Fazendo as coisas de mansinho, vivendo a vida escondidinho e bisbilhotando pelo buraquinho da fechadura: ui!

As temperaturas subindo muito no verão europeu e o mesmo acontecendo nos países da Copa: estamos acompanhando tudo isso muito de perto. Em tempo real. Isso me faz pensar no aquecimento global e tudo o que estamos fazendo ou deixando de fazer para o planeta. Parece conversa de eco chato, mas não é: é a pura realidade e a gente está vendo e vivendo isso. Sim, alguma coisa está errada ou talvez muita coisa esteja errada e, essa vida agitada, não nos dá tempo de fazer a coisa mais básica: pensar. Avaliar. Se preocupar. Acho que temos muito a aprender com os livros que escolhemos ler, com as pessoas que seguimos nas redes ou nos interessamos em acompanhar o trabalho. Não sei porque me vieram na cabeça duas mulheres muito interessantes, que tive a sorte de conhecer ao vivo, nesses dias que passei na cidade do Porto: as escritoras Margareth Atwood, famosa por seus livros e seriados no streaming, e a polonesa vencedora do prêmio Nobel Olga Tokarczuk. As duas tocaram em pontos em comum nas suas palestras e nas suas entrevistas: a mulher-bruxa. Não aquela que faz coisas ruins para Branca de Neve, mas sim as feiticeiras, sábias, que transitam além de todas as outras. Como aquela que tanto me encantou no filme Hamnet, quando circulava na floresta em busca de ervas, plantas e sabedoria. Sinto que cada vez temos que escolher melhor a quem escutamos e com quem aprendemos. Para depois podermos também fazer a nossa parte.


CADÊ MEU DESPERTADOR?

Acordar cedo virou quase uma virtude moral. A pessoa abre os olhos antes do sol, lê todos os jornais nos aplicativos, responde e-mail, faz exercício, toma café com proteína e parece já ter vencido metade da vida antes das oito da manhã. Enquanto isso, há quem só comece a existir de verdade quando a noite chega. E, por algum motivo, essa turma segue carregando uma culpa antiga, como se funcionar em outro horário fosse defeito de caráter. Antes que eu esqueça: não é.

Li no The New York Times um texto muito interessante, porque talvez a nossa obsessão por produtividade tenha esquecido um detalhe básico: o corpo não é uma máquina de ponto eletrônico. Ele tem ritmo. Tem vontade. Tem um relógio interno que não pede licença ao calendário corporativo.

Os cientistas chamam essa preferência natural de cronotipo. É o que ajuda a explicar por que algumas pessoas acordam acesas, outras florescem tarde e muitas ficam ali no meio do caminho. Os pesquisadores Lynne Lamberg e Michael Smolensky, autores do livro “The Body Clock Guide to Better Health”, deram a esse grupo intermediário um nome delicioso: beija-flores. Nem galos que cacarejam ao amanhecer, nem corujas. Beija-flores.

A questão é que o mundo não parece ter muita paciência para essas sutilezas. A escola começa cedo. O trabalho começa cedo. A vida social, muitas vezes, também obedece a horários que fingem servir para todo mundo. Só que não servem. E aí começa a confusão. A pessoa passa anos achando que é indisciplinada, distraída, preguiçosa, quando talvez esteja apenas vivendo fora do próprio compasso.

E tem muita gente que nem sabe qual é o seu cronotipo. Isso me parece muito contemporâneo. Sabemos a senha de todos os aplicativos, monitoramos passos, calorias, mensagens, compromissos, mas não sabemos exatamente em que horário a nossa cabeça pensa melhor. Que loucura isso… Sim, o corpo fala, mas a agenda fala mais alto. E o preço disso aparece. Cansaço. Falta de foco. Irritação. Uma espécie de jet lag sem avião, sem mala, sem carimbo no passaporte. Só a sensação de estar sempre um pouco atrasada de si mesmo. O relógio do mundo corre para um lado. O nosso, às vezes, para outro.

Acho que a delicadeza está em parar de tratar o sono como inimigo da ambição. Descobrir o próprio ritmo não é desistir de fazer. É aprender a fazer melhor. Com menos violência interna. Com mais escuta. Com um pouco de intuição também.


EM CÂMERA LENTA

Depois de tantos anos em que viajar pela Europa parecia sinônimo de correr atrás de museu, reserva, trem cheio, carro alugado e foto obrigatória, muita gente está descobrindo uma ideia quase indecente de tão simples: andar. Só andar. De acordo com a Bloomberg, os americanos estão chegando ao Velho Continente em busca de viagens autoguiadas a pé, e até o Caminho de Santiago vive o verão mais movimentado de seus 1.200 anos.

Mas não estamos falando daquela fantasia sofrida da mochila enorme, da bota destruída e da cama improvisada no fim do mundo. A nova caminhada vem com uma certa inteligência confortável. A pessoa segue no próprio ritmo, com um aplicativo que funciona offline, enquanto uma empresa leva a bagagem de um lugar a outro. Você caminha, se perde um pouco sem se perder de verdade, chega numa pousada familiar, toma banho quente, come bem, bebe uma taça de vinho na praça da aldeia e sente que fez algo raro: atravessou o dia com o corpo inteiro. Maravilhoso isso.

Gosto muito dessa inversão. Porque, acredite, a viagem que parecia menos luxuosa virou talvez a mais desejável. Enquanto Paris, Veneza e Barcelona lidam com multidões, filas e moradores exaustos do turismo de massa, rotas rurais oferecem outra escala. Menos espetáculo. Mais chão. Montanhas nas Dolomitas, caminhos em Portugal e Espanha, vilas pequenas, fazendas funcionando, gente vivendo sem encenar nada para visitante nenhum. É o chamado “slow travel”, mas prefiro pensar nisso como uma viagem que devolve o tempo ao tempo.

E talvez seja isso que esteja pegando: a gente anda cansado de férias com cara de script. Acorda cedo para cumprir roteiro, corre para “aproveitar”, volta precisando descansar do descanso. Caminhar muda a lógica. O destino deixa de ser uma coleção de pontos turísticos e vira uma sequência de encontros mais simples: uma curva, uma sombra, uma conversa, uma praça, uma janela acesa. Nada muito grandioso. E justamente por isso, precioso.

O luxo pode estar menos em chegar antes e mais em aceitar chegar devagar. Em sentir o pé no chão. Em não disputar espaço. Em se deixar surpreender pelo caminho, sem transformar tudo em performance. Num mundo barulhento, tão eficiente, tão cheio de pressa até na hora de descansar, caminhar por prazer parece uma ousadia. Muito bem-vinda, aliás.

BURACO DA FECHADURA

Durante muito tempo, a exposição do corpo foi tratada como uma espécie de quarto fechado. Coisa para não nomear. Para julgar de longe, com aquela superioridade meio cansada que a sociedade adora assumir quando o assunto envolve desejo, dinheiro e liberdade.

Mas aí veio a pandemia. Veio a tela. Veio a solidão. Veio o mundo inteiro tentando existir por uma fresta digital. E, nesse movimento, o OnlyFans deixou de ser apenas uma plataforma de conteúdo adulto por assinatura para virar um retrato muito preciso do nosso tempo. De acordo com uma reportagem da The New Yorker, o site saltou de menos de 14 milhões para 85 milhões de usuários em apenas um ano. É muita gente procurando, vendendo, comprando, observando. Mas talvez, acima de tudo, tentando algum tipo de contato.

O mais interessante é que a história não cabe naquela leitura preguiçosa de que tudo ali se resume a sexo. Claro que o corpo está no centro. Mas não só. O texto mostra um universo com mais de 4,5 milhões de criadores de conteúdo, de todos os tipos e gêneros, onde muitas vezes o que se negocia é companhia. Atenção. Escuta. E até mesmo afeto. Tem quem receba ligações de homens que só querem falar depois de um divórcio ou da morte de alguém próximo. Tem uma avó do Alabama que ganha a vida cortando lenha com uma serra elétrica, usando roupas sensuais. Parece absurdo. E é. Mas também diz muito.

Porque a vitrine é digital, mas a matéria-prima continua sendo muito antiga: solidão humana. A mesma solidão que aparece em apartamentos silenciosos, em casamentos terminados, em lutos mal digeridos, em noites compridas demais. Só que agora ela ganhou assinatura mensal, senha, câmera, mensagem privada. A intimidade virou produto. E talvez o mais curioso seja perceber que nem por isso ela deixou de ser intimidade.

Também há um lado menos fantasioso nessa história. A ideia de que todo mundo no OnlyFans fica milionário da noite para o dia é uma ficção conveniente. Segundo a reportagem, uma pesquisa recente apontou que o ganho médio de um criador ativo é de 5 mil dólares por mês. Dinheiro importante, claro. Mas não exatamente o conto de fadas obsceno que muita manchete gosta de vender. Atrás das câmeras, aparecem histórias bem concretas: uma ex-enfermeira de UTI que entrou na plataforma depois de pegar Covid-19 no trabalho e ficar sem apoio financeiro do hospital; uma jovem que estudava soldagem e usou o site para pagar contas médicas altíssimas após descobrir um câncer na coluna…

É vida real. Tem boleto, doença, coragem e preconceito. Porque a sociedade sempre adora consumir o que condena. E quem trabalha com o próprio corpo segue carregando uma conta emocional pesada: amizades que se desfazem, olhares atravessados, aquela velha hipocrisia social que muda de roupa, mas não sai de cena.

Talvez o OnlyFans incomode tanto justamente porque embaralha fronteiras que a gente preferia manter arrumadinhas. Trabalho e desejo. Afeto e dinheiro. Autonomia e exposição. Solidão e mercado. Não é bonito o tempo todo. Também não é esse monstro moral que tantos querem desenhar.

No fim, fica uma pergunta meio desconfortável: por que nos assusta tanto alguém transformar a própria intimidade em independência financeira, num mundo que já transformou quase tudo em mercadoria? A atenção virou moeda. O tempo virou luxo. A imagem virou capital. E agora o corpo, essa nossa carcaça tão julgada, tão editada, tão vigiada, também entra na roda com nome, preço e assinatura.

Não sei se isso é libertação, sintoma ou as duas coisas ao mesmo tempo. Mas sei que olhar para esse fenômeno apenas com moralismo é perder a parte mais humana da história. Por trás da tela, há gente tentando viver melhor. E, do lado de cá, há gente tentando se sentir menos sozinha. Simples assim.

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PRIVACY, PLEASE

Quem nunca teve aquela vontade de sumir, que atire a primeira pedra. Não atender. Não explicar. Não dividir elevador, trânsito, condomínio, notícia ruim, mundo em crise. Comprar uma ilha e pronto. Fim do problema, fim do barulho. Pois uma reportagem do The Telegraph mostra que esse sonho, quando encontra uma conta bancária gigantesca, vira mercado. E dos bons.

É um empresário canadense que comanda a Private Islands Inc., uma empresa com quase 800 ilhas para venda ou aluguel pelo mundo. Tem o refúgio mais “possível”, digamos assim, no Panamá, por cerca de 50 mil dólares. E tem o outro extremo da imaginação, um atol nas Maldivas de 450 milhões de dólares. A escala é quase indecente. Entre uma ponta e outra, aparece um retrato muito claro do nosso tempo: o isolamento virou produto. E produto aspiracional.

A clientela é majoritariamente masculina, americana e, claro, muito rica. Mas o interessante não é só quem compra: é o porquê. Depois da pandemia, a ilha deixou de ser apenas aquela fantasia de férias, coqueiro e silêncio. Virou plano de contingência emocional. Entraram em cena os tais “luxury bunkers” — os bunkers de luxo — e as “legacy islands” — ilhas de legado. Lugares pensados para continuar funcionando se o mundo lá fora parar outra vez. Casa, segurança, autonomia, controle. Tudo muito na linha desse imaginário de fim do mundo com lençol de 500 fios, energia garantida e vista para o mar. Que loucura, hein?

Só que a ilha, como quase tudo o que parece simples de longe, dá um trabalho imenso de perto. Não basta comprar e posar de náufrago sofisticado. Tem burocracia, lei local, obra, barco, helicóptero, avião, abastecimento, manutenção. Tem a vida prática batendo à porta, mesmo quando a porta fica no meio do oceano. E tem ainda a privacidade, essa palavra tão vendida hoje como se fosse ouro líquido. Muitas vezes, ela dura pouco. Basta um nome importante aparecer na escritura para a imprensa descobrir o “paraíso secreto”. Se todo mundo sabe onde fica o seu esconderijo, seria ele ainda esconderijo?

Acredito que esse mercado fale menos sobre investimento e mais sobre alma, medo e ego. Quem compra uma ilha não está exatamente fazendo uma jogada fria de planilha. Aliás, quem entra nessa pensando em revender rápido e lucrar costuma se dar mal. A ilha é outra coisa. É símbolo. É refúgio. É fantasia de controle. É a tentativa de comprar uma distância segura entre si e o caos.

A história é fascinante porque exagera uma vontade que todos nós temos em versão menor. A gente também quer fechar a porta, desligar o telefone, cancelar o mundo por algumas horas. Só que, nesse caso, a porta tem praia particular, logística milionária e um oceano inteiro fazendo as vezes de muro. Num planeta exausto, barulhento e imprevisível, a grande ostentação virou poder dizer “estou inacessível”. Fui.


O CUSTO DA SABEDORIA

Tem muita gente boa acreditando numa fantasia muito contemporânea, muito limpa, muito arrumadinha, de que a boa vida seria uma vida sem atrito. Sem gente difícil. Sem parente complicado. Sem colega que fala demais. Uma existência toda editada, silenciosa, com relações macias e nenhuma louça emocional na pia. Pois é — só que a vida não acontece assim.

Li na The Atlantic uma reflexão muito boa sobre essas pessoas que nos drenam. Os pesquisadores chamam de “hasslers”. A tradução literal não dá conta, mas a gente entende rápido: são aquelas figuras que dão trabalho. Que atravessam o dia da gente com uma crítica, uma cobrança, uma opinião fora de hora, uma ajuda torta. O curioso é que, segundo um estudo, cerca de um terço das pessoas convive com pelo menos uma dessas figuras. E elas raramente são estranhas: quase sempre estão perto demais. Colegas de trabalho. Colegas de quarto. Família. Pais idosos. Ou seja: gente de quem não dá para simplesmente dar unfollow.

O dado mais impressionante é que esse incômodo não fica só no campo da paciência — ou mesmo da falta dela. A convivência com pessoas assim aparece associada a mais depressão, mais ansiedade e até a um envelhecimento biológico acelerado — bem louco isso, né? Mas o corpo registra aquilo que a alma tenta fingir que está tudo bem. A tensão cotidiana vira hormônio do estresse, mexe com a imunidade, inflama por dentro. A chatice, no fim, também afeta o metabolismo.

E tem uma camada muito interessante sobre as mulheres. A reportagem mostra que elas conhecem mais pessoas difíceis e, muitas vezes, também aparecem como as que mais incomodam dentro da família. À primeira vista, parece injusto. Depois, fica quase óbvio. Quem cuida mais, interfere mais. Quem prepara comida, segura bebê, organiza a rotina e tenta impedir que tudo desmorone acaba opinando demais, corrigindo demais. O incômodo, nesse caso, nasce do excesso de função. Não é charme. É cansaço. É carga.

Mas o ponto mais bonito do texto está justamente onde a nossa cultura atual costuma perder a paciência. A gente vive num tempo de cortes rápidos. Cortar energia ruim. Cortar vínculo tóxico. Cortar quem atrapalha a nossa paz. Claro que existem relações que precisam mesmo acabar — isso é sério. Mas nem toda irritação é violência. Nem todo desconforto é sinal de perigo. Às vezes, é só a vida em comunidade mostrando o preço da entrada.

Aquele primo de opinião esquisita pode ser a pessoa que aparece quando você precisa. O colega de quarto que abandona a louça sem lavar na pia pode ser quem faz uma sopa quando você está doente. O familiar que dá palpite demais pode ser também quem segura uma criança, resolve uma emergência, fica por perto quando o mundo tropeça.

Acho que a pergunta não é como viver sem nenhum aborrecimento. Talvez isso seja apenas outro nome para solidão. A pergunta melhor é outra: que incômodos ainda valem o amparo que trazem junto? Em tempos em que estamos cada vez mais treinados para descartar qualquer vínculo imperfeito, talvez suportar algum desconforto em troca de suporte ou afeto seja uma forma discreta de sabedoria.

Desejos de consumo

Minha alma hippie-chic está festa! Eu explico: nesta semana, minhas escolhas nas vitrines do Iguatemi foram pensando em dias de sol e mar em Ibiza, Formentera ou Menorca, esses paraísos espanhóis do bem viver. Ai, que delícia de verão!

Na montagem acima, reprodução do livro "Ibiza Bohemia"

1 - Esse vestido de seda da NK cai muito bem nesse cenário bohemian…

2 - Para cima e para baixo pelas ruelas? Essas babouches da Osklen estão dispostas a tudo!

3 - Essa bolsa,
de ráfia e couro de
Christian Louboutin,vai desde uma circulada pelas ruazinhas até bem tarde da noite

4 - Esse maiô marrom de Lenny Niemeyer mantém a elegância depois de qualquer mergulho nas Baleares!

5 - Esse body mist de Jo Malone, com cheiro de sálvia e sal marinho, é o arremate perfeito que todo corpo pede nesses dias de verão no Mediterrâneo!


Nesta semana, recebo Silvia Poppovic para uma conversa sobre televisão, envelhecimento, luto e a liberdade de não precisar mais provar nada para ninguém.

Falamos sobre uma época em que entrevistar exigia escuta e confronto, a pressão atual para opinar sobre tudo e o que muda quando aprendemos a escolher nossas próprias brigas.

Silvia também fala com muita franqueza sobre a viuvez, a solidão, o desejo de ter companhia e por que, aos 71 anos, acredita estar vivendo uma de suas fases mais livres.

A conversa completa já está no canal.
https://www.youtube.com/1H4CO23Q9L8

3 perguntas para

Maria Fernanda Sodré criou A Mafalda a partir de uma inquietação muito concreta: por que aquilo que completa o gesto, sustenta o corpo e dá presença ao caminhar tantas vezes precisa vir acompanhado de incômodo? Foi nesse território, entre beleza e liberdade, que ela encontrou o ponto de partida para construir uma marca brasileira que propõe outra forma de pensar o calçado feminino. Com um olhar atento ao design, à construção das formas e à personalidade de cada peça, Maria Fernanda transformou o sapato em objeto de expressão. Suas criações parecem nascer para acompanhar mulheres que não querem escolher entre conforto e estilo, delicadeza e força, permanência e brincadeira. Querem tudo. Hoje, com presença também em Londres, A Mafalda amplia essa conversa para além do Brasil, levando consigo uma estética autoral e afetiva.


1. Existe uma ideia antiga de que elegância feminina exige algum tipo de desconforto: A Mafalda nasceu também como uma recusa dessa lógica?

Em parte, sim. A Mafalda surgiu da falta que eu sentia de encontrar um sapato que fosse, ao mesmo tempo, confortável, feminino e autoral. Quando a marca nasceu, em 2008, o cenário da moda era dominado por grandes empresas, e as marcas pequenas e autorais não tinham muito espaço; a moda era menos democrática em termos de diversidade. Acabei encontrando um espaço para atender mulheres que queriam dar uma folga aos pés. Mesmo nos modelos com salto que eu desenvolvo, busco oferecer o máximo de conforto possível.

2. Quando você olha para um modelo pronto, o que precisa estar ali para você dizer “isso é uma Mafalda”?

Gosto de dizer que meus sapatos são gráficos e pensados como se fossem objetos de design. Na hora do desenho, as simetrias e as linhas são pensadas como formas antes de se tornarem sapatos. Sou super visual e amo arquitetura, então essas linhas mais gráficas sempre aparecem nas minhas criações.


3. Abrir uma loja em Londres mudou a forma como você enxerga a própria Mafalda - e o público de fora entende a marca de um jeito diferente do brasileiro?

O público de fora procura na Mafalda o que não encontra na Europa e nos Estados Unidos : cor, peças mais divertidas e bastante autorais. Fico muito feliz por isso, pois me permite ser mais lúdica.

Direto do meu Instagram

Essa Semana Eu…

Fiquei impressionada com o sucesso de Bad Bunny em Londres: o primeiro músico latino a lotar um estádio lá, em Marseille — ele surgiu no palco vestido pelo estilista Jacquemus


Comecei a ficar muito nervosa com os jogos da Copa, principalmente com Brasil x Japão


Amei a nova collab da Uniqlo com Francesco Risso, ex da Marni — eu era muito fã dele nessa época


Achei muito engraçados os Apple Watches recém-lançados, com mostradores novos, escritos com as mesmas letras do logotipo da Rolex


Comi minha maionese preferida no mundo: com linguado, camarões e legumes, feita pela artista portuguesa Teresa de Almeida e Silva, minha amiga


Ainda tomei uma vichyssoise maravilhosa na casa dos meus amigos Margarida e Luis Barbosa


Celebrei, na loja da Vista Alegre, os pratos feitos em parceria de Nádia Taguary e Gilberto Gil — além de Alex Cerveny com a Bordallo Pinheiro


Recebi, de Marcos Amaro, o convite para a inauguração do Hangar I, parceria da FAB e do Museu Aeroespacial Paulista (MAPA). O movimento marca um novo passo na implantação do museu, que contará com aeronaves históricas, simuladores de voo e experiências imersivas — isso aconteceu na sexta-feira


Fui almoçar na Tasca de Susana — que já posso considerar quase uma amiga — no endereço mais secreto de Lisboa, o preferido de Walter Salles


Passei uma tarde de sol na praia, em Sesimbra


Descobri que boa parte daquilo que os museus possuem nunca chega às paredes das exposições: até 95% dos acervos costumam permanecer guardados


Mais uma vez, reverenciei o craque Cristiano Ronaldo, que, em plena Copa do Mundo, providenciou ajuda humanitária para as vítimas do terremoto na Venezuela: ele mandou dois aviões lotados de itens necessários para ajudar as vítimas


Me sentei no balcão do Gambrinus, um dos mais tradicionais restaurantes de Lisboa, acompanhada de dois croquetes e um Porto Tônica


Comecei a me preparar para a temporada que costumo passar na Comporta — aliás, este sábado foi aberta a temporada de arte, com a inauguração das mostras da Kubik, Mendes Wood e Fortes Daloia, juntas este ano


Fiquei sabendo que a Chanel comprou a Charvet, histórica camisaria francesa fundada em 1838 e instalada na Place Vendôme: vale lembrar que, no último desfile, as camisas da marca já estavam na passarela da Chanel


Descobri que Dua Lipa levou sua Service95 para dentro da Livraria Lello, no Porto, criando uma Biblioteca Manifesto dedicada a livros proibidos e censurados, em um espaço assinado por Álvaro Siza


Vi que nem a semana de moda em Paris escapou de passar calor com certa falta de dignidade: nestes dias de termômetros nas alturas, a primeira fila trocou reclamações sobre atrasos por leques, miniventiladores, camisetas regatas improvisadas e até toalhas geladas na Dior

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Ah, o verão. Seja no Brasil ou seja no hemisfério Norte, penso sempre naquele tempo de relax, de reverenciar o sol, o mar, a brisa, o far niente. E como eu amo tudo isso, resolvi celebrar esse tempo com a canção que traz o verão no nome, numa versão de Al Jarreau e George Benson, que foi destaque em 2007 no festival de jazz de Montreux. Isso é “Summer Breeze”.

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