Muito difícil a gente perceber a hora que é preciso dar uma parada. Muito difícil ter essa possibilidade. Tirei quatro dias para tentar me recompor, ganhar fôlego e poder seguir em frente. Vim para a Lapinha, um spa no Paraná onde me refugio há muito tempo. Fiquei assustada ao perceber que há quatro anos eu não conseguia uma semana sequer para vir cuidar de mim nesse lugar que trata o corpo, a alma, o espírito e tenta nos ensinar a observar o tempo e as coisas importantes que às vezes a gente deixa passar sem perceber. Sempre que vinha aqui, fazia aulas de hidroginástica, duas seguidas, alguma arte marcial, dança e outras práticas. Sempre me submeti aos tratamentos e massagens, dos mais diversos, com efeitos que eu podia sentir. Desta vez, resolvi passar mais tempo no jardim observando a natureza, os pássaros. Consegui finalmente avançar no livro eu estava tentando ler e não conseguia. Participei de palestras muito interessantes, de aulas sobre fáscias e assoalho pélvico, fiz uma sessão de Sound Healing inesquecível, seguindo os princípios do especialista Aurelio Hammer, um austríaco que mora em Auroville, na India. Isso em um bangalô preparado especialmente para acolher todos os os instrumentos. Comi comidas levíssimas e deliciosas, encontrei amigos que, por coincidência, estavam aqui e conheci outros novos. Fui acolhida com muito carinho por uma equipe generosa e muito bem preparada. Posso dizer que estou voltando com mais energia, mais calor humano e mais preparada e consciente para aplicar alguns dos princípios que me foram passados aqui. Sorte a minha.
Ilustração: Maria Eugenia
A ELEGÂNCIA DO BASTANTE
Tem uma palavra que anda cada vez mais rara: bastante. A gente vive cercado pela sensação de que falta sempre mais alguma coisa: mais dinheiro, mais segurança, mais patrimônio, mais garantias. Talvez por isso eu tenha ficado tão intrigada ao ler uma reportagem sobre Iris Brilliant, uma especialista norte-americana em comportamento financeiro que trabalha com um grupo muito específico: pessoas com fortunas superiores a 50 milhões de dólares. A função dela parece improvável: ela ajuda seus clientes a responder uma pergunta muito mais difícil — quanto dinheiro, afinal, é o suficiente?
Ela dedica boa parte do trabalho justamente a encontrar esse limite: o momento em que o desejo de acumular deixa de fazer sentido e abre espaço para outra conversa. Iris segue na contramão da enorme indústria criada para proteger, expandir e perpetuar fortunas familiares. Em vez de perguntar como preservar o patrimônio por gerações, ela propõe outra reflexão: depois de garantir uma vida confortável, o que fazer com o excesso?
A palavra que ela escolheu para resumir essa ideia foi: bastante. Talvez seja uma das palavras mais esquecidas do nosso tempo.
A reportagem da revista The Cut também mostra que dinheiro mal resolvido costuma se infiltrar nas relações familiares. Pais escondem dos filhos o tamanho da fortuna, como se fingir uma realidade diferente evitasse problemas. Outros usam presentes para recompensar afeto, confundindo carinho com consumo. Há ainda quem transforme heranças em instrumentos de controle, impondo condições e regras que atravessam casamentos e escolhas pessoais. O patrimônio permanece intacto. Os vínculos, nem sempre.
Também me impressionou saber que Iris conduz um projeto com herdeiros de famílias cujas riquezas têm origem em capítulos sombrios da história europeia. Em vez de esconder esse passado, eles pesquisam suas origens e discutem formas de reparação, uma maneira de reconhecer que herdar patrimônio também pode significar herdar responsabilidade.
No fim, fiquei com a impressão de que riqueza talvez tenha menos relação com quanto se possui e muito mais com a capacidade de reconhecer quando já se possui o bastante.
Dizer "já basta" exige uma confiança que nenhum saldo bancário compra. Num tempo em que quase tudo parece medido pelo excesso, essa talvez seja uma das formas mais elegantes de riqueza. Concorda?
Aprendendo a viver / Fotos: Reprodução Instagram
UMA HERANÇA DE VERDADE
Tem uma mania bem contemporânea que me intriga: diante de qualquer dúvida sobre a vida, a gente corre para o Google, pergunta para a inteligência artificial, salva um vídeo, baixa um aplicativo. Vivemos cercados por ferramentas que prometem respostas rápidas para quase tudo. Mas li uma reportagem na revista Time sobre o fenômeno do “nonna-maxxing”— que nada mais é do que essa saborosa febre nas redes sociais de imitar a rotina pacata das avós italianas, com manhãs lentas, massas caseiras, jardinagem e tricô — e fiquei pensando se a resposta que tanto procuramos não mora justamente em outro lugar. Talvez na experiência de quem viveu muito.
Acredito que o que realmente vale a pena herdar são menos os costumes e mais o olhar construído ao longo dos anos. Pesquisadores dizem que esse fascínio recente pelas avós revela um cansaço do excesso de estímulos digitais. No fundo, estamos procurando outra velocidade para viver. E os conselhos que aparecem com mais frequência são quase desconcertantes pela simplicidade: investir mais nas relações do que no dinheiro, aceitar oportunidades quando elas surgem, prestar atenção nos pequenos prazeres do cotidiano: uma cama quente numa noite fria. Um café bem passado. O canto de um pássaro na janela. Coisas que passam despercebidas quando a vida vira apenas uma sequência de notificações.
Há ainda outra ideia bonita nessa conversa: pedir conselho a alguém mais velho e experiente também é uma maneira de devolver valor à sua história. Numa cultura tão fascinada pelo novo, escutar quem já atravessou tantas fases da vida talvez seja um dos gestos mais generosos que existem.
Acho que a maior herança que alguém pode deixar não cabe em um testamento. Ela aparece em frases ditas à mesa, em hábitos discretos, em conselhos que só fazem sentido muitos anos depois. O verdadeiro legado dos mais velhos está menos na nostalgia do passado e mais na capacidade de lembrar que viver bem continua sendo uma arte feita de tempo, presença e afeto.
Sabe aquela clássica imagem da atriz Nicole Kidman saindo do escritório de seu advogado, de braços abertos, celebrando o fim do casamento com o Tom Cruise? Aquela foto, que virou um clássico da cultura pop, resume perfeitamente um vento novo que anda soprando por aí. Se antigamente o divórcio era um segredo sussurrado nos cantos, tratado como um fracasso retumbante, hoje a história é outra. O fim do casamento ganhou um rebrand completo. Virou sinônimo de libertação, de renascimento e, acredite se quiser, de um negócio extremamente lucrativo nas redes sociais.
Achei curioso descobrir, em uma reportagem da Business Insider, que essa mudança de olhar acabou criando uma estética própria. Nas redes sociais, já existe até um vocabulário para isso: fala-se em “celebratory uncoupling”, uma separação celebrada, e no famoso “divorce glow-up”, aquele momento em que a pessoa reaparece mais leve, mais bonita, mais segura de si. O fim de um relacionamento passou a ser contado como o começo de outro capítulo -— e não o final triste de uma história.
Claro que a internet faz o que sabe fazer melhor: cria uma tendência e, pouco depois, um mercado em torno dela. Livros, podcasts, comunidades, anéis feitos a partir das antigas alianças ou dos diamantes de noivado, campanhas de moda... Há uma indústria inteira vivendo dessa ideia de recomeço: a grife descolada Reformation lançou uma coleção inteira batizada de "Coleção do Divórcio", estrelada pela badalada advogada das estrelas, Laura Wasser. E mulheres famosas estão transformando seus antigos diamantes de noivado nos chamados divorce rings — os anéis do divórcio. O curioso é que, por trás das fotos bonitas e dos discursos inspiradores, existe uma realidade bem menos glamourosa.
Segundo a reportagem, são as mulheres que iniciam cerca de 70% dos divórcios heterossexuais. Nem sempre porque desejavam romper, mas porque muitas vezes permanecer significava aceitar abandono, sobrecarga ou relações que já não se sustentavam. Existe ainda outro dado importante: também são elas que costumam enfrentar as consequências financeiras mais duras depois da separação.
Talvez por isso tantas escolham dividir esse processo publicamente. Não apenas para contar uma história, mas porque essa exposição pode trazer trabalho, renda, apoio emocional e uma comunidade de pessoas vivendo experiências parecidas. A vulnerabilidade, que antes costumava ficar escondida, encontrou outro lugar.
Ao mesmo tempo, confesso que também entendo quem olha para esse movimento com alguma desconfiança. Existe sempre o risco de transformar qualquer dor em conteúdo e qualquer cicatriz em estratégia de marketing — a vida raramente cabe na estética impecável de um antes e depois.
O que interessa muito nessa história é outra coisa. Talvez não seja exatamente celebrar o divórcio, mas abandonar a ideia de que todo fim precisa carregar um selo de fracasso. Algumas histórias acabam porque acabam. Outras porque deixam de fazer sentido. E reconhecer isso talvez seja bem mais honesto e bonito do que insistir em finais felizes que já não existem.
Sabe aquela velha mania contemporânea de achar que para cuidar da saúde a gente precisa se render a pílulas caríssimas, suplementos da moda ou a rituais exóticos de bem-estar? Pois é. Mas o chá, essa bebida milenar, continua surpreendendo a ciência depois de tantos séculos. E essa notícia me deixa muito feliz.
Depois da água, o chá é a bebida mais consumida do planeta. E talvez isso diga alguma coisa. Cada um à sua maneira, carrega uma coleção de polifenóis e antioxidantes que a ciência vem pesquisando há décadas. Um estudo acompanhou meio milhão de pessoas durante mais de dez anos e observou que quem tomava de duas a três xícaras de chá por dia apresentava uma redução significante de problema de saúde. Outra pesquisa mostrou benefícios para a saúde cardiovascular, com melhora da função dos vasos sanguíneos e redução da pressão arterial. Também há evidências de que o chá ajuda a controlar os picos de açúcar depois das refeições, favorece a microbiota intestinal — ajudam a liberar o famoso GLP-1, aquele hormônio natural que reduz o apetite e que é o composto das famosas canetas emagrecedoras — e contribui para reduzir processos inflamatórios.
Mas confesso que o que mais me encanta está menos nos números do que no ritual. É curioso perceber que uma xícara de chá parece desafiar a lógica do nosso tempo. Enquanto o café nos empurra para frente, o chá pede outro ritmo. Ele desperta, mas sem tanta pressa. Um experimento mostrou que pessoas que beberam chá preto tiveram um nível de atenção semelhante ao de quem tomou café, com uma diferença importante: dormiram melhor depois. No chá verde, entra em cena a L-teanina, um aminoácido associado ao relaxamento, à redução da ansiedade e à melhora da concentração. Uma combinação rara: foco sem tanta agitação.
O chá não é apenas uma bebida. Existe um pequeno ritual escondido dentro dele. Esperar a água, respeitar o tempo da infusão, segurar uma xícara quente entre as mãos. Gestos quase invisíveis que acabam impondo um ritmo diferente ao dia.
Num momento de tanta correria e tanto estresse, além de aplicativos e protocolos intermináveis, gosto da ideia de que uma parte da resposta continue morando em algo tão antigo quanto uma chaleira no fogo. Nem tudo o que faz bem precisa chegar como uma grande descoberta. Às vezes, basta uma pausa de cinco minutos e uma xícara de chá.
Ilustração: Maria Eugenia
UM CAMINHO PARA DOIS
A gente acredita que entrou em um relacionamento com a personalidade pronta, acabada, protegida por uma espécie de moldura invisível. Como se amar fosse apenas encontrar alguém compatível com quem já somos. Li um artigo na The Atlantic sobre psicologia que desmonta um pouco essa fantasia. Mostra que talvez o amor tenha menos a ver com encontrar a pessoa certa do que com aceitar que ninguém atravessa uma relação importante sem sair diferente dela.
Os pesquisadores chamam isso de “fenômeno de Michelangelo”: assim como um escultor revela uma forma que já estava escondida no mármore, as pessoas com quem convivemos também vão, pouco a pouco, revelando partes de nós que talvez nem soubéssemos que existiam. A convivência desgasta algumas arestas, amplia outras, muda prioridades, muda o jeito de olhar para o mundo. A grande discussão é descobrir até que ponto essa mudança acontece de fato ou se o amor também nos leva a acreditar que a pessoa ao nosso lado está caminhando exatamente na mesma direção que nós. Difícil de acontecer, certo?
Talvez a resposta esteja nesse espaço entre realidade e percepção. Porque viver junto nunca é um exercício neutro. A forma como alguém nos acolhe, nos escuta ou nos atravessa altera o nosso humor, o nosso comportamento e até as escolhas que fazemos sem perceber. O artigo fala de um conceito chamado “positive affective présences”, essa capacidade que algumas pessoas têm de tornar qualquer encontro mais leve. Acho fascinante pensar que existe gente cuja maior qualidade não é aquilo que diz ou faz, mas a sensação que deixa nos outros. Bonito isso.
Também descobri que o nosso próprio estado de espírito influencia quem escolhemos ter por perto. Isso ajuda a entender por que algumas relações florescem em determinados momentos da vida e, em outros, simplesmente perdem o encaixe.
Gosto da ideia de que a personalidade seja menos um monumento e mais uma obra em andamento. Que exista alguma beleza em permitir que o tempo e as pessoas deixem marcas na gente. Num momento em que somos constantemente incentivados a proteger nossos limites, controlar tudo e preservar uma versão rígida de quem somos, talvez valha lembrar que o afeto também trabalha em silêncio. Ele muda o jeito como enxergamos o mundo, como reagimos às coisas e até quem nos tornamos. Continuamos sendo nós mesmos, claro. Só que com alguns traços deixados por quem caminhou ao nosso lado.
A primavera ainda não chegou, mas as árvores de São Paulo acharam que já era hora de mostrar do que são capazes. Circular pela cidade nesta época, principalmente em alguns bairros, é prazer garantido. Muito bom poder acompanhar floradas das mais diversas cores e tipos. Um passeio que eu gosto muito de fazer e que me inspirou nas escolhas desta semana nas vitrines do Iguatemi.
Na montagem acima, reprodução da imagem de Damien Hirst, "Politeness", 2021
1 - Um vestido de mangas curtas cheio de graça da BDLN? A cara deste tempo…
3 - Se a ideia dela é uma escapada rápida até Campos do Jordão só para conferir as cerejeiras que já estão em flor por lá, essa mala de mão da Rimowa é perfeita para um bate-volta
4 - Para a sala, para o escritório, para o quarto: a estação pede mais calma e esta vela com aroma de laranja e musk da Tania Bulhões garante
5 - Classe é isso aí: uma bolsa da Bottega Veneta perfeita para a pré-primavera
Foto: Divulgação/Reprodução Instagram
3 perguntas para
Vera Helena Pires tinha 27 anos quando descobriu que o acolhimento a uma mãe e seu bebê pode desenhar o destino de uma vida inteira. Ao longo de quase cinco décadas, o gesto voluntário transformou-se na Obra do Berço — hoje um porto seguro em três unidades que abraçam mais de 4.000 crianças, jovens e famílias, do berçário aos primeiros passos profissionais. E, para manter vivos esses horizontes de cuidado e cidadania, a instituição realiza a 34ª Noite de Confraternização, Bingo e Leilão da Obra do Berço no dia 13 de setembro, domingo próximo, no Espaço JK Eventos.
1. Como uma atividade que inicialmente era voluntária foi ocupando um espaço tão central na sua vida?
Comecei com 27 anos, ajudando as mães carentes a cuidarem da gravidez e fazerem enxoval para seus bebês. Mas elas voltavam depois que os bebês nasciam, precisando de um lugar para deixar os filhos com qualidade e segurança para voltarem a trabalhar. Foi assim que nasceu a Obra do Berço, hoje com 3 unidades que atendem por volta de 4.000 usuários de berçário até o ensino profissionalizante e suas famílias. À medida que foi crescendo, fui ficando e participei de todas as mudanças.
2. O que vocês descobriram ao longo do caminho sobre a importância de permanecer na vida dessas pessoas por mais tempo?
Quando você trata da vida de pessoas com alta vulnerabilidade social, você percebe a importância de fazer a diferença na vida delas. É um caminho sem volta. Existe também uma obrigação social em ajudar e poder transformar a vida dessas pessoas.
3. Você dedicou praticamente toda a sua vida adulta à mesma causa - o que foi mudando em você ao longo desses quase cinquenta anos?
Ao longo desses anos, meus horizontes se abriram e me tornaram uma pessoa melhor. Pude enxergar o próximo como um cidadão participativo. Através do meu privilégio, pude ir atrás de parceiros, projetos, doações e eventos que arrecadam fundos para a instituição. Acaba sendo uma troca que nos muda por completo e para sempre. Espero deixar esse exemplo para as futuras gerações, pois precisamos sempre desse olhar, dessa energia e dessa vontade de ajudar.
Achei uma chiqueria pura Cate Blanchett estrelar uma campanha para a marca japonesa Uniqlo
Por estar fora de São Paulo, não pude participar do jantar da Artesol, no JK Iguatemi, e nem acompanhar a conversa de Marcelo Ferraz sobre arquitetura brasileira no lançamento das joias da Prasi, de Helena Sicupira e Mariana Prates: fiquei triste de perder
Me encantei com os novos loafers de camurça da Saint Laurent: a cara da elegância
Acompanhei pelo Instagram as cenas tristes da missa para Mathilde Favier e seu companheiro Nicolas Altmayer na igreja de Saint-Sulpice, Paris — a morte deles deixou toda a comunidade da alta moda consternada, além dos amigos e a turma do cinema, já que ele era produtor e ela, top PR da Dior
Acompanhei as homenagens à feminista Gloria Steinem, tão importante para o movimento feminino, e que morreu estes dias
Participei do Encontro Vivo, capitaneado por Christian Gebara, que discutiu propostas para os novos tempos com discussões muito relevantes e apresentação de Denise Fraga — amei especialmente a participação do professor Miguel Nicolelis, que dividiu o palco com o psiquiatra Rodrigo Bressan
Fui visitar o ateliê de Fabi Gabas Kallás: gostei demais do lugar e das obras que vi
Descobri um leilão de moda que vale ficar de olho: As Leiloeiras, de Carolina e Mariana Sodré Santoro, que abriram uma seleção de peças de luxo com bolsas, roupas, sapatos e acessórios de grandes marcas, com curadoria da Tânia Wagner — os lances já estão abertos e o leilão acontece em 19 de setembro
Ouvi falar pela primeira vez do Shiki Shima, um dos trens de luxo mais exclusivos do Japão, com apenas 34 hóspedes, suítes com banheiras de cipreste e vagões panorâmicos: a procura é tão grande que, para conseguir uma reserva, é preciso primeiro ganhar uma espécie de loteria
Celebrei muito a colaboração de Luca Guadagnino com a Zara: ao lado do designer Stefano Baisi, o cineasta criou uma coleção que vai de camisas de seda e jaquetas de couro a sofás e talheres, com referências ao modernismo italiano, à arquitetura brasileira e às cores dos filmes de Jean-Luc Godard — mais chique, impossível
Fiquei intrigada com a nova escova de dentes da Dyson, marca-desejo, que custa US$ 499 e vem com uma câmera acoplada para acompanhar a escovação pelo celular: o aparelho ainda identifica espaços entre os dentes e dispara jatos de enxaguante para fazer uma espécie de fio dental automático — um sonho!
Achei curioso — e um pouco preocupante — ver que algumas varejistas, entre elas a H&M, estão reduzindo suas linhas plus size na era dos medicamentos GLP-1: com mais consumidores recorrendo a canetas para emagrecimento, a mudança no corpo virou também uma mudança nas araras
Descobri a Loonen Water, uma marca norte-americana de água premium, vendida em garrafas de vidro que virou símbolo de status no universo wellness: custando quase US$ 6, ela entrou para a lista de obsessões de 2026
Soube que escolas da Dinamarca reservam, desde 1993, uma hora por semana para a chamada Klassens tid, uma espécie de aula de empatia: alunos de 6 a 16 anos conversam sobre problemas pessoais ou da escola e buscam soluções em grupo, num país que hoje tem uma das menores taxas de bullying da Europa
Achei engraçado que as casas de boneca voltaram a conquistar os adultos, agora como hobby de coleção e trabalho manual: entre mini mansões sob medida e móveis minúsculos feitos para durar gerações, o passatempo virou uma forma de desacelerar e se perder nos detalhes
Me diverti com o look da estilista Diane von Fürstenberg para se proteger do sol no mar (seu marido tem um dos veleiros mais elegantes do mundo e, no verão europeu, o casal passeia no mar): coberta da cabeça aos pés, viseira, luvas aquáticas e até uma espécie de gorro ninja improvisado — tudo para não tomar sol
Anotei o lançamento de “Bases Fortes”, novo livro da best-seller Brené Brown: a autora volta ao tema da liderança para discutir como conexão, coragem, disciplina e responsabilidade podem sustentar relações e equipes mais fortes — essa mulher é fera
Me animei para ver The Burberry Trench: Crafting an Icon, exposição do museu V&A, em Londres, que celebra 170 anos do trench coat da Burberry: a mostra conta como a gabardine criada por Thomas Burberry virou um dos maiores clássicos da moda
Descobri que Barack Obama vai entrar no universo dos podcasts com “A Great Book with Barack Obama”: em seis episódios, o ex-presidente americano vai conversar sobre livros que ajudaram a moldar sua visão de mundo e também a sociedade
Soube que o tarô virou o novo acessório queridinho das celebridades: de Emma Watson e Anya Taylor-Joy a Dua Lipa, o baralho-oráculo de 78 cartas saiu das prateleiras esotéricas e entrou de vez no universo fashion e lifestyle
Não foi à toa que esta semana escolhi esse vídeo mostrando Lenine cantando “Paciência”, uma de suas canções mais conhecidas, acompanhado da harpista Cristina Braga. A letra é um convite para desacelerar nesse mundo de alta intensidade que a gente vive. É também sobre aproveitar melhor o tempo e a raridade da vida. Exatamente o que mais se falou nestes dias que eu tirei para me cuidar.
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