito sensível…
Gosto muito de celebrações religiosas. Na semana passada foram as grandes festas judaicas. Gosto do Natal e de tantas outras datas especiais católicas, como também admiro os estudos do Evangelho. Na verdade, gosto de religiões . E foi pensando nessas datas mais sagradas que eu fiz minhas escolhas esta semana no Iguatemi. Cuidar da alma também é necessário. E eu gosto muito.
Na montagem acima, reprodução da imagem da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, projetada por Oscar Niemeyer em 1958, Brasília, DF
1 - Para um momento mais litúrgico, esse vestido crepe de Carolina Herrera faz bonito
2 - Essas sandálias da Louis Vuitton são mais clássicas, não chamam tanto a atenção e garantem o conforto necessário nessas ocasiões
3 - E se houver um convite para um jantar de celebração, um bom presente para os anfitriões é esse livro “OCA - Arquitetura do Brasil”, na Livraria da Travessa
4 - Fiquei encantada com essa bolsa Mombasa, de Saint Laurent, que remete a um modelo antigo da marca, que virou icônico
5 - Para dar um toque de classe e arrematar o look com discrição, esse pingente da coleção Alphabet, da Sauer, de lápis lazuli, diamantes e ouro amarelo: que tal?
Amyr Klink me disse que é mais rico que o dono do banco onde tem conta. O banqueiro, quando senta na cama dos filhos, precisa comprar a história que vai contar. Amyr tem as dele: o Atlântico atravessado a remo, a volta da Antártica num barco sem leme, a Paraty descoberta pelo pai depois de um pouso forçado numa praia.
Recebi Amyr às vésperas da estreia de "100 Dias", filme de Carlos Saldanha sobre sua travessia, que chega aos cinemas em 29 de outubro. Ele me contou como foi se ver na tela e o que o filme mostra que o livro nunca contou.
Foi uma daquelas conversas que fazem a gente acreditar na humanidade. A entrevista completa já está no meu canal do YouTube: https://www.youtube.com/P5GgkLG_KHw
Foto: Divulgação
3 perguntas para
Tiago Alves Pinto decidiu muito cedo que queria aprender a ler o corpo com as mãos. Ainda no primeiro período da faculdade de Fisioterapia, uma demonstração de osteopatia despertou um interesse que acabaria definindo sua carreira. A especialidade utiliza avaliação clínica e técnicas manuais para investigar dores e disfunções, observando como diferentes partes do corpo se relacionam. Hoje, à frente da Ozteo Fisio, no Rio de Janeiro, Tiago parte justamente dessa ideia: um desconforto nem sempre começa onde dói. Em uma rotina marcada por estresse, pouco descanso e soluções cada vez mais rápidas, ele propõe outro movimento: prestar atenção aos sinais que o corpo dá antes de simplesmente tentar silenciá-los. Ah, e o melhor: Tiago agora se divide entre Rio e São Paulo, onde também montou uma clínica.
1. Como a osteopatia, que nunca foi tão conhecida como a fisioterapia, entrou na sua vida?
Soube que ia ser osteopata no primeiro período da universidade. Tive certeza absoluta ao ver demonstrações de todas as especialidades. Quando foi a vez de um osteopata, que é meu amigo até hoje, me imaginei fazendo aquilo na minha carreira. Ao me aprofundar mais sobre o tema, fiquei fascinado pela forma de raciocínio para fazer um diagnóstico e quanto poder podemos ter nas mãos para curar as pessoas.
2. Temos uma cultura cada vez mais voltada para eliminar qualquer desconforto imediatamente, às vezes, sem olhar para a origem real do problema: o que nossas dores podem querer nos contar e que temos que estar atentos?
Precisamos perceber que nosso corpo é um organismo e seu funcionamento depende de um equilíbrio (homeostase) em suas interrelações. As dores são avisos de que o nosso organismo entrou em desequilíbrio — não é uma coisa negativa, se olharmos como alertas para corrigir alguma disfunção. A importância de investigar a real causa da dor é essencial para a promoção da saúde.
O desconforto pode ser desde uma coisa simples, como um estiramento muscular ou uma postura inadequada, até uma doença mais grave, levando a risco de morte. Essa conscientização é importante numa realidade em que estamos sobrecarregados de tarefas e, às vezes, buscamos uma solução simples e rápida, mas que não resolve o problema.
3. Qual hábito simples teria um impacto muito maior sobre o corpo do que a maioria das pessoas imagina?
Falando sobre apenas um hábito, seria fazer um bom descanso diariamente. Nos dias de hoje existe uma questão que sempre explico aos pacientes: todos acham que o estresse faz mal para a saúde, mas, na verdade, ele é inevitável e nosso corpo aguenta. Porém, o problema é que não descansamos de forma efetiva para que nosso corpo possa se recuperar desse estresse, virando excesso e adoecendo o corpo. Mas não posso deixar de mencionar que existem cinco pilares para uma saúde plena: atividade física, alimentação equilibrada, sono reparador, atividades prazerosas e organização com controle dos pensamentos.
A MEMÓRIA TAMBÉM MORA AQUI
São Paulo tem uma certa mania de começar de novo. Derruba, sobe, troca, acelera. Talvez por isso eu goste tanto dos lugares em que o tempo ainda fica visível. Higienópolis é um deles. Você anda pelo bairro e percebe diferentes épocas convivendo nas árvores, nos edifícios, nas escolas, nos restaurantes e na vida que acontece pelas ruas. Talvez a graça esteja justamente aí: permitir que o novo chegue sem obrigar o antigo a desaparecer.
Um exemplo disso é o Palacete Piauí, na esquina das ruas Piauí e Itacolomy. Construído entre 1916 e 1918, o casarão já foi residência, recebeu instituições públicas e passou cerca de vinte anos fechado. Seus vitrais, lambris e serralherias são mais do que detalhes de arquitetura. Guardam um pedaço da memória do bairro.
Depois de mais de três anos de trabalho, o Palacete foi restaurado pelo Estúdio Sarasá dentro de um projeto imobiliário da Helbor e da MPD. Mais adiante, parte dele deverá receber um ComVem, com gastronomia e serviços. Gosto dessa ideia de patrimônio que volta ao cotidiano, em vez de permanecer congelado como peça de museu.
Toda cidade precisa mudar. São Paulo, então, parece ter pressa especial. Mas preservar alguns marcos é também preservar as pistas de quem fomos. Porque identidade se constrói com o que chega, claro, mas também com aquilo que escolhemos não deixar desaparecer.
Não aguentei ao ver a cachorrinha de Pilar Brandão, interpretada por Isabel Teixeira, em “Quem Ama Cuida”: ela é uma personagem fundamental na história
Quero parabenizar a Alcione Albanese pela maravilhosa festa dos Amigos do Bem: não pude comparecer, mas acompanhei de casa o sucesso
Celebrei com Zeila Ferro, Rosa Cardoso e J.P de Araújo Jorge a estreia da “Atto”, na Casa Birman, que vai criar e produzir eventos de sonho: a amostra de quinta-feira já deixou bem claro do que eles serão capazes
Achei a maior graça as sapatilhas meio tênis da collab da Miu Miu com a New Balance
Quero reforçar e ajudar a venda dos ingressos da Filarmônica de Berlim, uma das melhores do mundo, que vem para duas apresentações em São Paulo, dias 18 e 19 de outubro, em benefício da TUCCA
Passei dois dias totalmente recolhida, tentando me recompor, em casa, dos últimos dias de agitação intensa
Participei com muito orgulho da comemoração dos 5 anos do Museu Judaico de São Paulo, do qual faço parte do conselho: quem fez as honras da casa com um jantar perfeito de Mazzô França Pinto, música ao vivo maravilhosa e uma noite iluminada foi Israel Vainboim
Fiquei saudosa ao visitar a mostra “Diário de Bolsa”, com fotos de Vania Toledo, na Kobbi Gallery, um recorte de um trabalho precioso apresentado há 18 anos na Pinacoteca de São Paulo e que agora volta ao público
Recebi o livro que Sonia Manski vai lançar dia 5 de outubro no bar Balcão: “Artes e manhas do ofício” fala com muito humor do lado B da maternidade
Fiquei toda feliz porque a vendedora na loja japonesa que eu frequento perguntou se eu era cantora, por causa da minha voz: na última quinta-feira, retomei minhas aulas de canto com a professora Giovanna Moreira — me aguarde
Recebi o convite de Mario Cohen para uma mostra de fotos de Sebastião Salgado e Mirella Ricciardi, na terça-feira, em sua galeria: batizada de “A elegância do olhar”, tem curadoria de Lilian Pacce
Soube que a Feira de Arte Social de São Paulo (FASSP) abre sua segunda fase dia 17 de outubro, no Centro Britânico, em Pinheiros, com quatro artistas, curadoria de Agnaldo Farias e fundos arrecadados para a ONG Vida – Casa de Apoio: uma ação reunindo cultura, mercado e ação social
Adorei saber que Sofia Coppola convidou o New Order para tocar em Versalhes, na celebração dos 20 anos de seu filme “Marie Antoinette”: a mistura improvável entre synth-pop, escultura barroca e o cenário do palácio parece resumir perfeitamente o olhar dela
Me peguei salivando ao ver uma foto de uma pizza da Ceres, uma das pizzarias mais disputadas de Nova York, criada por dois ex-chefs do três-estrelas Eleven Madison Park: a massa é fina e crocante, como amo, e a procura é tanta que é preciso chegar cedo para garantir uma fatia antes que acabe
Descobri que Jonathan Anderson transformou uma caneca de 2.500 anos em objeto de desejo: para sua segunda colaboração com a Wedgwood, ele recriou peças gregas antigas de sua coleção particular em versões feitas à mão na Inglaterra, vendidas em pares por £300
Achei interessante o crescimento dos shows onde os aparelhos celulares não são bem-vindos: Alicia Keys, Jack White, Paul McCartney e Bob Dylan estão entre os artistas que vêm restringindo o uso de smartphones em seus shows para tentar recuperar uma relação mais direta entre palco e público
Fiquei louca para aterrissar em Londres para ver The 90s: Art and Fashion, nova exposição da Tate Britain, com curadoria de Edward Enninful — são mais de 100 obras que atravessam moda, fotografia, arte e design dos anos 1990, com nomes como Juergen Teller, Vivienne Westwood, Alexander McQueen, Tracey Emin e Damien Hirst
Descobri que a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, está de olho em tratamentos para queda de cabelo: a farmacêutica quer ampliar sua atuação direta com consumidores e vê esse mercado como uma nova oportunidade de crescimento — amei!
John Coltrane, saxofonista e arranjador, foi um dos nomes mais importantes da história do jazz. Para lembrar seu centenário de nascimento, escolhi uma canção original do musical “The Sound of Music”, “My favorite things”, como uma pequena homenagem. Essa apresentação aconteceu em 1965, em um festival de jazz na Bélgica, quando ele estava cada vez mais inserido num universo mais livre e mais espiritual.
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