A estranha mania de querer ser cada vez melhor, os modismos que mexem com a economia e a importância verdadeira dos amigos: venha, porque a mistura está boa!

Vou compartilhar com você aqui uma falha cultural minha, da qual eu me envergonho bastante: nunca havia assistido Marin Alsop conduzir uma orquestra… Já tive a chance de ver Seiji Ozawa regendo, Zubin Mehta, Luciano Berio, Von Karajan entre outros. Sou uma felizarda. E sim, essa era uma falha enorme que eu só percebi quando fui, na última quinta-feira, à Sala São Paulo para assistir a uma das três apresentações que Alsop faria aqui para comemorar seus 70 anos. O que eu vi foi transformador para mim: uma mulher levando adiante uma orquestra formada por músicos de primeira linha totalmente afinados com ela. Uma coisa de alma mesmo. E ela? Um assombro. Podia-se perceber que ela estava muito feliz de ter voltado a São Paulo, onde viveu durante 8 anos, indo e voltando, de 2011 a 2019. Uma mulher cheia de energia, presença, sensibilidade, acolhendo todos aqueles músicos e levando-os adiante e junto numa noite inesquecível que teve “Cândido”, de Voltaire, por Leonard Bernstein, teve Mahler, teve Prokofiev e Heitor Villa-Lobos. Sublime é a palavra que cabe aqui. Voltei para casa de alma lavada e o coração aquecido. Sabe o título dessa mini temporada? “Histórias de Amor”.


O LUXO É AGORA

Em algum momento, viver virou uma espécie de projeto de gestão. A gente mede o sono, controla proteína, potássio, exercício, testosterona, passos, calorias. Lê um livro e olha quantos faltam para bater a meta. Até as férias entram numa engenharia de pontos, cartões e salas VIP. Tudo precisa render alguma coisa.

Isso é o que a The Atlantic chamou de "maxxing", essa ideia de que sempre existe alguma coisa em nós que poderia funcionar melhor. E, quando tudo entra nessa lógica, começamos a passar pelo presente pensando apenas no que vem depois. Ficamos com essa pressa esquisita de adiantar as coisas, como se o presente nunca fosse suficiente.

Parece que está faltando uma coisa bastante simples nesse processo: encantamento. Aquela capacidade meio infantil de prestar atenção porque alguma coisa, por mais banal que seja, nos surpreendeu. E convenhamos: isso é precioso.

A vida moderna ficou muito eficiente. Aplicativos evitam que a gente se perca. Fones de ouvido abafam os sons da rua. Ferramentas resolvem pequenas tarefas antes mesmo que elas ocupem espaço na cabeça. Sim, eu uso tudo isso. Só acho curioso perceber o que acontece quando vamos eliminando cada espera, cada desvio, cada ruído e cada acaso. Junto com o inconveniente, às vezes vai embora também aquilo que poderia nos chamar a atenção. O imponderável, o inusitado.

A gente tem essa mania de ganhar tempo: acelera uma tarefa para encaixar outra, encurta um caminho para chegar mais cedo, organiza o descanso para descansar direito. E assim vai. Enquanto isso, o café esfria, alguma coisa acontece do lado de fora da janela e a gente nem viu.

O encantamento não vai melhorar o seu currículo, não vai deixar a gente mais atraente e nem vai aumentar o nosso saldo bancário. Mas ele faz algo infinitamente mais valioso: lembra que você é um corpo vivo no mundo, pisando no presente. A gente gasta uma energia colossal tentando otimizar cada respiro e acelerar o futuro, com medo de perder tempo. Descobrir que o antídoto para essa exaustão de métricas não é produzir mais, mas sim ter a intuição, a humildade e a leveza de aceitar os pequenos presentes que a vida já está nos entregando. Um respiro necessário e muito gostoso. O mundo está barulhento e obcecado por performance. Ter a ousadia, a audácia de desacelerar, olhar para o lado e se encantar com o ordinário talvez seja o nosso verdadeiro troféu.


A AGRICULTURA DA TENDÊNCIA

Você piscou e todo mundo começou a tomar matcha. Piscou de novo e apareceu uma barra de chocolate recheada de pistache em cada canto do feed. Depois veio o ube, aquele inhame roxo que deixa qualquer bebida com uma cor praticamente impossível de ignorar. Comida sempre teve moda, claro. O fondue já ocupou seu lugar de glória nos anos 1960 e 70 e deixou, depois, um exército de panelinhas esquecidas nos armários.

A vontade de mostrar o que comemos vem de longe. O que mudou foi a velocidade. Um vídeo viraliza, milhões de pessoas querem provar, grandes marcas correm para lançar sua versão e, quando a agricultura percebe o que aconteceu, o mundo inteiro já está atrás do mesmo ingrediente.

O caso do chocolate de Dubai explica bem isso. Nunca entendi direito, mas se trata de uma barra recheada de pistache que, quando surgiu, passou dos 100 milhões de visualizações no TikTok em 2023. Pronto. Grandes fabricantes de chocolate entraram na corrida e a demanda ajudou a esgotar a produção global de pistache. Acho meio maluco imaginar que um vídeo assistido no celular possa terminar mexendo com plantações inteiras, mas enfim, foi bem por aí.

E a agricultura, coitada, não conhece algoritmo. O matcha, por exemplo, virou objeto de desejo mundial, enquanto as folhas de tencha, usadas para produzi-lo, obedecem ao calendário de sempre. Os arbustos levam anos para crescer. Entre 2024 e 2025, o preço dessas folhas quase triplicou.

Até o whey entrou nessa história. Durante muito tempo, boa parte dele acabava servindo de alimento para porcos. Agora, com a febre das dietas ricas em proteína e do ganho de massa muscular, virou ingrediente disputado. O preço do concentrado de whey multiplicou por cinco em três anos.

As grandes redes, claro, tentam acompanhar essa velocidade. Segundo a The Economist, o Starbucks monitora o comportamento dos consumidores na internet e já entrou em ondas como a do chá verde e das bebidas com proteína. Nem sempre acerta: o café com azeite de oliva durou menos de um ano nos Estados Unidos. Uma coisa é perceber o que está despertando curiosidade. Outra é saber o que vai continuar gostoso depois da foto.

Nunca tivemos tanta informação sobre o que as pessoas querem comer, mas esse desejo também nunca mudou tão depressa. Especialistas observam que os consumidores mais jovens são especialmente atraídos pela novidade. A gente não compra uma bolsa nova toda semana, mas pode aparecer com aquela bebida roxa que todo mundo está perguntando onde encontrar.

A comida entrou de vez na economia da atenção. A gente olha, fotografa, comenta, deseja e, finalmente, come. O problema é que todo mundo pede a mesma coisa e, pouco depois, abandona tudo para correr atrás da próxima novidade.

Tem algo um pouco perturbador em perceber que o almoço pode começar num vídeo de quinze segundos e terminar mexendo com uma fazenda do outro lado do planeta. A gente sempre teve modas à mesa. Agora elas chegam antes, duram menos e fazem um estrago bem maior pelo caminho.

A GEOMETRIA DO AFETO

A gente adora uma caixinha. Agora, além de signo, ascendente e linguagem do amor, entrou no repertório afetivo a pergunta: qual é o seu estilo de apego? Ansioso, evitativo, seguro… De repente, uma teoria da psicologia virou quase teste de personalidade para namoro. O perigo começa quando usamos essas palavras como sentença. “Ele é evitativo.” “Eu sou ansiosa.” Pronto. Caso encerrado.

Amir Levine, psiquiatra e professor da Universidade de Columbia, que ajudou a popularizar a teoria do apego com o livro “Attached” (Apegados), lembra justamente o que as redes sociais parecem ter esquecido: esses padrões podem mudar.

A teoria descreve quatro formas mais comuns de se relacionar. Há quem confie e se sinta confortável com intimidade; quem queira proximidade, mas viva com medo de rejeição; quem proteja demais a própria independência e quem alterne entre buscar afeto e fugir dele. Até aí, tudo muito arrumadinho. Só que a vida, felizmente, bagunça o esquema. Uma mesma pessoa pode se sentir segura no amor, ansiosa com um amigo e tranquilíssima com o cachorro. Ou seja, somos bem menos coerentes do que os testes da internet pressupõem.

E não são só os pais que entram nessa conta. Um estudo de 2025 liderado por Keely Dugan, da Universidade de Missouri, mostrou que as amizades da infância também pesam na forma como nos relacionamos mais tarde. Pequenas rejeições vão deixando suas marquinhas pelo caminho.

A parte boa é que segurança afetiva também se aprende. Levine resume esse exercício na sigla CARRP: consistência, disponibilidade, responsividade, confiabilidade e previsibilidade. Em português claro: responder, aparecer, cumprir o combinado, estar ali. Parece pouco diante de toda a nossa obsessão por química e grandes gestos. Mas talvez seja justamente aí a diferença.

Tem uma delicadeza enorme nisso. Porque tira um pouco do glamour da ideia de encontrar “a pessoa certa” e coloca responsabilidade também na maneira como cada um se comporta dentro de uma relação. Não precisamos chegar prontos. Nem perfeitamente seguros. Às vezes, uma pessoa confiável já muda a temperatura emocional de um vínculo.

Talvez um encontro de verdade tenha menos a ver com descobrir em qual caixinha alguém cabe e mais com observar o que acontece quando estamos juntos. Eu fico mais tranquila ou mais insegura? Posso contar com essa pessoa? E ela pode contar comigo? Parece simples. Mas não sei, não… A questão é que consistência virou artigo raro. Talvez por isso esteja valendo tanto.

​
​

Me siga nas redes!

ESSA CASA SOU EU?

Você chega em casa depois de um dia daqueles, fecha a porta, larga a bolsa e… nada. A casa é bonita. O sofá foi escolhido com critério, a iluminação é impecável, o armário está organizado. Mesmo assim, alguma coisa incomoda. Achei curioso descobrir, numa reportagem do The Washington Post, que já existe gente olhando para esse desconforto quase como quem olha para uma questão emocional. É a chamada "house therapy", ou terapia da casa, uma mistura de design de interiores, organização e psicologia que parte de uma ideia bastante simples: talvez a nossa casa diga muito mais sobre nós do que imaginamos.

A proposta muda um pouco a pergunta que costumamos fazer quando pensamos em decoração. Em vez de “como quero que esta sala fique?”, entra “como quero me sentir aqui?”. Profissionais desse nicho trabalham justamente a partir dessa lógica. O espaço precisa acompanhar a vida que existe dentro dele. Parece óbvio, mas quantas vezes fazemos exatamente o contrário? Montamos uma sala linda onde ninguém senta, mantemos um quarto impecável que não nos acolhe. Tipo um cenário.

Essa turma recorre até à neurociência e ao chamado design biofílico, que aproxima os ambientes de elementos da natureza, para pensar espaços que provoquem menos estresse e menos sobrecarga. E aí a conversa fica interessante, porque organização deixa de ser apenas uma obsessão estética. A circulação dos móveis, a luz, aquilo que fica exposto, o que se acumula, o que nunca usamos… tudo começa a funcionar como uma espécie de retrato da rotina.

Para alguns profissionais, padrões emocionais também aparecem na maneira como montamos a casa. Uma cliente que foi criada num ambiente caótico, por exemplo, percebeu que havia se cercado de móveis frágeis e instáveis. Teve papo até de “reparentar” a criança interior por meio do espaço e relacionar certos ambientes à vida afetiva. Confesso que acho a tese ousada, mas a provocação é boa: até que ponto a casa repete, sem percebermos, aquilo que carregamos por dentro?

Mas uma coisa me pegou. Em momentos de divórcio, saída dos filhos, mudança de relacionamento ou trabalho remoto, é mesmo curioso perceber como a casa demora a acompanhar quem nós nos tornamos. Às vezes continuamos vivendo num cenário montado para uma versão antiga de nós mesmos. E talvez seja aí que essa tal terapia da casa faça mais sentido para mim — menos como promessa de cura e mais como exercício de atenção. Olhar para um ambiente e perguntar: isso ainda tem a ver comigo?

Passamos tanto tempo escolhendo o que entra em casa que raramente pensamos no que ela devolve para a gente. Paz? Pressa? Memória? Ansiedade? Acolhimento? Talvez uma casa bonita seja muito menos aquela que impressiona quem chega e muito mais aquela que faz bem a quem fica. E isso, convenhamos, nenhum móvel assinado resolve sozinho.


A GEOGRAFIA DO ENCONTRO

“Precisamos marcar um café.” Quantas vezes a gente diz isso sabendo, lá no fundo, que aquele café corre o risco de virar novembro, Natal, outro ano? A amizade tem esse privilégio curioso: aguenta atrasos que nenhum casamento suportaria. A gente pode ficar meses sem ver alguém e, quando finalmente se senta à mesa, parece que a conversa tinha sido interrompida ontem. Bonito. Mas também um pouco perigoso.

Talvez a amizade seja a relação mais livre que temos e, por isso mesmo, uma das mais fáceis de deixar escapar. Não existe contrato, obrigação formal, almoço de domingo compulsório. Ninguém cobra presença na chamada. A relação continua existindo quase por confiança.

Na juventude, isso parece tão simples, os amigos estão por toda parte. Escola, faculdade, festas, fins de semana intermináveis. Depois a vida começa a pedir espaço: trabalho, casamento, filhos, família, contas, compromissos. Aquilo que antes acontecia naturalmente passa a depender de uma operação logística. Um drink de duas horas exige consulta à agenda com quinze dias de antecedência. Meio absurdo, né? Mas, infelizmente, verdadeiro.

O curioso é que aquilo que esperamos de uma amizade muda muito pouco ao longo da vida. Dos 14 aos 100 anos, queremos basicamente alguém com quem conversar, alguém com quem contar e alguém com quem aproveitar a vida. Simples assim. O complicado é encontrar tempo para fazer essas três coisas.

E achei especialmente interessante o olhar para os amigos adultos. Existem aqueles que estão ativos na nossa vida, com quem falamos e convivemos. Existem os adormecidos: há afeto, história, intimidade, mas pouca presença. E existem os amigos que ficaram ligados a uma época. Foram importantíssimos. Só que pertencem mais à memória do que à terça-feira de hoje.

Até aí, tudo bem. Relações também têm ciclos. O estranho começa quando as redes sociais embaralham essas fronteiras. Antes, alguém podia desaparecer da nossa rotina e permanecer intacto dentro de uma lembrança. Hoje sabemos onde passou férias, qual restaurante frequentou no sábado, como estão os filhos e até qual bolo ganhou no aniversário, embora não tenhamos ouvido sua voz em vinte anos. É uma intimidade curiosa. Meio falsa, até. Sabemos muito e convivemos pouco.

A verdade é que algumas relações talvez sejam bonitas justamente porque pertencem àquele tempo. Ficar acompanhando indefinidamente a vida de alguém não significa necessariamente continuar amigo. Porque amizade precisa de alguma vida compartilhada. Um jantar. Uma viagem. Uma conversa atravessada. Até um pequeno perrengue. São essas coisas que atualizam e até mantêm uma relação. Sem elas, podemos continuar gostando muito de alguém, claro, mas passamos a conhecer o passado da pessoa e receber notícias do presente.

Talvez por isso as amizades tenham essa elasticidade tão particular. Elas suportam silêncio, distância, mudanças de cidade, fases completamente diferentes da vida. Um amigo pode ficar adormecido durante anos e reaparecer com uma familiaridade espantosa. Ao mesmo tempo, essa elasticidade não é infinita. Alguma presença precisa existir.

A amizade talvez peça muito pouco. E justamente por isso merece um pouco mais. Um café marcado e realmente tomado. Uma ligação sem assunto urgente. Uma tarde desperdiçada em boa companhia. No meio dessa vida tão ocupada, parece pouco. Não é.

Desejos de consumo

Quando já era pra gente estar sonhando com a primavera, flores e aquele clima ameno, eis que o aquecimento global está nos fazendo passar muito frio nesta altura do ano. Foi justamente pensando em manter o charme mesmo em dias cinza que eu fiz minhas escolhas esta semana no Iguatemi

Na montagem acima, reprodução da imagem de David Hockney, "Arrival of Spring", 2020

1 - Essa dupla de calça e jaqueta de gabardine e couro de
​
Gloria Coelho são a cara
destes tempos

2 - Já estou sonhando com esses tênis Balenciaga: tenho dois aqui em casa, mas estou já em busca do terceiro!

3 - Faz tempo que eu não
caio de amores tão instantaneamente como aconteceu quando eu vi essa bolsa tote grande da
Prada: amo a cor também

4 - Se a ideia é ousar mais um pouco, que tal esse paletó de veludo da Comme des Garçons? Dá um toque moderno em qualquer jeans…

5 - Ah, como eu amo um chapéu ou um acessório de cabeça…
já me imaginei saindo por aí com esse gorro da
Moncler!


3 perguntas para

Antonio Bernardo sempre morou no Rio e fez da curiosidade um método de criação. Em 1970, deixou a engenharia, pegou as ferramentas da loja do pai e começou sozinho a descobrir como se fazia uma joia. O primeiro anel, de prata, abriu um caminho que atravessa mais de cinco décadas e ajudou a construir uma linguagem própria, marcada pelo movimento, pelo humor e pela experimentação. Mais de 50 anos depois, ele continua criando do mesmo ponto de partida: a vontade de descobrir algo novo.

​
​1. Você começou quase por acaso e, mais de cinco décadas depois, continua criando: o que ainda consegue despertar em você aquela sensação de descoberta?

Aquela primeira joia foi o início de um processo que ainda não terminou. A segunda foi um aperfeiçoamento, um desenvolvimento da primeira, e assim por diante. Essa busca constante criou um ritmo de criação que permanece até hoje. Sinto-me como um viajante, um desbravador que quer sempre descobrir algo novo: um lugar, uma história, um novo processo, uma nova técnica, um novo material, além de alguns impulsos e insights. Esse contexto é propício para despertar a sensação do prazer, do novo, semelhante à que tive ao criar o primeiro anel. Só não existe mais o sentimento inaugural. Esse só acontece uma vez, como a própria palavra sugere.

​
​2. Por que você acredita que o seu trabalho e as suas joias viraram icônicos — por exemplo, como surgiu a ideia da pulseira Wish, com essa proposta de acrescentar pequenos anéis que representam desejos?

Sou um curioso inveterado e multidisciplinar. Isso me dá um amplo espectro de interesses: do comportamento das pessoas à física quântica, da arte à filosofia, do design à arquitetura. Gosto de fazer joias lúdicas, com humor, com movimento, seja ele real ou representado, que podem ser poderosas ou delicadas. Esse é o meu universo. Não uso fórmulas. Posso, em um momento, criar uma joia a partir de um determinado pensamento e, em seguida, criar outra a partir de uma ideia totalmente contrária. Às vezes penso que é um processo meio caótico, mas esse é o meu processo.

A pulseira Wish surgiu da observação de que as pessoas amarravam pulseiras no pulso. Ao fazer isso, segundo a lenda, faziam pedidos como uma forma de fé, como acontece com a pulseira do Bonfim. Ao amarrá-la, deveriam fazer três pedidos, para que fossem realizados, supostamente, pelos deuses. Um dia, fui almoçar no centro da cidade e vi uma mesa com quatro homens muito bem arrumados e, no pulso, a pulseira do Bonfim. Como não se deve tirar a pulseira até que os desejos se realizem, algumas estavam bem puídas e feias. Foi então que pensei: essa coisa de amarrar algo no pulso tem uma enorme força, a ponto de as pessoas abrirem mão da estética em prol da realização de um desejo. Foi ali que tive a inspiração para criar a Wish, feita de couro, à qual você poderia acrescentar plaquinhas com desejos universais: saúde, paz, amor, pet, Pix (risos), etc. Este mês, relançamos a pulseira, com couro colorido e novas plaquinhas, com dizeres atualizados para o nosso tempo.

​
​3. Como você é autodidata em joalheria, existe alguma coisa que justamente o fato de “não saber” permitiu que você inventasse?

Certamente! Não sou contra o ensino, muito pelo contrário, mas ele ensina, em grande parte, o que já foi feito. Eu aprendi tudo sozinho, e essa é a escola mais difícil: aprendendo nos livros e fazendo. Mas, por outro lado, não havia ninguém me dizendo como fazer. Liberdade total. Que delícia! Lembro-me muito bem do dia em que estava fazendo um anel, limando as laterais. Quando terminei de limar, achei as marcas da lima no ouro lindas e dei o anel por terminado. No processo normal, eu lixaria em seguida e depois poliria, para que o ouro ficasse brilhante e reluzente. Quando eu mostrava o anel, as pessoas ficavam surpresas e gostavam. Como essa, muitas outras coisas descobri fazendo. Esse foi um dos impulsos dos quais falei anteriormente. Criar é acreditar nos seus sentimentos e correr o risco de bancar novas ideias. Puro prazer.

Direto do meu Instagram

Essa Semana Eu…

Descobri que, na Finlândia, até o supermercado entrou no jogo dos encontros: quem estiver solteiro pode pegar uma cesta rosa para sinalizar que está aberto a conhecer alguém enquanto faz as compras

Me impressionei com a nova coleção de Tory Burch, lançada em Nova York: cores e padrões inusitados

Ajudei Tomás Biaggi no lançamento dos caramelos de Ana e Mazzô França Pinto, no Amarello Loja & Café

Fiquei feliz que Viviane Mosé volta a São Paulo para se apresentar, na sexta-feira, no teatro BTG Pactual, com seu espetáculo "Um sim à vida" — já assisti e recomendo muito

Caí de amores pelo novo Apple Watch da Hermès — que luxo

Mal reconheci Madonna vestida por Ralph Lauren num ensaio para a revista Interview: ela realmente é única

Enlouqueci ao ver no site da Prada uma saia vermelha com a qual eu já estou sonhando acordada

Vi pela primeira vez Clarinha no carrinho que eu havia comprado para ela e para Brigitte passearem

Fiquei curiosa para ver ao vivo o sapato resultado da parceria da Camper, marca espanhola super hype, e Issey Miyake​

Fui falar sobre esta Caixa Postal para uma plateia de publicitários, a convite da Interactive Advertising Bureau (IAB): o tema era a importância das conexões humanas e do afeto nesse mundo virtual

Fiquei com vontade de conhecer o HowTheLightGetsIn, festival de filosofia e música que volta a Londres em setembro: pensadores, cientistas e escritores dividem a programação com shows, comédia e festas, que delícia

​
Não consegui estar presente na comemoração dos 80 anos do Sesc, na sala São Paulo: se tem uma instituição que me dá orgulho, é essa

Descobri que a baixa temporada virou a nova alta do turismo de luxo: para fugir das multidões e do calor europeu, viajantes mais ricos estão migrando as férias para setembro, outubro e novembro — as reservas deste outono já cresceram 59% em relação ao ano passado

Fiquei curiosa para conhecer a Prada Galleria, nova experiência imersiva de uma das marcas mais míticas do mundo, em Milão: o espaço terá oito andares dedicados à moda, arte, hospitalidade e história, além da exposição permanente Pradasphere, que percorre a trajetória da casa desde 1913

Vi que tem gente colocando agora azeitonas congeladas no vinho: elas ajudam a manter a bebida gelada sem diluir e ainda funcionam como um petisco improvisado no fim da taça — achei ousado

Fiquei com muita vontade de conhecer a linha de beleza Glamorama, que Bella Freud lançou — com preços bem populares — na rede de farmácias inglesa Boots

Celebrei Luana Génot e o lançamento de “Denegrindo Ela”, seu quarto livro, que reúne 64 crônicas escritas ao longo dos sete anos em que ela foi a primeira cronista negra da revista ELA

Fiquei orgulhosa de ter sido chamada por Alcione Albanesi para mais um jantar em benefício dos Amigos do Bem, que ela comanda na terça-feira, dia 22

Sucumbi a um porquinho de veludo dourado da loja de John Derian — mega charmosa e uma de minhas preferidas em Nova York: um verdadeiro gabinete de curiosidades

Me orgulhei de Gilson Rodrigues, que embarcou com artesãs de Paraisópolis e da Ilha do Marajó para participar da Semana de Moda de Milão, levando uma coleção de sapatos inspirada na cultura marajoara

Fiquei consternada junto dos amigos e da turma das artes com a morte de Rodrigo Cass, no Rio de Janeiro: acompanhei as manifestações de sua galeria, Fortes D’Aloia & Gabriel, de outros artistas, de museus e também a sensível homenagem feita por seu companheiro, Paulo Von Poser, meu grande amigo

video preview​

O que já é muito bom, às vezes, pode até ficar… Tão bom quanto! Sempre amei Overjoyed com Stevie Wonder, que lançou o sucesso nos anos 1980. Nesta versão que compartilho aqui, tem Péricles, um dos reis do universo samba/pagode e Gloria Groove, também maravilhosa. Quando foi ao ar em 2022 no Multishow, eles viraram os nomes mais comentados das redes sociais. Tem alguém aí que não amou?

E aqui vai um aviso importante: todas as semanas recebo notícias que a newsletter não chegou ou foi parar no spam. Para reduzir isso, pedimos a gentileza de você adicionar o email da newsletter em sua lista de contatos ou verificar que é um remetente seguro. Isso faz com que sua plataforma de emails valide e você receba com tranquilidade nossas notícias todas as semanas. Conte comigo e continue mandando seus emails, leio e respondo a todos que posso. Seguimos juntos!

Unsubscribe| Update your profile | Avenida Higienópolis, São Paulo, São Paulo 01238-000

Caixa Postal

Assine, é de graça. Todo domingo, sempre às 11h da manhã