A moda a sério, a importância do silêncio e a magia dos livros infantis — para os adultos: quanta coisa, hein?

Uma semana de reviravoltas aqui no Brasil. Uma semana de muito frio em São Paulo. Uma semana intensa para mim, retomando compromissos, com muito orgulho e prazer. Tenho mais dificuldades nesta época do ano por causa dos dias mais sombrios: sou uma personagem solar. Mas, mesmo assim, tento manter o mesmo nível de energia — ou quase o mesmo. E, principalmente por causa disso, me desafio a enfrentar essa jornada de uma forma no mínimo criativa. Confesso que não é fácil, mas estou em busca de algumas ferramentas, alguns truques que sejam úteis neste momento. Quem tiver algum, favor compartilhar comigo. Assim a gente segue junto.


A CONTA DO TEMPO

Existe uma tristeza silenciosa na vida de quem ama um cachorro. A gente sabe, desde o começo, que aquele amor vem com prazo diferente do nosso. Eles chegam fazendo bagunça, ocupam o sofá, a cama, a rotina, o coração inteiro. E, quando vemos, já estamos tentando negociar com o tempo — como se o tempo fosse uma coisa passível de negociação, né?

Mas veja que curioso: li estes dias um artigo na revista The Atlantic sobre uma pílula que promete prolongar a vida dos cães. E confesso que fiquei tocada: não só pela ciência, que é fascinante, mas pelo tamanho do impacto que pode causar. A novidade vem da Loyal, empresa francesa criada por uma cientista de apenas 31 anos que costuma adotar cachorros mais velhos. Ela sabe bem o que é essa despedida: sua rottweiler dormia de conchinha com ela todas as noites e morreu recentemente. A gente sabe muito bem que tem coisa que não cabe numa pesquisa clínica. Mas talvez explique por que alguém decide dedicar a vida a esticar um pouco esse relógio.

Segundo a reportagem, o comprimido que ela desenvolveu pode chegar ao mercado já no ano que vem, por cerca de 100 dólares ao mês. A lógica é mexer na sensibilidade do organismo do cachorro à insulina, reduzindo os efeitos do excesso desse hormônio, associado à inflamação dos tecidos, ao envelhecimento, ao câncer e a doenças cardíacas. Parece ficção, mas tem até grupo de pets candidatos a testar o sabor dessa pílula.

Um dos cães, muito sincerão, foi bem claro no que sentiu: fez xixi em cima de uma das amostras. Achei ótimo — cachorro não faz média nem com a indústria farmacêutica.

O fato é que nossa relação com os bichos mudou completamente. Até os anos 1990, foi a chegada de bons remédios contra pulgas e carrapatos que ajudou a abrir de vez a porta de casa, da cama, da intimidade. Hoje, cachorro tem plano de saúde, presente caro, tratamento sofisticado. Tem gente gastando com eles o que gastaria com um neto. E aí a FDA, agência reguladora norte-americana, abriu uma fresta histórica: pela primeira vez, permitiu o desenvolvimento de um medicamento pensado não para curar uma doença específica, mas para prolongar a vida. Primeiro a deles. Depois, talvez, a nossa. É lindo. E é assustador.

Porque, se essa pílula funcionar, ela não vai trazer só mais tempo. Vai trazer também uma nova culpa: quem puder pagar talvez se sinta obrigado a pagar. Quem não puder talvez carregue a sensação cruel de ter amado menos. O amor, que já é tão cheio de contas invisíveis, pode ganhar a partir disso uma mensalidade muito concreta.

No fundo, a pergunta não é apenas quanto tempo a ciência consegue acrescentar à vida de um cachorro. É o que faremos com esse tempo. Se vamos transformá-lo em mais uma performance de cuidado, mais uma cobrança, mais um julgamento. Ou se vamos entender que amar um bicho é também aceitar a beleza, às vezes muito curta, da passagem dele por nós.

Claro que eu adoraria ter mais anos ao lado de quem amo. Quem não amaria? Mas talvez o grande privilégio continue sendo outro: saber estar presente enquanto eles ainda encostam a cabeça no nosso colo, enquanto ainda fazem festa na porta, enquanto ainda nos olham como se fôssemos a melhor parte do mundo, enquanto abanam freneticamente o rabo. Porque talvez sejam eles que nos ensinam a grande ciência do tempo. Ficar. Amar. E aproveitar antes que vá embora.


O RESGATE DA FANTASIA

Outro dia estava lendo sobre livros infantis e fiquei pensando nessa nossa mania meio exibida de achar que crescer é trocar encanto por seriedade. Como se maturidade fosse uma estante pesada, cheia de lombadas respeitáveis, e não também a capacidade de ainda se comover com uma página com palavras simples e com ilustrações delicadas.

Talvez a gente tenha sido treinado a olhar para essas histórias como uma espécie de pré-literatura. Um aquecimento antes da vida “de verdade”. Só que esse desprezo adulto pela literatura infantil não é nenhum motivo de orgulho. Quando não valorizamos esses livros, menosprezamos também a inteligência da criança. E, pior, enterramos uma parte nossa que continua ali, quieta, esperando licença para voltar. E como é gostosa essa volta…

Existe até uma palavra para isso: childness. Não é infantilidade. Não é regressão. É esse estado de criança que sobrevive em nós, mesmo depois dos compromissos, das contas, dos e-mails, das roupas pretas, das opiniões muito bem articuladas.

O mais curioso é que os bons livros infantis nunca foram leves no sentido bobo da palavra. Eles falam de medo, perda, amor, solidão, morte. Só que fazem isso com uma economia que a literatura adulta, muitas vezes, invejaria. Poucas palavras. Imagens certeiras. Uma coragem delicada. Nada de explicar demais. Nada de sublinhar sentimento com caneta fluorescente. A criança entende. E talvez por isso nós, adultos, às vezes, fujamos.

A mente infantil aceita melhor o absurdo. Testa hipóteses. Não precisa que tudo venha com manual, justificativa e rodapé. Numa página ilustrada, uma árvore pode amar, um monstro pode acolher, uma ausência pode doer sem precisar ser nomeada. Há uma liberdade formal ali. Uma ousadia. A literatura infantil permite que a lógica dê uma volta no quarteirão e volte mais interessante.

Reler essas histórias, talvez, seja menos nostalgia e mais higiene da alma. Um jeito de lembrar que sofisticação não precisa ser sinônimo de dureza. Que uma vida adulta sem fantasia fica burocrática demais. E que, como dizia C.S. Lewis, um dia seremos velhos o bastante para voltar a ler contos de fadas. Gosto dessa ideia. Num mundo tão cheio de eficiência, cinismo e pressa, recuperar o encantamento pode ser o que vai fazer a diferença.

Ah, eu já estou fazendo a minha parte faz tempo: nas aulas de literatura que tenho com o professor José Feres Sabino, desde o início, há mais de 10 anos, intercalamos livros infantis entre leituras mais cabeça. Eles alimentam a alma…

UMA NOVA MODA

Tem uma coisa quase indecente na velocidade com que a moda passou a girar. A gente compra, usa pouco, enjoa rápido, doa com culpa, compra de novo, como se o armário precisasse estar sempre em estado de estreia. Só que o planeta, coitado, não acompanha esse ritmo de vitrine histérica. E nós também não.

Por isso me chamou a atenção uma notícia do The Hollywood Reporter: Cate Blanchett e sua produtora, a Dirty Films, estão por trás da adaptação para documentário do livro “Fashionopolis: The Price of Fast Fashion and the Future of Clothes”, da jornalista Dana Thomas. Ela é uma especialista em moda, já esteve algumas vezes no Brasil, onde tem alguns amigos, e incluiu em um de seus livros o fenômeno Daslu, um templo de luxo que chamou a atenção do Brasil e do mundo anos atrás.

O projeto vai olhar para essa indústria global imensa, avaliada em 3 trilhões de dólares, e para o preço real dessa engrenagem. Não o preço da etiqueta. O outro. O que fica escondido, embutido entre as costuras.

A direção será de Reiner Holzemer, que já filmou universos tão delicados quanto os de Dries Van Noten e Martin Margiela. Ou seja, alguém que entende que moda não é só roupa. É desejo, trabalho, imagem, poder, desperdício, vaidade, cultura. Tudo junto, num cabide só. A proposta, pelo que se anuncia, não é fazer um pito moralista no fast fashion, essa moda rápida, massiva e quase descartável. A ideia parece mais interessante: mostrar também quem está tentando refazer o sistema por dentro: estilistas, políticos, ativistas e inovadores. Gente pensando outro caminho.

E Cate Blanchett faz sentido nessa história. Ela já usa há tempos o tapete vermelho como uma espécie de palco político silencioso. Repete roupas, fala de sustentabilidade, insiste em escolhas mais éticas. Gosto muito disso. Porque existe uma elegância rara em não tratar o novo como obrigação. Em entender que estilo não é sinônimo de consumo nervoso.

E talvez essa seja a provocação mais interessante desse projeto. A moda sempre soube vender fantasia. Agora precisa aprender a vender responsabilidade sem perder o charme e a beleza. Dá para desejar uma roupa e, ao mesmo tempo, perguntar de onde ela veio. Dá para gostar de brilho sem fechar os olhos para a sombra. Dá para vestir uma ideia, não apenas uma tendência. A peça mais sofisticada, hoje, talvez seja aquela que carrega alguma consciência. E que não precisa representar novidade para ter presença

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PALMAS PARA O SILÊNCIO

Uma cena muito contemporânea, quase banal, que talvez diga mais sobre nós do que gostaríamos: a pessoa sai para caminhar e coloca o fone de ouvido. Entra no carro e coloca o fone. Vai lavar a louça e coloca o fone. Vai passar um café e já aperta o play. Como se qualquer intervalo sem som fosse uma pequena ameaça. Como se o silêncio tivesse virado uma coisa inconveniente.

Li no The Washington Post uma reportagem sobre esse novo vício discreto, quase elegante, porque não tem a cara dramática das telas. Não é o dedo rolando o feed. Não é a luz azul grudada no rosto. Mas é o som. O áudio o tempo todo. Música para andar. Podcast para cozinhar. Audiolivro para arrumar a casa. Notícia para passar café. Uma companhia permanente, pequena, enfiada no ouvido. Segundo essa mesma reportagem, os norte-americanos já passam quase quatro horas por dia ouvindo podcasts, músicas ou audiolivros. E isso sem contar aquela televisão ligada ao fundo, fazendo sala para ninguém.

Especialistas explicam que o problema está nessa facilidade de acessar, em segundos, qualquer estímulo que dê prazer. O cérebro se acostuma com a gratificação imediata. Vem a dopamina. Vem o alívio. E, quando o som acaba, sobra uma espécie de ressaca: irritação, ansiedade, tristeza miúda, tédio.

Só que o silêncio não é um item a ser desprezado. Psicólogos lembram que, quando não estamos presos a uma tarefa focada, uma área do cérebro entra em ação. É ali, nesse aparente nada, que a cabeça organiza emoções, costura pensamentos, monta a nossa narrativa interna. Bonito isso. A vida precisa de intervalo para virar experiência. Sem pausa, tudo passa por nós como elevador rápido: entra, sobe, desce, um moto-contínuo.

E talvez seja aí que mora a parte mais incômoda. Não estamos ouvindo apenas porque amamos som. Estamos ouvindo para não escutar outras coisas — nossa própria inquietação. Uma lembrança. Uma dúvida. A conversa que ficou pela metade. A ideia que só aparece quando a cabeça para. Muita gente tem as melhores ideias pedalando ou caminhando em silêncio para o trabalho. Claro: a mente também precisa de rua vazia para atravessar.

Os especialistas sugerem um desafio radical para os nossos tempos: três dias sem fones e sem telas. Quase um retiro espiritual sem túnica e sem namastê. Voltar a fazer coisas lentas. Caminhar sem narração. Lavar louça sem episódio. Tomar café sem comentário. Prestar atenção em quem está diante de nós, com o corpo inteiro presente. Parece pouco, mas hoje é quase uma ousadia.

Aparentemente, o barulho virou a maneira mais educada de fugir de nós mesmos. E desligar tudo, por alguns instantes, pode ser menos uma disciplina e mais um gesto de bom senso. Ouvir o próprio silêncio. Ideia antiga. E urgente.


UMA QUESTÃO DE SELEÇÃO

A gente piscou e a inteligência artificial virou uma espécie de fábrica infinita. Faz texto, faz música, faz estratégia, faz logotipo. Faz variação em cima de variação: um cardápio sem fim. E, de repente, o problema já não é mais criar. É escolher.

Li um artigo escrito por um ex-reitor da Harvard Business School que me pegou justamente aí. Ele diz que, num mundo em que as máquinas conseguem produzir quase tudo, a qualidade mais rara passa a ser uma velha conhecida: o bom gosto. Parece simples. Não é. Bom gosto não é frescura, nem verniz, nem capricho de gente metida. É uma forma de inteligência. Talvez uma das mais raras.

O texto conta a história de um CEO admirado que dizia não se considerar um gênio criativo, mas confiava muito no próprio olhar. Sabia orientar. Sabia cortar. Sabia perceber o que tinha alma e o que era só barulho bem embalado. Gosto é exatamente essa bússola interna que separa o “dá para fazer” do “vale a pena fazer”. E essa diferença, convenhamos, é enorme.

Pense no primeiro iPhone. Claro que havia tecnologia ali. Mas havia também cena, ritmo, silêncio, escolha. Tudo dizia alguma coisa antes mesmo do aparelho dizer. Isso nasce de repertório. De intenção. De uma certa educação do olhar. Não por acaso, a empresa por trás do ChatGPT comprou recentemente a startup do lendário designer da Apple. É curioso, né? A inteligência artificial, tão cheia de cálculo, indo atrás justamente de alguém conhecido por transformar objeto em desejo. Como se dissesse: temos potência, agora precisamos de alma. Ou, pelo menos, de alguém que saiba onde ela costuma morar.

O algoritmo pode até imitar estilo. Pode vasculhar mundos de dados. Pode devolver versões infinitas de quase qualquer coisa. Mas não viveu. Falta a ele essa bagunça humana que, no fim, é a matéria-prima do gosto. Da curadoria, do olhar. E há uma questão ética nisso: sem curadoria humana, a inteligência artificial escorrega fácil para o chamado slop, essa lama de conteúdo ruim, repetido, sem critério. Pior: pode amplificar horrores. E aí o assunto deixa de ser apenas estética. Vira responsabilidade.

Não é só a máquina que ameaça substituir o humano. É o humano que pode desistir de exercer aquilo que tem de mais precioso: julgamento. Sensibilidade. Critério. Bom senso. A capacidade de dizer “não” diante de mil opções sedutoras. Bom gosto se cultiva. No detalhe. Na observação. Está também em saber por que alguma coisa nos toca. E por que outra, mesmo perfeita tecnicamente, não diz nada.

A inteligência artificial pode até gerar todas as possibilidades. Mas ainda cabe a nós decidir qual delas merece existir. E isso, hoje, é poder. É estilo. É ética. É humano.

Desejos de consumo

O que é da vida da gente sem uma boa música? Quando é ao vivo, melhor ainda: pode ser clássica, pode ser pop, pode ser contemporânea: aqui em São Paulo, nestes dias, a temporada está animada. Pensando nisso, fiz minhas escolhas da semana no Iguatemi. Aqui estão elas!

1 - Essa camisa com xadrez duplo da Comme des Garçons
é a cara da modernidade:
gosto muito

2 - Essa bota da Saint Laurent traz um ar meio anos 1970 que combina muito com o mood musical

3 - Para arrematar o look, essa bolsa verde, tipo saco, da Bottega Veneta faz bonito!

4 - Um curinga? Esse lenço de seda batizado de Guerreiros, da Handred, traz brasilidade e charme — e resolve bem o problema quando o refrigerado é muito forte…

5 - Na volta pra casa, de noite, o prêmio merecido: um bom banho e esse creme hidratante reparador da Sisley: o corpo, exausto, agradece


Nesta semana, recebo Zé Pedro para uma conversa sobre música, memória, noite e o que acontece com a cultura quando tudo precisa ser rápido demais.

Falamos sobre pista de dança, descoberta musical, artistas que foram esquecidos pelo mercado e a importância de continuar se emocionando em um tempo em que tudo parece mais raso.

Zé também reflete sobre algoritmos, redes sociais e excesso de informação. Entre histórias da noite, Maria Bethânia, Taiguara, Fafá de Belém e Clarice Lispector, aparece alguém que ainda acredita profundamente no repertório, no afeto e no poder da música de transformar a vida das pessoas.

A conversa completa está no meu canal do YouTube.
https://www.youtube.com/5iaZnm5USc0

3 perguntas para

Giovana Sonda parece ter criado uma empresa a partir de uma pergunta simples, mas rara: o que faz um presente permanecer? Na sua empresa, a Giosonda, cesta não é só cesta, é um pequeno enredo montado com pão, vinho, queijo, flor, objeto, origem, intenção e poesia. Vinda de uma história atravessada pela mesa, pela cozinha e pelo garimpo de pequenos produtores, ela transformou o gesto de presentear em uma espécie de curadoria afetiva do Brasil, dessas que cabem numa cesta, mas carregam estrada, memória e cuidado. Cada presente sai também com palavras escolhidas para tocar quem recebe: poemas, frases e pequenos bilhetes que lembram que o afeto, quando bem embrulhado, continua depois que a comida acaba.


1. O que separa um presente correto de um presente inesquecível?

Presentear é levar amor, afeto, gratidão. Presença. Diminui distâncias. Aquece o coração.

Sempre vi assim. Seja para agradecer um médico amigo que não cobrou a consulta, ou salvou você com carinho e zelo de uma emergência. Aquele advogado que te ajudou e não cobrou honorários, ou até aquele que cobrou, mas ganhou uma ação importante na sua vida. Sabe quando existiu um caminho percorrido que merece ser comemorado?

Enfim, presente bom sempre leva amor, alegria, atenção. Faz um bom momento, mesmo quando o momento é difícil. Um presente de verdade se transforma em presença. Um bom presente sabe virar memória. Ele fica quando o momento acaba.


2. Você vem de uma relação muito forte na infância com comida, mesa: o que disso você carrega em curadoria até hoje?

Nasci no Rio Grande do Sul, numa cidade bem pequena. A casa da minha avó materna tinha de tudo, tudo mesmo: parreiras, horta, uma figueira gigante, caquis com sabor de chocolate e galinhas que iam pra panela na hora do almoço. Vivi minha infância nesta casa cheia de gente: são as melhores memórias da minha vida. Meus avós tinham um bar que se chamava Café do Dalla Vecchia. Funcionava o dia todo, era o point da cidade. Naquela cozinha, saíam galetos, pastéis crocantes, sorvetes artesanais, cucas, grostoli… Todos feitos à mão e com alma. A farinha da polenta vinha do vizinho, que moía milho em moinho de pedra; o queijo colonial, da rua de trás; salames sempre pendurados pela casa, “secando”, porque meu avô mesmo que fazia. Bergamotas, pêssegos, pinhão e jabuticaba chegavam em cestos de vime, que são minha grande paixão hoje.

A mesa da minha família na infância era farta. Recheada de vozes, sabor, afeto, cheiros e conversas importantes, onde os pequenos se misturavam com os grandes. Acho que dessa memória vem a busca em criar um momento em cada presente, para de fato ficar e estar presente.


3. Em que momento uma cesta deixa de ser uma combinação bonita de produtos e vira uma história?

Nós temos alma de empório e fazemos presentes afetivos com esse garimpo. Meu avô paterno tinha um armazém de interior. Meus tios e meu pai montaram o primeiro supermercado Sonda na zona norte de São Paulo, em 1979, quando eu tinha 7 anos. Acho que vem daí minha paixão pelo varejo. Então, minha segunda infância foi dentro de um supermercado. Após a escola, íamos para lá e ficávamos até a hora em que a loja fechava, fazendo de tudo, mas minha primeira função “oficial” era fazer os pacotes de presente. Naquela época, ou talvez, naquele bairro, as pessoas compravam whisky, louças e LPs para presentear, e eu era a menina que fazia o presente caprichado.

Hoje, trabalhamos com muitos produtores de alimentos, artesãos de materiais diversos de toda parte. É o Brasil todo dentro de um presente. Tantas histórias entrelaçadas que o presente pulsa. Conheço a maioria dos produtores pessoalmente e muitos já viraram amigos para a vida toda. Nada entra nessa curadoria que eu não pudesse servir na mesa afetiva da minha infância. E nenhum presente sai do ateliê sem cartão caprichado, uma tag com um trecho de poesia para pegar em cheio no coração. E assim o presente vira história de quem recebe.

Direto do meu Instagram

Nem o frio nem o trânsito impediram a Casa Vivo de lotar a plateia nesta quinta-feira, quando entrevistei a jornalista e curadora Lilian Pacce, com uma carreira marcante, intercalada por temporadas de estudos em Londres. Falamos de moda — já que ela sempre foi especialista nesse assunto —, mas também falamos de seus novos passos como curadora focada, principalmente, em artes têxteis e artistas mulheres. Os convidados, dos mais variados, todos muito interessados nos temas e nas conversas, fizeram toda a diferença: foram também os protagonistas desse final de tarde tão cheio de charme e conteúdo.

Essa Semana Eu…

Fiquei super animada com o anúncio de que Jorge Ben Jor vai fazer, dia 17 de outubro, um megashow em São Paulo, no Allianz Parque


Comecei a me preparar para o encontro de histórias, arquitetura e afeto, que acontece sábado que vem, na Galeria Teo, para celebrar o lançamento do livro em homenagem à vida e à obra do arquiteto Renato Marques — ele foi um grande especialista no estilo rural, que eu admirava demais. A publicação tem coordenação de Renata Mellão e Vivian Leite, da Superbacana+ Editora, e Daniel Fromer


Achei lindo demais um livro sobre a obra de Maria Klabin, que se chama “Maria K.” Foi editado pela Nara Roesler Books e lançado segunda-feira, no Rio, na Livraria Argumento do Leblon


Gostei demais de saber que Harry Styles escolheu uma Prada para vesti-lo nessa turnê — quanto estilo!


Fiquei pesquisando com atenção as fotos da Cord, marca indiana de roupas — uma coisa meio parecida com os filmes de Wes Anderson


Assisti, no Teatro Cultura Artística, a estreia de “Sete Minutos”, escrito e dirigido por Antônio Fagundes: gostei do texto


Apesar de não estar presente, celebrei o lançamento do livro "Apneia", de Esther Faingold, lançado pela Cosac, com um bate-papo entre a autora e as escritoras Noemi Jaffe e Verônica Stigger


Gostei demais da versão loira total de Georgina Rodríguez: uma coisa tipo french girl blonde, que ela fez especialmente para uma das festas em torno do Festival de Cannes


Reforcei minha admiração por artistas concretos visitando a mostra de Lygia Pape na Casa Iramaia, da Mendes Wood


Fui surpreendida, mais uma vez, pela criatividade da diretora de arte Ana Arietti, que lançou uma luminária batizada de Vênus, fabricada pela Lalampe


Vi a atriz Lily Collins anunciando as filmagens da sexta temporada de “Emily in Paris” — infelizmente a última: vou sentir saudades…


Achei um primor a nova edição da revista Velvet, que traz capa com Carlo Ancelotti em foto de Bob Wolfenson e texto de Christian Gebara


Amei essa frase que li da escritora Marta Medeiros: “A solidão escolhida é a conexão mais profunda e fértil que se pode ter na vida” — assino junto


Comemorei que Fabrício Carpinejar lançou um novo livro: “Deixe ir”, sobre coragem emocional e desapego — gosto dele


Virei fã de Gil do Vigor: tenho acompanhado ele no “Papo de Segunda”, onde ele tem demonstrado ser uma das pessoas mais lúcidas e articuladas da TV brasileira


Já marquei na agenda, na próxima quarta-feira, o lançamento do novo livro de Santiago Nazarian, “Caramelo Salgado”, na Martins Fontes


Já comecei a correr atrás das Havaianas lançadas em colaboração com a estilista francesa Isabel Marant


Fiquei mais uma vez encantada com o look de Charlotte Gainsbourg, assinado por Anthony Vaccarello para a Saint Laurent


Tive minha casa invadida pelo aroma perfeito da vela Wild Lavender, da marca Fluo, de Carol Queiroz — me faz sonhar…

Soube que dois museus vão se juntar em Nova York: o Metropolitan Museum of Art vai assumir a Neue Galerie, que até 2028 passa a se chamar Met Ronald S. Lauder Neue Galerie

Pirei com o lançamento da coleção exclusiva de Bad Bunny na Zara; que ideia mais genial!


Fiquei emocionada ao assistir ao programa de Paulo Vieira, gravado com os ribeirinhos da Amazônia: quanta sensibilidade…

Acompanhei a Christie’s transformar a venda de uma escultura de Brancusi em cena de cinema, com Nicole Kidman estrelando a campanha para a venda de Danaïde, bronze de 1913 da coleção de S.I. Newhouse, da Condé Nast, estimado em US$ 100 milhões


Me programei para estar presente, na terça-feira, na inauguração da mostra e no lançamento do livro de Marina Saleme, na galeria de Luisa Strina

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Se uma já é bom, imagine duas cheias de ginga, cheias de personalidade e de sex appeal… Para o lançamento de seu trabalho novo batizado de “Equilibrium”, Anitta convocou Marina Sena para uma das faixas e as duas fizeram uma dobradinha com “Canto de Ossanha”, clássico de Baden Powel e Vinicius de Moraes. O resultado é esse aqui: amei.

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