O perdão como resposta, o amor como saída e o real como opção: acho que aí temos

Quando a gente acha que já perdeu quase todas as esperanças, eis que Luiza Helena Trajano reaparece lançando um novo programa: o Summit Mulheres nas Profissões, para ajudar e empoderar mulheres em situações mais vulneráveis. Isso aconteceu nesta semana, no auditório do pequeno teatro da Galeria Magalu, onde era a livraria Cultura, na Avenida Paulista. Fui até lá convocada por ela: a plateia era pequena e me senti muito honrada de participar de um movimento que visa transformar as mulheres do país em profissionais, donas de suas vidas. Mas, na verdade, o que mais me encantou de tudo foi a história que Luiza contou, e que ela acredita ter sido a responsável pela sua formação: aos 13 anos de idade, ela estudou sobre a escravidão no Brasil e ficou tão impactada que até hoje acredita que tenha sido esse o motivo de sua decisão de viver, ajudar e fazer de tudo para fazer deste um país melhor. Luiza falou sobre alguns detalhes que aprendeu naquela época, como a escravidão no Brasil ter sido a mais longa do mundo moderno. Impossível não se chocar. Isso a transformou e fez também com que ela quisesse transformar o mundo à sua volta. Conseguir se inspirar nesse exemplo, nessa ideia dos primeiros passos, já é muito. Detalhe: esse encontro não teve nada de político e a cada vez que Luiza é cobrada sobre se candidatar a algum cargo, ela esclarece que nem filiada a qualquer partido ela é. Fica aqui esse registro. Fica aqui esse pequeno, mas muito potente farol que tenta iluminar o nosso caminho.


DEIXANDO IR

Tem gente que guarda mágoa como quem guarda joia de família: abre a gaveta de vez em quando, olha, passa um paninho, recoloca no veludo. A diferença é que ressentimento não valoriza com o tempo. Ele cobra aluguel. E caro.

Li no The Washington Post uma reportagem sobre perdão e saúde que ficou martelando em mim. Porque a gente costuma tratar o perdão como uma coisa meio santa, meio inalcançável, quase um item de prateleira moral. Mas os pesquisadores estão olhando para isso de outro jeito: menos sermão. Mais corpo.

Existe até um nome para o estado de quem não perdoa: “não-perdão”. E não é só uma ideia amarga passeando pela cabeça. Esse ressentimento pode aparecer como ansiedade, tristeza, tensão no corpo, cortisol nas alturas, pressão alta. Ou seja: aquilo que a gente acha que está guardando no passado continua morando no presente, junto com as chaves da casa.

A parte mais interessante, para mim, é que perdoar não significa absolver. Não é achar bonito o que foi feio. Não é fazer de conta que nada aconteceu. Mesmo quando aquilo não foi como a gente queria ou aquela pessoa não fez o que eu precisava, a gente não precisa continuar preso ali. Certo?

A reportagem conta a história de um homem de 74 anos que passou décadas carregando a dor de palavras duras ditas pela mãe quando ele ainda estava na escola. Num workshop, ele fez um exercício da “cadeira vazia”, em que simulou uma conversa com ela. Ao se colocar no lugar da mãe, percebeu algo que antes não via: a vergonha, as frustrações, as dores dela. A raiva não desapareceu por mágica, claro. Mas mudou de lugar. Ganhou contexto. E aquela memória, antes rígida, abriu uma fresta para a empatia.

Isso me parece coisa de adulto. E difícil. Porque, convenhamos, há um certo prazer venenoso em ter razão. Em repetir mentalmente a cena, ajustar as falas, ganhar a discussão mesmo que com anos de atraso. Só que essa vitória imaginária nos deixa exaustos. É um tribunal íntimo que nunca encerra expediente.

Um estudo com mais de 200 mil pessoas, em 23 países, mostrou que quem tem mais disposição para perdoar relata mais bem-estar psicológico e mais sentido na vida. O perdão, quando vira hábito, não é uma medalha para o outro. É uma faxina interna. Uma forma de não transformar cada ferida antiga em endereço fixo.

Talvez por isso os cientistas já falam em ensinar perdão como estratégia de saúde pública, em escolas, campanhas, conversas mais amplas. Acho bonito. Porque a gente aprende tanta coisa inútil para sobreviver socialmente e tão pouco sobre como atravessar uma decepção sem virar pedra…

E, pensando bem, talvez o melhor não seja exatamente sair de todas as histórias com a última palavra. Talvez seja sair. Simplesmente. Com alguma dignidade. Com alguma leveza. Sem carregar no colo quem já foi embora há muito tempo.


SEM ATROPELAMENTO, POR FAVOR

A pessoa abre o computador para trabalhar e, quando vê, já está em sete abas, três conversas, duas urgências e uma culpa. Responde a um e-mail pela metade. Lê uma mensagem pela metade. Começa um texto pela metade. No fim do dia, está exausta. E com aquela sensação humilhante de não ter feito nada direito.

Mas agora surgiu uma defesa muito boa do contrário de tudo isso: o tal do “monotasking”. Nome novo para uma coisa antiga: fazer uma coisa só de cada vez. Parece quase indecente hoje em dia, né?

A pesquisadora da Universidade da Califórnia, Gloria Mark, passou anos observando a rotina de escritórios e encontrou um retrato bem assustador. Em 2004, as pessoas mudavam de tarefa a cada três minutos. Em 2012, a cada 75 segundos. Em 2022, a cada 45 segundos. Quarenta e cinco segundos. Nem uma xícara de café esfria nesse tempo. E a gente quer que uma ideia decente nasça nesse manicômio de estímulos...

O mais perverso é que ainda chamamos isso de produtividade. Como se responder tudo, ver tudo, interromper tudo e voltar para tudo fosse sinal de eficiência. Mas a multitarefa, no fundo, é uma forma elegante de autoabandono. A gente se interrompe o tempo inteiro. Vira sua própria secretária ansiosa, batendo na porta da mente a cada minuto.

E o corpo cobra. Esse vai e vem constante mexe com a pressão arterial, afeta o sistema imunológico e aumenta os erros. Médicos erram receitas. Pilotos erram voos. A distração pode ficar perigosa, de comboio no impulso de ter mais aparelhos, mais notificações, mais respostas prontas. Talvez seja ter uma fronteira. Uma porta fechada. Um pedaço de tempo que não se negocia. Herbert Simon, economista e Nobel, repetia escolhas banais todos os dias, como usar a mesma marca de meias e tomar o mesmo café da manhã, só para poupar energia mental. Parece pequeno, mas é sofisticadíssimo. Porque ele entendeu uma coisa que a nossa era esqueceu: decisão também cansa. Lembrei também desses caras do Vale do Silício que usam todo dia a mesma roupa ou pelo menos o mesmo modelo e cor de camiseta, de calça, de camisa para não ter que pensar nisso.

A gente passou anos achando que o cérebro era uma máquina infinita. Mais uma aba. Mais uma reunião. Mais uma mensagem. Mais uma entrega. Só que talvez criar bem, pensar bem e viver bem peça justamente o oposto — menos excesso. Mais contorno. Menos disponibilidade. Mais presença. Fazer uma coisa só de cada vez virou quase um ato de rebeldia. De bravura. E de elegância também. Porque, num mundo que nos quer o tempo todo plugados, respondendo imediatamente a tudo, talvez a coragem esteja em dizer: por favor, agora não.

O AMOR, ESSE INCOMPREENDIDO

Há um movimento acontecendo com o amor. Ou melhor, com a vontade de não chamar o amor exatamente pelo seu nome. A adolescência, que antes parecia território meio desajeitado de bilhetes, frio na barriga, drama e uma certa tragédia particular, agora parece exigir mais cuidados, mais estratégia.

Li na The Atlantic que os adolescentes de hoje estão namorando menos. Só 56% dos jovens da geração Z tiveram um relacionamento romântico nessa fase da vida, contra 76% da geração X e 78% dos baby boomers. É quase como se uma etapa inteira da educação sentimental estivesse sendo pulada. Ou colocada em modo silencioso.

Isso não quer dizer que eles não se interessem, não desejem, não sofram — claro que sim. A diferença é outra: o que parece assustar é o compromisso. A pergunta simples, e ao mesmo tempo tão difícil: “o que somos?”. No lugar do namoro, entram as tais “situationships”, essas relações sem contorno definido, sem promessa, sem combinado. Um quase. Um talvez.

À primeira vista, parece moderno. Mas há uma tristeza escondida nesse arranjo. Porque a falta de nome também cobra seu preço. Quando ninguém sabe exatamente o que tem, ninguém sabe direito o que pode pedir. Pode cobrar? Pode sentir ciúme? Pode esperar mensagem? Pode se magoar?

E talvez seja esse o retrato mais sensível dessa geração: eles querem segurança. Querem se preservar. Só que amar sempre teve um quê de vexame, de medo, não teve? A gente se expõe. Fica meio ridículo. Fala demais. Espera resposta. Faz cena por dentro. O problema é que, agora, até “pegar sentimentos” virou motivo de culpa, como se se apaixonar fosse uma falha de performance. Que loucura…

É claro que existe um lado bom em não mergulhar cedo demais em romances turbulentos. Muitos jovens, livres dos vendavais do namoro adolescente, acabam investindo mais nas amizades, desenvolvem liderança e apresentam menos sintomas de depressão. Nada disso é pouca coisa: amizade também educa. Ampara. Ensina presença.

Mas há uma diferença entre escolher a liberdade e fugir do risco. A superproteção emocional pode virar uma bolha muito elegante, muito racional, mas ainda assim uma bolha. E, quando ela estoura, aparecem aqueles adultos de 20, 30 anos sentindo ter perdido uma matéria importante da escola da vida.

Para os meninos, a questão parece ainda mais delicada. Segundo a reportagem, como as meninas costumam construir amizades mais profundas, os rapazes muitas vezes aprendem intimidade e traquejo emocional justamente nas relações com mulheres. Sem esse convívio, ficam mais sozinhos no próprio analfabetismo afetivo. E isso tudo acontece num momento em que homens jovens se sentem incompreendidos, enquanto mulheres jovens ficam cada vez mais alertas, vigilantes, preocupadas com a própria segurança. Uma espécie de guerra fria dos gêneros.

Há uma fantasia contemporânea muito sedutora de autossuficiência total. A pessoa inteira. A pessoa resolvida. A pessoa que não precisa de ninguém. Bonito no discurso, meio pobre na prática. Porque vínculo bom também desorganiza. Tira do eixo. Pede negociação, paciência, humor, humildade. Pede aquele gesto antigo e quase fora de moda: baixar a guarda.

Amar nunca veio com garantia. Ainda bem. Se viesse, talvez perdesse justamente aquilo que tem de mais transformador. O susto. A entrega. A descoberta de que depender um pouco de alguém não é necessariamente fraqueza — pode até ser coragem. Pode ser inteligência do coração. Pode ser um tipo de luxo raríssimo nos dias de hoje: confiar sem contrato, sentir sem vergonha, arriscar sem manual. Vamos?

Me siga nas redes!

COM TEMPO, COM ATENÇÃO,
COM SENTIDO

A gente fotografa tudo: o prato. A viagem. O cachorro dormindo torto. A criança com a boca suja. A luz bonita entrando pela janela. E, mesmo assim, estranhamente, parece que quase nada fica.

Existem registros demais… E, segundo o Financial Times, uma jornalista percebeu isso ao procurar um presente para marcar a mudança para a casa nova e decidiu encomendar retratos a carvão dos filhos pequenos. Não uma foto ampliada. Não mais uma imagem perdida no rolo da câmera, mas sim um desenho. Feito à mão. Com tempo, gesto, olhar. Achei isso “novo”...

Durante muito tempo, retrato pintado parecia coisa de aristocrata — mas agora o movimento parece outro. Menos vaidade. Mais afeto. O curioso é que esse mercado voltou com força. Artistas especializados em pintar pessoas na Europa já têm listas de espera enormes, alguns com agendas lotadas até 2028. Ou seja: enquanto a tecnologia promete rapidez infinita, há gente esperando anos por uma imagem feita devagar... Que contradição deliciosa. E necessária.

A gente vive num tempo em que tudo pode ser editado, retocado, filtrado, fabricado. Até imagens falsas circulam por aí, embaralhando de vez aquela fronteira já frágil entre o real e o inventado. Nesse cenário, um retrato feito por mãos humanas ganha outro peso: é quase um pequeno pacto de confiança. Alguém olhou. Alguém escolheu os traços. Alguém interpretou uma presença. Tudo isso é muito raro…

Porque a vida digital tem esse paradoxo cruel: nunca registramos tanto. E nunca conservamos tão mal. Tudo está salvo, mas pouca coisa parece protegida. Tudo está disponível, mas quase nada é visitado. É como morar dentro de um depósito cheio de caixas sem etiqueta que todo mundo tem preguiça de abrir…

O retrato pintado entra aí como uma pequena rebeldia. Uma recusa educada ao excesso. Ele não tenta competir com a nitidez da câmera: ele oferece outra coisa. Uma interpretação. Um silêncio. Um tempo mais largo. A mão do artista, que enxerga o que a lente, tão eficiente, deixa passar. No passado, esses quadros serviam para afirmar poder, dinheiro, continuidade familiar. Hoje, quando encomendamos a imagem de alguém amado, talvez estejamos dizendo algo mais simples e mais comovente: quero lembrar de você fora da tela. Quero que você exista também na parede, na casa, no cotidiano. Quero que a memória não dependa de uma bateria carregada.

É engraçado pensar que, depois de tanta inovação, o sentido das coisas pode estar voltando para o gesto mais antigo: uma pessoa olhando para outra. Um pincel. Um carvão. Uma tela. Nada de instantâneo. Só atenção.

Claro que ninguém vai jogar fora o celular e voltar para uma vida em sépia. Mas há algo de muito saudável em perceber que nem tudo precisa virar dado. Algumas lembranças merecem matéria. A tecnologia nos deu a ilusão de que eternizar era clicar. Mas talvez eternizar seja escolher.


A HORA DO MENOS

Durante anos, a gente falou da síndrome do impostor como se ela fosse quase uma epidemia silenciosa — aquela voz interna dizendo “será que eu mereço estar aqui?”. Pois agora parece que a maré virou para o outro lado. Li no The New York Times sobre a chamada confiança tóxica, essa certeza inflada, barulhenta, muitas vezes sem lastro algum, que faz com que a gente fique “se achando”...

A modéstia, que já foi quase um uniforme corporativo, principalmente entre mulheres e millennials, começou a parecer antiquada. A geração mais nova, marcada pela entrada na vida adulta no meio dos bloqueios da pandemia, parece ter aprendido outra regra: não hesite demais, porque alguém vem atrás e pula na sua frente. O novo mandamento é parecer especialista antes mesmo de ser. Falar com convicção. Vender método. Ensinar o caminho. Mesmo quando o caminho ainda nem foi percorrido…

Daí surgem esses personagens fascinantes e um pouco assustadores. Gente que transforma autoconfiança em produto: uma penca de coaches vendendo cursos para prosperidade financeira (que nem eles mesmos alcançaram). E muita gente ainda compra...

Por que essa arrogância seduz tanto? Tem especialista que diz que, quando admiramos alguém de ego gigantesco, pegamos emprestado um pouco daquela força. Sabe que até faz um certo sentido? Vivemos cercados por problemas enormes, mudança climática, desigualdade, niilismo, essa sensação de que o chão não está lá muito firme. Então aparece alguém dizendo “eu sei”, “eu posso”, “eu sou o máximo” e aquilo dá um certo alívio meio primitivo.

Claro que existe uma diferença delicada: autoconfiança pode ser luminosa quando nasce de trabalho, coragem e presença. Mas fica intragável quando precisa diminuir alguém para se afirmar. O ator Timothée Chalamet, segundo a reportagem, escorregou nessa fronteira ao se gabar demais do próprio talento e, logo depois, menosprezar a renda de cantores de ópera e bailarinos.

Acho que estamos todos um pouco cansados dessa obrigação de parecer inabaláveis. Nas redes, no trabalho, nas relações, virou quase feio admitir dúvida. A insegurança precisa ser maquiada, editada, embalada em frase de efeito. Só que a certeza absoluta, muitas vezes, é só medo usando roupa de gala. E perceber isso dá um respiro, um alívio: não precisar gritar grandeza o tempo todo. Ter intuição para saber o que se sabe. Bom senso para reconhecer o que não se sabe. E alguma ousadia para baixar a guarda. Um viva para essa pequena revolução!

Desejos de consumo

Mãe é tão importante que aqui vai mais uma listinha para presentes de última hora. Encontrei todos eles pelos corredores do Iguatemi. Um sonho!

Na montagem acima, imagem de Andy Warhol, "Basket of Flowers", 1958

1 - O que dizer desses tenis Sneakerina, da Louis Vuitton? Como não querer um já?

2 - Ganhei de uma amiga no meu aniversário uma mala pequena da Rimowa, a Original Pilot, e na hora elegi como a melhor surpresa de qualquer lista

3 - Clima de celebridade garantido com esses óculos de sol Dolce & Gabbana: para uma mãe que ama ferveção!

4 - Já pensou num perfume com notas de matcha, figo e madeiras suaves? Ai, que delícia… Só mesmo a Le Labo tem: The Matcha 26

5 - Ah, as flores do Flower Bar entregam o que prometem: encanto total para estas datas tão especiais!


Nesta semana, eu tive uma conversa iluminada com Bruna Lombardi , que conheço há tanto tempo. A gente falou sobre trajetória, escrita e as transformações na forma como a gente vive e se relaciona nos dias de hoje.

Falamos sobre o início de Bruna como escritora, a passagem retumbante pela televisão, o trabalho como roteirista e o que foi se acumulando ao longo do caminho entre exposição, recolhimento e escolhas pessoais.

Bruna também reflete sobre felicidade, autoconhecimento, relações duradouras e a dificuldade de sustentar presença em um cenário marcado por excesso, ansiedade e uma sensação constante de desconexão. Foi lindo.

A conversa completa está no meu canal do YouTube.
https://www.youtube.com/watch?v=dn99t6rWX1o

3 perguntas para

Maria da Conceição borda como quem prolonga uma memória antiga e, ao mesmo tempo, inventa um idioma próprio. Foi ainda menina, numa casa cheia de mulheres, avó e tias curvadas sobre linhas, panos e enxovais, que ela descobriu no bordado não apenas um ofício, mas a primeira forma possível de arte, expressão e aprendizado. Desde então, atravessou décadas criando com as mãos, muitas vezes no anonimato, até fazer da delicadeza uma assinatura e da cor um gesto de autoria. Em suas peças, há o tempo lento do fazer, a herança familiar, a força de quem aprendeu sozinha e a beleza rara de um trabalho que parece escapar à pressa do mundo. Uma rara espertise e sensibilidade.


1. Tem uma cena muito interessante na sua história: sua avó reconhecendo sua vontade e dando um pedaço de pano, uma agulha e linhas para você pequenininha aprender sem atrapalhar. O que aquela permissão mudou na sua vida?

Eu vivi uma situação na infância que fez com que eu me afastasse da escola e acreditasse que eu não era capaz. Então, tudo que eu aprendi foi sozinha. Quando minha avó entregou o pano, a agulha e as linhas, ela me fez compreender que eu podia aprender, mesmo sem ter alguém que quisesse ensinar.

Eu considerava tudo aquilo um trabalho de arte, de delicadeza e isso despertou meu lado artístico. Como eu morava em uma comunidade rural, não tinha como me expressar de nenhuma maneira artística lá. E essa foi a primeira arte a qual tive acesso.


2. O bordado, para você, é memória de família, trabalho, sustento ou expressão artística? Ou ele só existe mesmo porque junta tudo isso?

O meu trabalho existe porque ele junta tudo isso. Mas é a expressão artística, principalmente, que faz ele existir. Eu tinha vontade de criar, eu tinha arte dentro de mim, mas não sabia como me expressar. E esse foi o caminho. E, mesmo se ele não me desse o sustento, eu com certeza eu ainda estaria fazendo.


3. Como nasceu esse seu desejo de autoria, de não querer apenas reproduzir um estilo já existente, mas criar uma linguagem sua, mais alegre, mais colorida?

Eu descobri ainda na adolescência que não queria copiar as pessoas. Eu queria fazer um trabalho do meu jeito para que quando alguém visse, já soubesse que aquele era o meu trabalho. Eu sempre quis fazer coisas da flora e fauna brasileira. Meu trabalho tem muito disso. Então, por muito tempo, eu me especializei em bordar orquídeas e todos os pássaros brasileiros. Quase ninguém bordava pássaros na época.

Hoje eu faço todo tipo de trabalho, desde aquele mais fino até o mais rústico. O que mais encanta as minhas clientes é que elas apenas escolhem o tema e eu desenvolvo o meu trabalho a partir dali, do meu jeito.

Direto do meu Instagram

Essa Semana Eu…

Recebi uma das bijoux da nova coleção, a primeira de Flávia Lafer, super stylist e minha grande amiga, para a Nour: a inspiração foram os piercings


Fui, pela primeira vez, ao Poupatempo da Lapa renovar minha CNH e fiquei impressionada com o espaço e, principalmente, como tudo funciona sobre carretéis: superorganização, timing — um orgulho


Fui correndo assistir “O Diabo Veste Prada 2” e achei o filme perfeito: atual, didático sobre o mundo de hoje e a relação com a informação, o jornalismo e a moda, com atores também perfeitos, por entretenimento e informação — só não gostei do figurino, acredite


Recebi uma bandeja cheia das mini empadinhas de frango de Mazzô França Pinto: um sonho de consumo realizado, comi todas em três dias


Não pude estar presente no almoço pilotado por Sonia Sahão em torno de François Delahaye, da Dorchester Collection: soube que foi superprestigiado, como sempre


Soube que a Pinakotheke, fundada em 1979 no Rio, está de casa nova em São Paulo: depois de 24 anos no Morumbi, a nova sede será inaugurada dia 18 de maio na Rua Minas Gerais, numa casa dos anos 1930 — o projeto de arquitetura e restauração ficou a cargo do escritório Luciano Dalla Marta Arquitetura

Descobri que a história dos últimos dias de Wallis Simpson, a Duquesa de Windsor, vai virar filme, com Joan Collins no papel principal, mais Isabella Rossellini, figurinos deslumbrantes e até um bando de pugs em cena


Recebi um livro maravilhoso sobre a vida e obra do artista plástico Daniel Senise, editado por Charles Cosac

Vi que a Chanel comprou um vinhedo de US$ 39 milhões em Napa Valley: com a aquisição da Rudd Estate, na região de Oakville, a maison amplia sua presença no mundo dos vinhos finos e transforma terroir, herança e luxo em mais um ativo do seu universo

Soube que a Coreia do Sul está levando a lógica da K-beauty para um novo território: a K-femtech. Sim, a saúde feminina entrou no foco, saiu do nicho e já virou estratégia de exportação — tempos realmente modernos


Descobri que o turismo de lua cheia virou moda e desejo de viagem: hotéis e resorts estão criando rituais, meditações, caminhadas e festas para quem quer sincronizar férias com o calendário lunar — amei


Voltei totalmente à minha rotina de exercícios físicos: impressionante como isso é o que mais ajuda na recuperação


Perdi o animado almoço de Dia das Mães do Iguatemi, pilotado por Flávia Kujawski


Assisti a um filme muito interessante na HBO Max, recomendado pela escritora Martha Medeiros, sobre a vida de outra escritora de sucesso, vivida por Meryl Streep: o nome em inglês é "Let Them All Talk"


Resolvi trocar meu celular e fui à Casa Vivo, na rua Joaquim Antunes, para fazer toda a reprogramação: o especialista Júlio me ajudou nessa tarefa nada fácil...


Decidi que era melhor aguardar a nova passagem da cantora Marina Lima pela Casa Natura, porque na estreia dela, nesse fim de semana passado, eu ainda não estava 100%


Fiquei encantada com os comentários que li de Miuccia Prada falando sobre a importância das saias em sua vida e em suas coleções: essa mulher é um gênio


Recebi o convite para celebrar a abertura da Mazzucchelli Cardoso, galeria da Lu Cardoso e Kiki Mazzucchelli, nos Jardins: vai ser sexta-feira, com duas exposições, de Camila Sposati e biarritzzz


Retomei as gravações dos vídeos que faço para as minhas redes e para o YouTube, depois de mais um mês afastada: como foi bom!


Descobri, aliás, que os números do meu Instagram estão subindo vertiginosamente: um recorte de um vídeo com Costanza Pascolato teve mais de 511.000 visitas e um de Zeca Camargo, mais de 12 milhões


Acompanhei a repercussão sobre a Mostra de Edo Rocha na Oca, com curadoria de Aguinaldo Farias e mais de 400 trabalhos ao longo de 60 anos de arquitetura

Me atrapalhei na última edição da Caixa Postal e troquei o nome do estilista da Balenciaga: o correto é Pierpaolo Piccioli

video preview

Não é fácil ser impactada profundamente por alguma manifestação cultural, mas quando acontece, é quase uma benção: foi isso que ocorreu domingo passado, na apresentação de Antônio Zambujo, músico português, e seu excelente grupo no Sesc 14 Bis. Foi um final de tarde de sonho e por isso escolhi essa canção que dá título ao seu mais novo trabalho: Oração ao Tempo, composta por Caetano Veloso, que aqui divide a cena com Zambujo.

Para garantir que a Caixa Postal não caia no spam, adicione caixapostal@caixapostal.net.br à sua lista de contatos ou marque como “remetente confiável”. Assim, sua caixa de entrada reconhece que é um conteúdo seguro e você recebe nossa newsletter sem falhas.

Unsubscribe| Update your profile | Avenida Higienópolis, São Paulo, São Paulo 01238-000

Caixa Postal

Assine, é de graça. Todo domingo, sempre às 11h da manhã